05 Nov

Obama representa a vitória das democracias liberais capitalistas

Ok. Barack Hussein Obama, 47 anos, foi eleito o 44º presidente dos Estados Unidos. O mundo comemora a vitória do primeiro negro a comandar a maior potência do planeta. No post anterior comentei que a cor da pele não deveria ser computada como uma qualidade de Obama, da mesma forma que, por analogia, não deveria ser tomada por defeito.

No entanto, isso é óbvio, o resultado dessa eleição carrega consigo um valor simbólico inegável. Significa que o mundo avançou? Não. Essa é uma conquista deles, dos americanos. Mas também serve de exemplo e prova de que as democracias são capazes de se aperfeiçoar em prazos relativamente curtos. Em 1 de outubro de 1962,  James Howard Meredith tornou-se o primeiro estudante negro da Universidade do Mississipi, após ter seu ingresso barrado pelo governador do estado. O então presidente John Kennedy precisou enviar tropas do exército para garantir a matricula do jovem, que havia sido determinado pela justiça federal. (A história pode ser vista no filme O homem que vendeu a alma ao diabo).

Do ponto de vista histórico, até mesmo a escravidão foi um fenômeno recente. E comum. O que mudou foi que no século 20 as democracias liberais capitalistas criaram o conceito de abolição. Dessa forma, a eleição de Obama representa o ápice de um processo que somente pode acontecer em países democráticos. Ele será um bom presidente? Impossível responder. Mas é certo que a maior virtude do povo americano é o respeito pelas instituições. Com o tempo, os resultados aparecem.

Há 40 anos um negro não podia estudar em uma universidade nos EUA. Em 2008 um negro foi eleito presidente. Essa mudança ocorreu sem colapsos sociais e sem rupturas institucionais. Para se ter a dimensão do que é isso, basta lembrar que nos anos 60, um indivíduo não podia ser oposicionista na Cuba do ditador Fidel Castro. Em 2008, a situação na ilha é a mesma.

2 Respostas para “Obama representa a vitória das democracias liberais capitalistas”

  1. Obama representa a vitória das democracias liberais capitalistas « Notas de Mauricio C. Serafim escreveu:

    [...] 05.11.2008 por Mauricio C. Serafim Do Blog do Wanfil:  [...]

  2. Manoel Almeida escreveu:

    A vitória de Obama é uma vitória da democracia e ponto. Dizer que é da democracia liberal é sofisma.

    O modelo democrático americano é um almágama de várias fontes: iluministas liberais ingleses + iluministas girondinos franceses, grosso modo. Mas era censitária e discricional até 1908. E radicalmente racista, em alguns estados da federação, até o início dos anos 1960. E aí, o demérito também é da “democracia liberal”?

    A escravidão, ao contrário do proposto, é uma prática muito antiga. De fato, o modelo democrático permitiu que diferentes grupos sociais passassem a ter voz na sociedade e esses passaram a cobrar de seus governos o fim daquilo que entendiam imoral e improdutivo. Mas o capitalismo liberal não impediu que em boa parte do século XIX e início do XX, os trabalhadores “livres” fosse tratados como bucha, com cargas horárias de 14 horas diárias, sem descanso semanal (férias? Nem pensar), remuneração digna de esmoléu e exploração de crianças, velhos, gestantes, etc.

    Foi a democracia que permitiu a esses grupos o direito de se organizar (embora, as vezes, reprimidos com MUITA PORRADA pelos donos do poder capitalista) e exigir por melhorias. E elas vieram, mas não força de políticas públicas liberais (na verdade, não existem políticas públicas com escopor social num modelo genuinamente liberal), mas quando se consolidou o conceito do “estado de bem estar”.

    Então, para também ser sofismático, eu poderia retrucar: o mérito das melhorias da sociedade moderna ocidental são fruto da democracia social do pós II guerra (welfare state). Sofisma? Talvez, embora bem mais fácil engolir…

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