Ciro Gomes é o Benjamin Button da política
Ciro Gomes (PSB-CE) voltou a ser notícia em todo o país por causa de suas declarações polêmicas. Indagado sobre as especulações a respeito de uma candidatura ao governo de São Paulo, Ciro afirmou ontem que uma eventual aliança com o colega Paulo Maluf (PP-SP) não afetaria “a hegemonia moral e intelectual” de sua aliança. Em seguida, citou o cientista político italiano Antonio Gramsci: “Faço aliança até com Satanás se for para fazer a obra de Deus“.
DivãComeço a desconfiar que Ciro Gomes é um case para estudos psicológicos. O avançar da idade não confere a prudência e o juízo típico da maturidade. Ciro é uma espécie de Benjamin Button da política. No filme estrelado por Brad Pitt, o personagem título nasce velho e rejuvenesce com o passar tempo. A graça da trama é que isso acontece apenas fisicamente. Button, quanto mais moço por fora, mais velho é por dentro. Ciro, às vezes, parece percorrer o mesmo caminho, mas com o sinal invertido. Os anos correm e o nosso ex-governador envelhece por fora, mas age como adolescente. Com o passar do tempo ele fica cada vez mais infantil, por dentro. Infantil no sentido de impulsivo e inconsequente. Pelo menos politicamente.
Imprudência
Dito isso, vamos ao ponto. Se Ciro afirma que não decidiu se será candidato ao governo paulista ao a presidente do Brasil, não haveria motivo para adiantar eventuais composições para as eleições. Especialmente Paulo Maluf, figura cuja imagem é associada a corrupção. Poderia ter dito: “Prefiro não falar sobre alianças agora, até porque eu ainda não sou candidato. Isso fica para o partido decidir”. Estaria em evidência, mas sem se enrolar.
MoralNo entanto, Ciro não resistiu à tentação de mostrar que é inteligente e parecer sofisticado. E citou Gramsci, para mostrar que é um esquerdista sofisticado. Em termos de gramscismo, Ciro não chega nem perto de FHC e de José Dirceu. Essa hegemonia moral que ele cita não é a moral cristã que muitos podem imaginar. É a moral revolucionária do comunismo. Essa é a moral segundo a qual matar um ser humano não é pecado, desde que ele seja burguês e não seja adepto da causa socialista. Fidel e seus admiradores sabem do que falo. Nesse caso, eliminar o maldito é um dever moral. Não sou eu quem diz isso. É Gramsci! A consciência do indivíduo é a consciência do partido. E o único interesse que importa é a revolução.
Taí onde Ciro chegou. Por isso não tem vergonha de afirmar que a obra de Deus pode precisar do satanás. Por isso não tem pudor ao cogitar aliança com Maluf ou mesmo de andar na companhia de mensaleiros aqui no Ceará.