Candidata Dilma, falar em herança maldita no segundo mandato é confissão de incompetência!
Dia corrido, muito trabalho e notícias isentas repletas de conveniências. Segue em vermelho uma dessas, seguida de breve comentário meu. Mas antes, vale lembrar que o jornalista norte-americano Gay Talese, 77 anos, referência na área e sem diploma (ui), reclama de que os novos jornalistas confiam demasiadamente nas autoridades. Concordo. Vejam o caso abaixo. Uma ministra fala o que dá na telha, sem compromisso algum com os fatos, sem comprovar as acusações que faz, mesmo que a realidade se imponha contra o discurso. Confira:
Agência Estado – Dilma: PAC demorou porque governo não herdou projetos - A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reafirmou hoje que o governo Lula não herdou projetos do antecessor e “teve que trocar a roda do carro com ele andando”. Dilma disse que o governo dedicou o ano de 2007 para “produzir papel”, numa referência à elaboração de projetos para as obras de infraestrutura previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Wanfil
Como candidata em campanha, Dilma Rousseff continua uma grande assaltante de bancos (é amigos, ela fazia isso na juventude, mas era, como se diz em certos círculos, pela “causa”). Poucas vezes pude ver um discurso tão frágil, carente de uma estrutura argumentativa sólida. As contradições da fala de Dilma correspondem, no campo da retórica, ao buracos nas ruas da administração Luizianne Lins em Fortaleza. Se a eleição da ex-guerrilheira depender de sua eloquência, haja marqueteiro. Vamos ao ponto.
Se a DEMORA do PAC é culpa dos governos anteriores, que não deixaram projetos para o atual governo, é lícito concluir que aquilo que não demora e que dá certo é mérito também do governo passado, que, seguindo o critério de análise de Dilma, deve ter deixado os projetos prontos. De certa forma, vendo o que deu mais ou menos certo neste governo – a política econômica – não deixa de ser uma verdade, ainda que não fosse essa a intenção da ministra.
Quando alega que a falta de projetos do governo passado é a causa da demora do PAC, Dilma contrata um duplo problema: 1) o governo passado do atual governo é o próprio governo Lula, que foi reeleito. Como o PAC foi lançado em 2007 e Lula assumiu em 2003, foram CINCO anos para que projetos fossem elaborados. Dilma, assim, confessa a incompetência de seu próprio padrinho; 2) a fala mostra o que será o discurso do petismo pós-Lula no poder: deixamos projetos para o sucessor! Como se isso fosse um grande feito.
Ah! Engolir essa cascata de falta de projetos é subserviência grossa. Sim, Dilma afirma que o governo não herdou projetos, enquanto percorre o país se gabando da Transnordestina, do Porto do Pecém e do Metrofor. Como se fossem criações, sei lá, do PAC. O jornalismo que não se rende a agenda da candidata é tomado por golpista. Bom jornalismo, aquele devidamente praticado por diplomados, não deve misturar as coisas e começar a fazer perguntas embaraçosas.
Dado que o padrão Lula de – digamos assim – manifestação intelectual é o que é, pensando bem, tanto faz as besteiras que Dilma diz. Como bem alerta o jornalista Themístocles de Castro, quem distribui dinheiro jamais será impopular ou perderá eleição. É isso o que Dilma vai prometer continuar. Que se danem os projetos.
1 Comentário
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By Everardo Ferreira, 26/06/2009 @ 6:24
Wanfil gostaria de fazer umas pequenas observações.
Primeira, o PAC, é programa de ACELERAÇÃO. Está claro que a estratégia do PAC foi levantar tudo o que estava em andamento, ou parado, ou abandonado, apenas planejado ou apenas iniciado, confrontado com os recursos disponíveis dentro de um horizonte de planejamento, para estabelecimento de prioridades. Esse é o esqueleto do programa. Ele, o programa estratégico de aceleração, foi lançado, mas grande parte dos seus componentes (como o Metrofor, por exemplo), não são novos.
O governo anterior é o do PSDB, de FHC, que fique claro. Vendeu quase todo o patrimônio público, colocou o endividamento do país em 54% do PIB e nos deixou sob permanente subordinação aos banqueiros internacionais.
E o Dr. Temístocles não é a favor das liberdade que você prega. Esteve sempre contra as liberdade civis (que ele chama de baderna), a favor dos ditadores de plantão.