05 Set

O inferno de Wanfil - Primeiro ato: presidente do sindicato dos jornalistas dá lição de democracia e independência

Como estudante de jornalismo fui escalado para produzir uma matéria em um comitê da candidata à reeleição em Fortaleza, Luizianne Lins (PT). O local escolhido pela produção foi o Comitê da Praça Portugal, na Aldeota. Na obra A Divina Comédia, Dante Alighieri, guiado por Virgílio, desce ao sétimo círculo do inferno (pesquisem…) para ver com os próprios olhos algumas desgraças produzidas pelo homem. Guardadas as devidas proporções, eu também estive em um ambiente que me é hostil, por conta de diferenças ideológicas e morais. E sem guia!

De qualquer forma, os contatos que travei no comitê foram bastante úteis para fortalecer alguns valores que prezo. No exercício, entrevistei, junto com colegas universitários, a jornalista Deborah Lima, presidente do sindicato dos jornalistas no Ceará.

Eu - É evidente que a cidadã Deborah Lima tem simpatia pela candidatura de Luizianne…
Deborah - Simpatia não. Eu estou engajada na campanha!
Eu - Ok. Sendo uma líder classista, representante de uma entidade profissional, você não acha que a militância ostensiva pode se misturar com o seu papel institucional, como presidente do sindicato?
Deborah - Eu quero é misturar!
Eu - Se um líder do sindicato patronal apoiasse um adversário de Luizianne, o sindicato dos jornalistas protestaria?
Deborah - Não. Mas eles (os empresários) são hipócritas. Eles têm o candidatos deles, mas fingem ser isentos. Você acredita que o jornal O Povo não permite que seus funcionários manifestem apoio aos seus candidatos?
Eu - O sindicato apóia Luizianne?
Deborah - Não. Não houve deliberação nesse sentido, embora eu acredite que isso fosse aprovado. Como eu estou aqui e ninguem reclama…
Eu - E como ficam os jornalistas sindicalizados que pretendem votar em outros candidatos? Eles também são representados e contribuem com o sindicato.
Deborah - Estamos numa democracia! O voto é secreto! O jornalista pode votar em outro candidato e não precisa ninguém saber.

Pois é. Vejam como é a democracia deles. É concedido o direito de não ser obrigado a votar no candidato que aparelha a entidade, mas é bom não fazer alarde disso. É com essa isenção que esse pessoal deseja o controle social da informação. A mulher faz questão - ela que disse - de associar o sindicato de deveria representar a pluralidade dos jornalistas (brancos e pretos, católicos e protestantes, esquerdistas e direitistas) a um projeto político partidário. Tudo em nome de um novo tempo. No site da candidata Luizianne, Deborah faz um depoimento que confirma sua disposição:

DEBORAH LIMA – Presidente do Sindicato dos Jornalistas - Quero o melhor para Fortaleza e acredito na continuidade e no sucesso do projeto político da Prefeita Luizianne Lins, que também é nossa companheira jornalista.

Nossa companheira? Quem somos nós? São todos os jornalistas e estudantes de jornalismo? Deborah, me exclua desse “coletivo”. Você não me representa.

8 Respostas para “O inferno de Wanfil - Primeiro ato: presidente do sindicato dos jornalistas dá lição de democracia e independência”

  1. Marcos Almeida escreveu:

    O dinheiro não fala alto, ele grita. As promessas de cargos e o pagamento de um bom salário seduz e nessa hora a ética vai pro lixo.

  2. Gustavo Menescal escreveu:

    Olá e parabéns.
    Descobri o blog pela leitura do Bruno Pontes.
    Fiz Jornalismo na UFC, mas naquela época era impossível pensar em recursos como blog ou website para fazer ajustes éticos como este entre você e a comissária sindical Deborah Lima.
    Até alguns anos atrás era possível amenizar: gente assim seria apenas ingênua. Depois de tudo o que já se sabe não dá mais para sermos nós os ingênuos: eles são cúmplices.
    Parabéns novamente.

