18 Nov

A vitória do politicamente correto. Até contra a lógica e o bom senso

O colégio Ari de Sá aproveitou a eleição de Barack Obama para surfar na onda políticamente correta que se deu durante a campanha presidencial nos EUA (clique na imagem para ampliá-la). A peça, entretanto, talvez na ânsia de produzir boa impressão, acaba por endossar aquilo que originalmente pretendia combater: o preconceito racial. Além do mais, revela um entendimento político superficial, baseado no senso comum, que não combina com uma instituição educacional.

Reparem no texto: “O mundo aplaude a grande vitória. Até contra o preconceito“. A opção pelo advérbio de inclusão “até”, no sentido de mesmo, faz do combate ao preconceito um acessório secundário, em vez de uma prioridade, como deveria ser. Melhor seria um “especialmente contra o preconceito“, ou “principalmente contra o preconceito“, denotando atenção diferenciada ao objeto selecionado.

Mas o pior é a análise política e sócio-histórica embutida no conjunto. Votar em Obama, para um americano, ou torcer por ele em outros países, de forma alguma pode ser tomado como sinal de combate ao preconceito, como insinua a propaganda. Afirmar isso é dizer, por inversão, que os partidários de McCain eram preconceituosos, fato que, evidentemente, é falso. Aliás, uma das preocupações de Obama foi a de não deixar o debate enveredar pelo discurso de divisão racial, chegando a afastar-se de grupos e líderes mais radicais. E afinal, como qualificar os eleitores que simplesmente acreditaram que o republicano tinha uma plataforma de propostas melhor que a de Obama?

Existe aí um fatalismo falso, inadequado para explicar os fatos. A propaganda faz uso do valor simbólico representado pela vitória de Obama, resultado de um avanço processual nas relações sociais daquele país, tomando-o por causa primordial dessa vitória. Fica subentendido que a derrota de Obama seria uma forma de racismo, um absurdo baseado justamente no preconceito de cor invertido.

A prevalecer o raciocínio da peça, uma escola concorrente bem que poderia utilizar a imagem de Louis Hamilton, o negro campeão da Fórmula 1, junto com a frase: “Sempre na frente, até contra o preconceito”. No entanto, imaginar que quem não torce pelo inglês é preconceituoso e apostar na idéia de que a cor foi determinante para a conquista do título é algo que não cola nem entre alunos do ginasial.

O politicamente correto é assim. Joga a lógica no lixo para enaltecer qualquer presunção de bom-mocismo.

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