Quem lembra do cartão corporativo? E da fatura?
Sabem como é. O ritmo de escândalos é de tal sorte intenso, desde o mensalão, que fica difícil acompanhar os casos. Quem me lê a mais tempo sabe a minha projeção:uma média de um escândalo a cada 15 dias ocupando o noticiário. Para os envolvidos, basta um sumiço temporário para depois voltar, acusando ter sido perseguido por – isso é invariável – conspiração da mídia golpista. O mais intessante é ver como boa parte dos jornalistas (com 0u sem diploma) aceitam a tese que os desmoraliza.
O DN deste domingo trouxe uma pequena matéria, que na verdade é uma simples e evidente constatação, sobre a qual não emite juízo de valor, como convém fazer:
Cartões corporativos: caso não tem conclusão
A investigação sobre uso dos cartões corporativos está demonstrando a lentidão no trâmite das ações
Ainda não há, por parte do Ministério Público, qualquer resultado quanto a análise de uso de cartões corporativos por integrantes do Governo do Estado e da Prefeitura de Fortaleza. Iniciada em janeiro do ano passado, a investigação ainda está em andamento e deve se estender ainda até o próximo mês de agosto.
A informação é da promotora de justiça de defesa do patrimônio público, Elaine Maciel, que está responsável pela investigação. (Para ler matéria completa, clique aqui).
Para quem não lembra, a prefeita Luizianne Lins (PT), durante a campanha para sua reeleição, indagada sobre os gastos do seu cartão corporativo, desafiada por seus oponentes a mostrar com transparência o extrato referente a esses gastos, tergiversou e disse que prestaria contas apenas “a quem de direito”. Pelo visto, não é bem assim e tudo permanece em segredo.
Aqui no blog, um espaço essencialmente opinativo, não há problema em fazer juízos de valor, desde que embasados, e em levantar hipóteses. Sobre tudo isso, então, cabe dizer: há um pavor na Prefeitura de apresentar esses gastos. Em um dos anos – isso apurei – o valor chega a 60 mil reais. Nada escandaloso. Mas dado que o Cartão Corporativo é destinado para gastos emergenciais, cabe supor que tamanha resistência com a transparência tem o propósito de esconder não quanto, mas o que foi comprado.
Estou errado? É ilação? Pode ser. Posso estar. Mas esse é o preço que autoridades pagam quando não são capazes de fazer uma simples prestação de contas. Assim, se – e enfatizo a condicional – tudo é limpo e correto, que se mostre logo a fatura, sem precisar esperar pelo modorrento MP cearense.
1 Comentário
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By Everardo Ferreira, 26/06/2009 @ 9:19
Os gastos do cartão corporativo devem ser rigorosamente controlados, pois são feitos com dinheiro público. Mas há que ter alguma regra, restringindo esse controle aos princípios constitucionais da moralidade e, especialmente, da legalidade (além do da transpar~encia). Uma ex-ministra (perseguida pelo racismo velado) foi ridicularizada por ter comprado uma tapioca, quando poderia ter comprado um jantar em restaurante de luxo. Não houve nenhuma ilegalidade nem inoralidade, mas ela foi ridicularizada no processo de desgaste da sua imagem muito mais por essa “técnica”.
È tudo uma questão simples: se os gastos não forem aprovados pelo Tribunal de Contas, vamos ridicularizá-los previamente! Como você mesmo diz, nâo importa saber o quanto, mas o “quê” foi comprado.