  3. Angela Marinho escreveu:

    Caro senhor

    Estava no comitê da Luizianne quando a equipe de estudantes de Jornalismo da FA7 fez a entrevista com a presidente do meu sindicato, jornalista Deborah Lima. Quando tomei conhecimento do que o sr escreveu aqui, me senti na obrigação de fazer um comentário. Não entendi as suas observações sobre hostilidade e diferenças ideológicas e morais. Quais são tais diferenças, que não ficaram claras?
    Pelo que conheço da presidente do meu sindicato - como da maioria dos jornalistas cearenses - apoiamos Luizianne,sim, e isso nunca foi segredo para ninguém. Acho que teria sido mais ético da sua parte informar à sua professora Katiúzia Rios que estava indo ao comitê na condição de blogueiro tucano e homofóbico, à cata de informações para uso político e não para um trabalho de faculdade. Não sei quais disciplinas o senhor fez, mas ainda está longe de aprender as noções básicas da Ética, ao distorcer a fala da presidente do Sindjorce, com o objetivo deliberado de prejudicar a imagem de uma sindicalista respeitada nacionalmente, e principalmente, a candidatura da nossa companheira Luizianne Lins. Apesar de tucano, peça lições de jornalismo ao seu pai, Wanderley Pereira. Ele certamente condenará a sua atitude. Só mais uma coisa: se conforme companheiro, nós venceremos mais uma vez, quem sabe, no primeiro turno. Quem quiser comemorar a vitória com os jornalistas apoiadores, é só aparecer na Rui Barbosa com Antonio Sales, onde nos encontramos às quintas-feiras. Todas as tribos são bem vindas, até os filhotes de bicudos emplumados. Gente foi feita pra brilhar. Ah,ia esquecendo: a Déborah Lima vai estar lá pra reafirmar o seu apoio à nossa loura.

    Angela Marinho
    jornalista

  4. Cibele escreveu:

    Deborah Lima deixou bem claro sua escolha política, direito de qualquer cidadão, representante ou representado. Agora deixe claro a sua, já que está opinando em seu blog – veículo onde até pode ser adequado a parcialidades – usando um trabalho feito como estudante de jornalismo. Se você transcreveu “ipsi liter” uma entrevista junto a uma rasgada manifestação “anti-Luizianne” e partidários, parece que não é só Deborah que quer misturar. Faça suas matérias deixando as conclusões aos leitores, ou desanuvie de vez sua opção.
    Em quem você vai votar mesmo? Só faltou isso no seu artigo ou matéria… seja lá o que for isso aí.

  5. Klycia Fontenele escreveu:

    Bom dia nesse domingo de sol na Fortaleza Bela! Soube desse blog ontem, infelizmente, soube de forma negativa… digo infelizmente porque não compactuo com a frase “falem mal, mas falem de mim”. E já aviso que repassarei o seu blog e farei coro à opinião negativa que algumas pessoas vêm tendo sobre esse seu post(vai ficar conhecido, hein?!). Enfim, mas vamos ao que interessa.
    Também sou jornalista, mas não será como jornalista que falarei aqui. Acho que a estudante Cibele foi bem feliz no seu comentário, sugiro estudar mais, assim, talvez consiga ser um profissional respeitável. Mas, também não vim aqui falar da sua péssima forma de fazer jornalismo… Também estava no comitê, inclusive porque apoio Luizianne e a companheira Mitchelle Meira. Mas, também não é pra falar das minhas candidatas que estou aqui.
    Quero falar sobre sindicalismo. Primeiro um sindicato classista tem que ter sim sua opinião e condução política. Aliás, corrijo-me, não o sindicato como instituição, mas as pessoas que assumem as diretorias. Se não fosse assim por que elegeríamos diretores sindicais de tempos em tempos? É uma falácia esse discurso de neutralidade sindical. Sendo eufêmica e abstraindo a hipocrisia que há por detrás desse discurso, neutralidade sindical é pelo menos uma contradição em termos. Se Deborah foi eleita é porque uma boa parte dos jornalistas concordam com seu ponto de vista. Sobre ela apoiar a Luizianne ou não, isso é democracia. Pessoas públicas, pelo menos pessoas sérias, assumem suas posições políticas e seus candidatos. E sim, a intenção é contribuir para o debate político da mesma forma que você tentou fazer aqui. É uma pena que você optou por uma estratégia nada ética. E como disse Angela, vamos sim ganhar novamente e penso eu, no primeiro turno!

  6. Bruno Pontes escreveu:

    Pô, Wanderley. Vê se aprende a praticar o bom jornalismo: pense de acordo com as diretrizes do sindicato! Respeite o titio Gramsci, por favor.

    Esse negócio de ter opinião independente não tá com nada, rapaz. O negócio é respeitar o centralismo democrático. Seja um jornalista decente: siga as ordens da manada.

  7. josé escreveu:

    Faça-me o favor de volte para história e deixe de escrever idiotices, recomendo ler a revista carta Capital que declarou o seu apoio a Candidatura do Presidente e mesmo assim não deixo de lado o que é fazer jornalismo com responsabilidade e ética.

  8. Reginaldo Almeida escreveu:

    Ortega y Gasset explica as reações ao seu post. Na verdade o “Homem Massa” dos dias atuais já vem lobotomizado da maternidade.

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