12 Nov

Minha contribuição à “cultura de resistência” na Bienal do Livro

Hoje começa a VIII Bienal Internacional do Livro no Ceará, no Centro de Convenções em Fortaleza. O evento, ao qual pretendo ir, tem até um site na internet - www.bienaldolivro.ce.gov.br. Além do que interessa, os livros, acontecerão debates, palestras, leituras shows e lançamentos literários. De acordo com a programação, a primeira discussão temática da Bienal, marcada para às 14 horas desta quarta-feira, terá como título “Cultura de Resistência e Mudanças Sociais na América Latina”. Para tratar do assunto foram convidados Carlos Bellé (Brasil), João Pedro Stedile (Brasil) e Ricardo Canese (Paraguai), com mediação de Adelaide Gonçalves (Brasil).

Dessa turma, conheço dois. Stedile é o barão do MST que domina vastos espaços do territótio nacional às custas de verbas públicas injetadas em ONG´s que não prestam contas a ninguém. E Adelaide Gonçalves foi minha professora no curso de História na UFC, onde ela conclamava estudantes, em sala de aula, a participar de reuniões de apoio ao então candidato Lula (era o ano de 1993). Isso mesmo, no horário pago pelos contribuintes, utilizando um espaço público, com a autoridade conferida a um professor, ela fazia proselitismo junto a seus alunos. Adelaide é uma intelectual engajada. Pelo visto, continua a mesma.

Resumo da ópera: estão querendo transformar o evento numa espécie de Fórum Internacional Mundial, o famoso encontro que se contrapõe à reunião de Davos, e que nunca foi capaz de elaborar uma solução para qualquer problema. Mas sabem como é, tem gente que não consegue viver sem um opressor pra chamar de seu. Meu conselho amigo: em nome dessa ”cultura de resistência”, fujam desses debates com os previsíveis discursos de sempre, com a velha crítica ao capitalismo e a renovação da fé no mantra da luta de classes como explicação para as mazelas da alma humana. O que os heróis da resistência propõem? A volta do absolutismo monárquico ou a implantação do socialismo, sistema político e econômico fracassado, responsável por um democídio sem precedentes na história da humanidade? Faço esse apelo, companheiros de luta. Corram das mesas redondas e das palestras e dediquem seu precioso tempo aos livros, especialmente aos clássicos da literatura.

Como disse, eu vou à Bienal do Livro. Quero ver se encontro algum desconto para Os Demônios, obra do magistral Dostoiévsk, que serve de antídoto à idéia de que a paixão ideológica pode substituir o escrutínio dos indivíduos. Comigo, não.

PS. Curioso. Ninguém denuncia a ganância da indústria editorial, expoente da dominação cultural da ideologia burguesa… Talvez porque seja constrangedor para os heróis da resistência constatar que o mercado democratizou a leitura.

Uma Resposta para “Minha contribuição à “cultura de resistência” na Bienal do Livro”

  1. Roger Prado escreveu:

    Dos tais que comporão a mesa, conheço somente o Stedile, mas estou quase certo, a julgar pelo que se vê com freqüência, de que todos os outros são, de uma forma ou de outra, signatários da tese da opressão capitalista.
    Se é assim, por que chamam ao encontro de debate? Vão debater o quê? Por que nunca se vê em mesas assim antagonismos que possam ir além de conflitos de métodos para se atingir a verdade iluminada do socialismo, posto que nem se discute mais o mal inerente ao capitalismo, que já é assim um truísmo nos meios acadêmicos? Por que não botam na mesma arena um Stedile e um Demétrio Magnoli, por exemplo?
    Espero um dia não me impressionar mais com esse tipo de coisa e passar a ver tudo somente como um grande freak show.

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