05 Set

Segundo ato: se eu fosse um traficante, votaria na candidata da redução de danos

Também no Comitê da Praça Portugal pude conversar com a candidata a vereadora Michelle Meira, que conta com o apoio ostensivo da própria prefeita, devidamente registrado em panfletos bem produzidos em papel couché. Michelle defende o combate à discriminação aos homossexuais, e durante o discurso proferido no local falou sobre medidas para evitar a disseminação da AIDS, inclusive entre usuários de drogas, com a adoção de políticas de redução de danos.

A expressão “redução de danos” pode ser traduzida como uma espécie de condescendência com os consumidores de drogas injetáveis. Para ter certeza se era isso mesmo o que ela quis dizer, perguntei à candidata como seria feita essa prevenção.

Eu - Como o poder público pode evitar o risco de contágio de doenças entre usuários de drogas?
Michelle - Não adianta chegar e simplesmente proibir. Isso é hipocrisia, pois as pessoas continuarão a usar drogas. O certo é trabalhar com medidas de educação. É preciso mostrar como usar (a droga) com tranqüilidade.
Eu - Você é a favor da distribuição de kits com seringas para esse público?
Michelle - Sou a favor da educação. Mas se os kits diminuírem o contágio, não vejo problemas. 

Certa vez Paulo Maluf, candidato ao governo de São Paulo, comentando um crime de estupro, disse: “Quer estuprar? Estupra mas não mata!”. Maluf foi impiedosamente criticado, e com razão. A lógica de seu pensamento era a mesma de Michelle. Se um crime ou uma ação ilícita não podem ser evitados, cabe à autoridade ensinar como cometê-los sem causar tantos transtornos. Na prática, é uma forma de estimular o que é ilegal. Já imaginaram o abacaxi jurídico se alguém morre de overdose após receber as orientações de agentes públicos para o consumo tranqüilo de entorpecentes?

Se eu fosse um traficante, votaria em quem propõe políticas de redução de danos para drogados. Afinal, dando uma maior sobrevida a esse consumidor, mais tempo ele pode render lucros ao crime organizado.

2 Respostas para “Segundo ato: se eu fosse um traficante, votaria na candidata da redução de danos”

  1. Saulo Tavares escreveu:

    O curioso com essa rapaziada é que eles “combatem a discriminação”, desde que não seja o anti-semitismo (politicamente correta transfigurado em anti-sionismo), aí pode…

  2. Klycia Fontenele escreveu:

    Penso que a política de redução de danos deve ser tratada de forma mais responsável, ou seja, sem tantos moralismos e achismos que impedem uma discussão séria sobre uma prática que vem crescendo nos países, especialmente europeus, para evitar que as seqüelas entre os usuários de drogas sejam maiores do que as já provocadas pelos efeitos das drogas.
    Há tempos que a visão de os usuários de drogas serem marginais merecedores de punição vem se mostrando falha. Então, é preciso sim pensar (e discutir) medidas que possam ajudar essas pessoas. E a redução de danos é uma das estratégias. Acho que você poderia ter explorado mais a candidata Mitchelle pra falar sobre esse tema. Assim, seu blog prestaria um serviço a quem por aqui passar: esclarecer pontos dessa política e ter mais subsídios para concordar ou não. Mas, creio que não é essa a proposta desse blog…

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