Se a pobreza diminuiu, por que o Bolsa Família não para de crescer?
O ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, afirmou hoje (25) que o Bolsa Família não é assistencialista, pois existem projetos para os beneficiários do programa destinados à capacitação, qualificação e inserção dessas pessoas no mercado de trabalho, aproveitando especialmente as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Em seguida o ministro falou sobre o aumento dos recursos aplicados anualmente no Bolsa Família, que neste ano será de R$ 32 bilhões, quase um terço a mais que em 2008. As informações estão no site da Agência Brasil.
Dúvida
Se o Bolsa Família tem diminuído a pobreza no país, como dizem por aí, por que os gastos com ele aumentam ano após ano? E notadamente em anos eleitorais? Patrus Ananias alegaria que não é fácil corrigir 500 anos de injustiças (como se para os antecessores fosse), ou que “nunca antes nesse´houve um programa de transferência de renda como este”, mas nada disso responderia a pergunta. Ou a pobreza aumentou, elevando os custos do Bolsa Família, ou ele não é eficiente como o governo apregoa, ou, o que acredito ser mais provável, ele é um programa sem metas, um ativo eleitoral sem critérios técnicos bem definidos e sem fiscalização, ou seja, assistencialismo puro.
Nota. Essa conversa de que o PAC é a porta de saída para os beneficiários do Bolsa Família foi uma das maiores cascatas que eu já ouvi na vida. Primeiro, o PAC não existe; segundo, o Bolsa Família não visa emancipar ninguém, pelo contrário, deseja mesmo é tutelar os eleitores mais pobres.
5 Comentários
Other Links to this Post
Feed RSS dos comentários deste post. TrackBack URI
By Everardo Ferreira, 26/06/2009 @ 5:55
Wanfil, bom dia!
O Bolsa Família pode ser visto também como um programa macroeconômico, pelo qual uma enorme faixa populacional é inserida no chamado “mercado”. Estima-se que esse mercado interno brasileiro formado por consumidores pobres é superior a toda a economia argentina e é graças a esses reflexos econômicos positivos que pode e deve financiado o Bolsa Família, com os recursos adicionais decorrentes do próprio programa que ampliou o mercado. Essa visão está confirmada nos números do IBGE e nos de muitos setores da indústria, que começam a prestar atenção ao novo e gigantesco mercado interno do país, especialmente o de bens duráveis e de eletro-eletrônico, construção civil, vestuário e alimentação.
Considerando um PIB próximo a US 1 trilhão, um “investimento”, ou uma injeção na economia popular na ordem de 3% (os 32 bi que você menciona) com os impactos positivos evidentes, são, antes de tudo, além de insignificantes, uma política econômica também correta. Não são, portanto, Wanfil, mero assistencialismo, como os programas de previdência mantidos pelas chamadas grandes economias, que estão quebrando os países ricos e fazendo rever a tal “liberdade” de mercado e os fundamentos do capitalismo
By Everardo Ferreira, 26/06/2009 @ 6:05
Quanto ao PAC ser uma porta de saída para o Bolsa Família, é necessário compreender que o PAC é um plano estratégico, que reúne todas as possibilidades materiais possíveis do país na direção de um elenco de ações coerentes com uma política macroeconômica e social de curto, médio e longo prazo. Não é uma metodologia eleitoreira criada no governo Lula (que, no entanto tira dele vantagens eleitorais, o que é justo e correto) E, concentrando racionalmente os recursos na direção correta, se eleva a possibilidade de que eles se multipliquem e os pobres assistidos comecem a ser mais produtivos, como o IBGE está apontando e as entidades internacionais mais respeitadas estão reconhecendo.
By Wanfil, 26/06/2009 @ 6:12
Everardo, cite, de bate-pronto, 3 obras do PAC no Ceará. Aceito fotos. Mas tem que ter começado no governo Lula e ter sido concluída.
Valeu.
By Henrique Lima, 27/06/2009 @ 8:32
Mudando um pouco de assuto, sabendo que o estimado amigo Wandeley Filho mora em Fortaleza, assim como eu.
Sobre o Irã: cadê aquele pessoal que picha os muros, principalmente ali na av. João Pessoa, com os seguintes dizeres, “Fora de Gaza Israel”? Por que não tem: “Fora do Irã Ahmadinejad”?
Morrem todos os dias pessoas que protestam contra a lambança eleitoral, onde quem manda é um “religioso” chamado Ali Khamenei. Isso mesmo! Tudo o que os “pacifistas” esquerdistas “odeiam”, um Estado não laico, com interferências religiosas. Cadê vcs seus monstros ocidentais que odeiam a própria casa?!! Que espécie de doença mental ideológica tem vcs, para que amem ditaduras dos outros??!!
Cadê as pichações contra a tirania iraniana religiosa nas paredes da cidade??!! Por quê crucificaram o arcebispo de Recife por cumprir ondens do Vaticano contra o aborto naquele recente caso??!!
Talvez esses esquerdistas possam explicar! Afinal eles admiram e defendem esse tipo de pessoa…não sei se por higenuidade ou se são remunerados pra esse tipo de coisa…
Não estou falando de política e sim de princípios, coisa que vcs não sabem o que é…
By Everardo Ferreira, 02/07/2009 @ 7:02
Meu caro Henrique Lima. Fantástico o seu “malabarismo intelectual”. Conseguir estabelecer uma relação de semelhanças entre a presença de Israel na Faixa de Gaza e do Ahmadinejad na presidência do Irã é uma façanha.
Acho que a lógica do raciocínio (a parte inconfessa) seria: substitua o governo do Irã por uma marionete e transformem-no em uma nova Israel. Já temos o Iraque…
O problema, Henrique, é que o patrão EUA não tem mais como subsidiar nem mesmo Israel. Está faltando recursos para manter Guantánamo. Imagine! Querem devolver o Iraque pois não podem mais arcar com os seus gastos.
Mas, quando você colocou o arcebispo do Recife no negócio. Aí eu me perdi. Seria talvez para o lugar do Ali Kahamenei?
As minhas deduções são também de “princípios”.