O filme Conduta de Risco e a ética do mensalão
Somente agora assisti ao filme Conduta de Risco (EUA, 2007) . É que guardo reserva aos roteiros escolhidos pelo ator George Clooney - que é daquele tipo que acredita que obras artísticas devam ter uma “mensagem” contra o “sistema”. Quanto a arte é utilizada com fins meramente políticos e ideológicos, vira apenas propaganda.
Geralmente, nesses casos, o enredo revisita uma fórmula cansada: o sujeito que contraria a lógica do individualismo e se revolta contra a exploração, revelando os segredos mais sujos e asquerosos das grandes corporações. Via de regra, esses heróis solitários (ironicamente, o ideal revolucionário não almeja mais a consciência de classe) hesitam por causa de dilemas morais e pagam um alto preço pela petulância. Quando não perdem a família, viram alvos de assassinos de aluguel. É uma espécie de penitência pelo passado de ganância.
Conduta de Risco segue o clichê, sempre com aquele ar de denúncia corajosa. E claro, faturou milhões de dólares. George Clooney faz o papel de Michael Clayton, um advogado especialista em ocultar operações duvidésas de grandes corporações. É o homem do serviço sujo. A personagem muda ao tentar impedir que seu colega, o advogado Arthur Edens (Tom Wilkinson), mude de lado numa disputa judicial envolvendo uma indústria química agrícola e pessoas que foram envenenadas por um produto da empresa, numa causa bilionária. Vale dizer: os inescrupulosos advogados entram em parafuso ao lerem um memorando interno da tal empresa, confirmando as acusações.
Em suma, o filme é uma reunião de besteiras gritantes, quase infantis. Primeiro uma corporação empresarial que não vê problemas em matar seus clientes, numa caricaturização grotesca e maniqueística dos personagens. Segundo, a noção de que o heroísmo de Michael Clayton reside justamente em sua falta de ética, pois ele trai aqueles que buscaram seu escritório para se defender. Advogados defendendo bandidos é algo normal, imaginar que eles devam virar acusadores daqueles que lhes confidenciam os erros, isso definitivamente é errado. Para tanto existe a promotoria.
Essa é a moral do filme, de George Clooney e, de resto, do beautiful people esquerdista: existe sempre um bom motivo para alguém ignorar a ética e as leis em nome da justiça social ou de uma causa cheia de boas intenções. Não por acaso, é a mentalidade dos que patrocinaram o mensalão.






Publicado
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Domingo, 2 Novembro, 2008 às 11:02 am em


boa tarde.
Gostaria de um trecho do filme para apresentar em
trabalho academico.
grato.
11 Novembro, 2008 às 2:24 pm