No site da Assembléia Legislativa do Ceará tem um espaço para notícias produzidas por sua Assessoria de Comunicação. A maioria delas resume propostas e discursos feitos pelo parlamentares da casa e uma em especial me chamou a atenção, relativa a um pronunciamento do deputado Lula Morais, do PC do B. Abaixo transcrevo algumas passagens, seguidas de uma breve análise:
Lula Morais destaca os 25 anos de criação do MST no Brasil
O líder do PCdoB na Assembléia Legislativa, deputado Lula Morais, parabenizou, em pronunciamento feito na sessão desta sexta-feira (06/02), o Movimento dos Sem-Terra (MST) por seus 25 anos de criação.Ele lembrou que a luta do MST em favor da democratização do acesso a terra nasceu justamente durante a Ditadura Militar, quando, em 1984, cerca de 80 trabalhadores rurais de 12 estados se reuniram com líderes políticos e concluíram que a ocupação era uma ferramenta legítima dos trabalhadores. “Essa reunião marca o ponto de partida da concepção. A partir disso, eles saíram com a tarefa de construir um movimento orgânico nacional pela formatação de um novo modelo agrícola”, afirmou.
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Lula Morais considerou a eleição de Fernando Collor de Mello à Presidência em 1989 um retrocesso na luta pela terra e afirmou que a Reforma Agrária anunciada no Governo Sarney não saiu do papel, pois apenas 90 mil famílias foram assentadas, número correspondente a 6% do prometido. “Collor era declaradamente contra a Reforma. Foram tempos de repressão, assassinatos e prisões arbitrárias”, recordou.
No tocante aos oito anos de administração FHC, o líder do PCdoB pontuou que o Brasil sofreu com o neoliberalismo do PSDB e isso, segundo ele, gerou graves danos ao setor rural e fez crescer a pobreza e o êxodo para os grandes centros urbanos.
Já a eleição de Lula representou, conforme o comunista, muita expectativa para a população “porque foi uma derrota da classe dominante”. Porém, ele admitiu que a vitória do petista não foi suficiente para gerar mudanças significativas na estrutura fundiária, no modelo agrícola e no modelo econômico. “
É difícil comentar o discurso de Lula Morais sem utilizar um adjetivo que o deprecie. É constrangedor ver um deputado eleito nos moldes do Estado Democrático de Direito e da democracia representativa defender a agressão à Constituição, incentivando a prática de justiçamento social e do voluntarismo bandido. Pelo menos é o que se entende ao ler o texto acima. Destaquei alguns pontos em negrito.
Vejam que Lula Morais, no primeiro parágrafo, acha extremamente justo que 80 gatos pingados decidam que as leis que garantem a propriedade privada não valem e que por isso o uso ilegal da força para agredir terceiros – eufemisticamente chamada de “ocupação” – é válido. De repente, se esses oitenta considerarem que as escolas particulares não podem ser instituições a serviço da elite, roubando os melhores recursos do ensino e pervertendo crianças com a ideologia burguesa, Lula Morais ache certo invadirem a escola de propriedade, sei lá, do petista Guilherme Sampaio. E quem discordar será tachado de reacionário.
Em seguida, Lula Morais critica Collor, Sarney e FHC, para em seguida enaltecer Lula da Silva. O deputado comunista, cheio de pudor ideológico e de classe, esquece (ou oculta) que Collor e Sarney fazem parte da base aliada. Lula Morais é aliado, portanto, daqueles que critica pelas costas. Sarney, inclusive, foi eleito presidente do Senado com o apoio de Lula e com ajuda do velho fisiologismo de guerra. Lula Morais pode solicitar ao seu correligionário, o senador Inácio Arruda, que faça uma moção de repúdio contra a eleição desse inimigo da reforma agrária que é o Sarney. Desconfio que falta a ambos coragem para dizer o mínimo que seja na frente do oligarca maranhense amigão de Lula.
Lula Morais também não diz que FHC desapropriou mais terras do que Lula, embora o MST alivie a barra do petista. No final, o deputado não pode dizer que Lula resolveu a questão, pois isso significaria dizer que o MST não precisaria mais existir, consumindo milhões em recursos públicos e praticando seus crimes.
PS. Quem achar que o MST é comandado por agricultores desvalidos que apenas sonham um pedaço de chão, favor ler a matéria abaixo indicada, da revista Veja, baseada em FARTA DOCUMENTAÇÃO recolhida pelo MP gaúcho. Assaltos, violência, baderna, proselitismo partidário, ameaças, projeto de revolução armada, incentivo ao genocídio de classe, tudo isso faz parte das atividades desses seres angelicais do MST.
Como roubar, fraudar cadastros do governo e até fabricar bombas e trincheiras – está tudo na cartilha secreta do MST apreendida pela polícia.