Todo mal tem uma causa
No post anterior falei sobre as malandragens de políticos e a omissão da imprensa em relação às promessas feitas nos orçamentos públicos. Na verdade, tratei de um efeito bem característico do nosso sistema político. Meu amigo Roger Prado, do blog Cafeinado, e uma das mentes mais lúcidas que conheço, chama a atenção para as causas dessa situação de faz-de-conta, onde gestores fingem que governam e eleitores fingem que acreditam. Segue abaixo o comentário de Roger, a quem desde logo agradeço a visita e a colaboração:
Wanderley, uma das causas dessa distância entre teoria e prática na aplicação de recursos previstos em orçamentos vem de outra diferença entre teoria e prática, essa mais abrangente: República Federativa aqui no Brasil é só no papel. Estados e municípios não têm autonomia financeira. O Poder Central é forte, concentra recursos, tudo tem de passar por lá.
Ao contrário do que ocorre em verdadeiras repúblicas federalistas como os Estados Unidos, federalismo aqui passa longe. E arrisco também identificar uma causa para esse má distribuição de poder: o sebastianismo, o personalismo na política brasileira. O brasileiro gosta de um messias, adora ver alguém no altar agitando um cetro divino com poderes mágicos que solucionarão todos os problemas. Tudo deve estar centralizado em uma pessoa com poderes sobrenaturais. Não à-toa tivemos em um espaço de tempo menor que cem anos Getúlio, Collor, Sarney e Lula, políticos hábeis em explorar a imagem de salvadores da pátria.






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Quinta-feira, 13 Novembro, 2008 às 2:22 pm em

