Parada Gay 2009: buraco bom é buraco fechado!
Cheguei ao texto que reproduzo logo mais abaixo via Twitter do mordaz Norton Lima Júnior. Vejam como a situação de Luizianne Lins está complicada. Assim como Marta Suplicy em São Paulo, a prefeita de Fortaleza transita com desenvoltura no que se convencionou chamar de movimento gay. Há uma certa, digamos assim, identidade entre ambos, sempre comentada nos bastidores políticos de forma muito restrita. Mas essa ligação não impediu que Luizianne fosse exposta ao constrangimento de ser cobrada, publicamente, pela situação das vias esburacadas da capital cearense. É que alguns gays, que provavelmente não fazem parte da organização do evento, não são – com o perdão do trocadilho – passivos, quando o assunto é gestão pública.
Costumo dizer que os gays não merecem o movimento gay que possuem, por dois motivos. Primeiro, a estratégia de chocar, apelando, não raro, a um tipo de escracho de gosto estético duvidoso, que invés de altivar a imagem do homossexual, acaba por rebaixá-la a uma mera expressão de sensualidade. Vale dizer: fala mais de prazer sexual e menos, muito menos, de sentimento. Erro que também é comum aos heterossexuais, com a diferença que estes não fazem paradas. Segundo, a ligação do movimento com agendas político-partidárias, o que, sempre, limita a legitimidade da causa. A cobrança por respeito e tolerância não pode estar submetida ao crivo eleitoral ou partidário de grupos políticos. Tenho, portanto, preconceito sim, não contra o homossexualismo, mas contra o aparelhamento daquilo o que deveria ser uma expressão livre de amarras políticas, afinal, existem gays com variadas opções ideológicas. De certa forma, ir a uma parada gay é ir a um comício do PT. Esse atrelamento automático é injusto com os próprios gays, que parecem assim dependentes de uma força exterior a eles mesmos.
Segue abaixo texto extraído do blog da Para Gay 2009:
Prefeita Luizianne Lins discursa na Parada Gay de Fortaleza
Mitchelle Meira, da Coordenadoria da Diversidade Sexual, foi quem fez as honras da casa: “Gostaria de chamar a nossa prefeita Luizianne Lins!“. O público foi ao delírio, em meio a alguns gritos de protesto: “Luizianne, vai fechar os buracos da cidade!”. Mesmo com as críticas, a prefeita foi bastante aplaudida.
À multidão, Luizianne Lins falou: “Estou muito feliz de participar desse momento tão especial para a comunidade gay do Estado do Ceará. Nosso governo tem como uma das metas a luta contra a homofobia em nossa cidade. Em 1999, éramos apenas 300 pessoas e hoje somos quase 1 milhão que invadem a Av. Beira Mar. Isso é uma vitória de todos nós”. Quem estava à frente do trio emocionou-se.
Mitchelle Meira é um exemplo no que dá confundir grupo civil com partido político. Nas últimas eleições ela foi candidata a vereadora pelo PT. E nisso não há nada de errado. Mas como coordenadora do evento, fica aquela impressão de que celebrar a presença da prefeita correligionária é uma forma de tentar convergir a simpatia pela causa – a luta contra o preconceito – com o desejo de Luizianne de re-encontrar a popularidade perdida.
Fizeram muito bem os gays que aproveitaram o momento de luta em defesa da diversidade sexual para cobrar que a prefeita mostre serviço. Foi o partido dela quem misturou as coisas primeiro.
1 Comentário
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By nortonlimajr, 29/06/2009 @ 8:01
e a desapropriação do marina park? nossa lora é petista cinco estrelas…