Na tormenta com Sarney – ou O Cavaleiro da Desesperança
Artigo publicado no jornal O Estado
“É importante que o Senado esteja sendo dirigido, neste momento, pelo presidente José Sarney, porque, em meio à tormenta, precisamos de gente que tenha coragem de enfrentar as tormentas. Tem gente que não tem, afrouxa na primeira. Sarney é um homem que defendeu a democracia no Brasil, é importante ressaltar esse aspecto numa hora como a que estamos vivendo”.
Foi com essas tocantes palavras de solidariedade que o representante cearense, senador Inácio Francisco de Assis Nunes Arruda, do PC do B, iniciou um pronunciamento no Senado Federal, dia 30 de junho passado, por ocasião de uma importantíssima sessão em homenagem ao quinquagésimo aniversário da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil. A íntegra pode ser conferida no site www.senado.gov.br. (Ver transcrição original aqui).
Houve um tempo em que os comunistas sonhavam em instalar a ditadura do proletariado, que na verdade, como prova a História, não passa de uma ditadura como outra qualquer, comandada por burocratas do partido. Agora, os representantes dessa ideologia, pelo menos os seus líderes no Brasil, se contentam lutar por uma democracia que tem Sarney como sua personificação.
No fundo, apesar das aparências, não há nisso contradição alguma, pelo contrário. Luís Carlos Prestes, ídolo e exemplo dos comunistas brasileiros, passou a vida lutando contra Getúlio Vargas, seu inimigo. Preso com a mulher Olga Benário em 1936, Prestes amargou nove anos de cadeia, enquanto Olga foi entregue aos nazistas e executada em 1942, a mando de Getúlio. Ainda no cárcere, seguindo a orientação de Moscou, o “Cavaleiro da Esperança” passou a apoiar o regime ditatorial de Getúlio, para que este apoiasse os Aliados contra o Eixo. Pelos serviços, o revolucionário foi anistiado em 1945.
Prestes deve ser o modelo a inspirar Inácio. As convicções pessoais (inegável expressão do individualismo) e os pudores da moral burguesa devem ser deixados de lado diante das conveniências políticas da “causa”. Agora, em vez de Moscou, é Lula quem ordena aos comunistas uma aliança com velhos oligarcas. As palavras do presidente, ditas na última terça-feira (14) em Alagoas, não deixam dúvidas: “Quero fazer Justiça ao senador Collor e ao senador Renan, que têm dado sustentação ao governo em seu trabalho no Senado”. Curiosamente, todos esses acusam a imprensa de denuncismo.
Somente a disciplina de um genuíno militante comunista pode fazer alguém defender o indefensável e ainda posar de justiceiro de consciência limpa. No entanto, é preciso reconhecer que Inácio tem coragem de se expor para agradar ao comando. Seus correligionários no Ceará, o deputado federal Chico Lopes e o deputado estadual Lula Morais, pouco ou nada falam sobre o caso, certamente para se preservarem. Ou será que eles também estão ao lado de Sarney, Jader Barbalho, Renan e Collor?
PS. Foi com essa disposição “democrática” que o senador Inácio Arruda conquistou o direito de compor o Conselho de Ética do Senado. Nada mais justo.
2 Comentários
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By Everardo Ferreira, 16/07/2009 @ 7:30
Sarney é uma das raposas mais espertas da política brasileira. Conhece tudo com a palma da mão e tem, infelizmente, o controle de algumas instituições, inclusive influências sobre ministros do STF, do TCU e sobre parlamentares das duas câmaras. Não podemos concordar com as suas práticas oligarcas. Mas, tem algumas qualidades que neste momento são importantes. É prudente, experiente e moderador. Para quem não quer crise institucional, está de bom tamanho. Isso não significa concordar com ele. Da mesma forma, Collor e Renan (que se disse abandonado por Lula na crise que o derrubou da presidência do Senado) poderiam estar entrincheirados com os golpistas do PFL/DEM, mas não estão e o Presidente está certo em reconhecer.
By Gusta, 16/07/2009 @ 17:21
Ajude-nos a divulgar a petição online “Fora Sarney”.
Exemplo de post: http://alertabrasil.blogspot.com/2009/07/assinem-e-repassem-aos-amigos.html
Endereço da petição:http://www.petitiononline.com/gosarney/petition.html
Obrigada.