04 Nov

Os sofismas das eleições americanas

Hoje ninguém fala em outra coisa que não seja as eleições nos Estados Unidos. A percepção geral no Brasil e no resto do mundo é a de que Barack Obama vencerá a disputa por 3 motivos principais, elencados por ordem de importância: 1) ele é negro, e os EUA são famosos pelo racismo; 2) Obama é conciliador, numa nação afeita a beligerância; 3) ele é o triunfo da miscigenação (descendência africana e mulçumana), por isso representaria o mundo globalizado. John McCain seria, então, o seu contrário, sem direito a qualidades próprias por reunir, automaticamente, todos os defeitos supostamente combatidos pelo adversário. Obama seria um recuo na idéia de soberania americana (que celebra a primazia de seus interesses, custe o que custar), e McCain seria a sua reafirmação. O mundo, de certa forma, acredita que Obama é uma lição humildade para a grande potência.

As eleições nos EUA, portanto, começam a apresentar sinais de fragilidade, quando um candidato passa a ser escolhido não pela experiência comprovada, ou pelas idéias que defende, mas por ser o mais bacana, por ser aquele que fica bem para a opinião pública mundial. Ademais, bem vistas as coisas, as supostas qualidades de Obama não passam de sofismas. Primeiro, o racismo não é mais uma questão relevante nos EUA, e a prova disso é a própria trajetória do candidato democrata. Como diabos ele é senador em vez de servente? E se alguém disser que vota em McCain porque ele é branco? Seria condenado como racista. Segundo, imaginar que Obama é um pacifista capaz de ignorar os interesses americanos é imaginar que as instituições daquele país admitam a passividade e a prevaricação como instrumentos legítimos de governo. Se Evo Morález tomasse de assalto uma petrolífera dos EUA, imaginando que Obama reagiria como Lula, levaria uma surra de um porta-aviões e voltaria para o seu lugar rapidinho. Por último, fazer da árvore genealógica de alguém uma causa política é uma tolice que só pode prosperar mediante doses cavalares de propaganda enganosa. Objetivamente, gostaria muito que alguém me provasse por qual motivo a origem africana do pai de Obama é importante para o gerenciamento da máquina governamental dos Estados Unidos.

Os americanos, tudo indica, querem um garoto-propaganda na Casa Branca.

2 Respostas para “Os sofismas das eleições americanas”

  1. Bastos Silva escreveu:

    O blog está ficando chato. Quero dizer, as idéias do blogueiro. São curtas e ultrapassadas. O mundo do era já foi. O mundo do será é o que é.

  2. Wanfil escreveu:

    “O mundo do era já foi. O mundo do será é o que é”. Seu Bastos, o senhor bebeu a caipirinha do DO?

Deixe uma Resposta