Exploradores de neurônios
Segue abaixo trecho do comentário que recebi de um leitor pelo Paul Singer não tem vergonha. É o homem certo no lugar certo. Seu conteúdo constitui um exemplo bem acabado de como a educação brasileira, focada exclusivamente na adoração de surrados paradigmas marxistas, prende suas vítimas lá nos calabouços do pensamento político do século 19. Retomo em seguida.
Acho importante quando os interesses de classe são especificados de forma sincera, como esse texto se coloca. O Sr. Paul Singer deveria ser mais respeitado pela sua vida intelectual, sempre se contrapondo ao Modo Capitalista de Produção e seu famigerado sistema de relações de trabalho. Que desde a revolução industrial (sic), impôs aos trabalhadores e trabalhadoras (sic) a lógica da exploração como condição única de existência:
*os patrões mandam, os trabalhadores executam
*os patrões acumulam, os trabalhadores são expropriados
*os patrões acumulam e os recursos naturais expropriados (sic).
O começo até parece um elogio, mas não passa de uma tentativa de desqulificar minha argumentação com mera rotulação. É o máximo que um esquerdista médio pode alcançar em um debate. O leitor me acusa de estar a serviço de interesses de classe que, pelo critério dele, seriam moralmente indefensáveis. De um lado os bons, que são contra a exploração; de outro, os maus, que apostam na miséria dos outros. É a pedagogia do oprimido burro. O que o estudante brasileiro entende por direita corresponde ao que a esquerda acha da direita.
Em seguida, o coitado, que aprendeu na escola que a teoria da exploração de Marx é um advento da natureza, como a Lei da Gravidade, acaba por misturar alhos com bugalhos. Quando ele fala em EXPROPRIAÇÃO, na verdade quer falar em EXPLORAÇÃO. São coisas distintas. Expropriar é transformar a propriedade privada em propriedade coletiva (é um eufemismo para roubo). Explorar é que significa lucrar com o trabalho alheio.
Mas mesmo esse conceito de exploração não pode ser tomado como uma verdade incontestável. O próprio Marx morreu sem conseguir equacionar um problema crucial para o seu pensamento. Por isso ele não publicou o terceiro volume de O Capital.
A exploração, para Marx, podia ser comprovada pela mais-valia, que é o número de horas que o trabalhador é obrigado a cumprir para gerar lucro. Quanto mais horas na linha de produção, maior a exploração e maior o lucro do capitalista. Mas acontece que no final do século 19, a jornada de trabalho na Inglaterra foi reduzida para oito horas diárias – antes era brutal, coisa de 16, 18 horas por dia. No entanto, isso ninguém fala nas salas de aula, mesmo com a redução da mais-valia os lucros aumentaram, provando que a Teoria da Exploração de Marx era furada. Só no Brasil (talvez em Cuba) é que ela ainda é levada a sério.
A relação entre tempo e exploração só é verificável mesmo é no processo educacional brasileiro, que, em nome da doutrinação política, troca neurônios por fidelidade ideológica.
PS. A própria tese de Acumulação Primitiva do marxismo é bem questionável, uma vez que não existe modo de produção que prescinda de investimento inicial para executar uma produção. Mas isso fica para outro texto.