Lula dá lição sobre caixa 2

Lula é um homem de convicções. Em passado recente, quando na oposição, tinha convicção ao chamar Sarney de “grande ladrão da Nova República”, entre outros mimos (ver vídeo no post anterior). Hoje, eleito presidente, ele tem convicção que Sarney presta grandes serviços à democracia brasileira. Por isso, diante das novas suspeitas de que ele seja ladrão, Lula defende seu aliado, afirmando que ele ”não pode ser tratado como uma pessoa comum”.

Agora vejam as mais novas convicções de Lula, segundo noticia a Agência Estado:

Lula defende bancos públicos e critica privatizações
“Na verdade, jogou-se em cima dos bancos a irresponsabilidade dos governantes que gerenciavam esse banco ou que muitas vezes utilizavam esse banco para fazer, quem sabe, os caixas 2 da vida em época de campanha eleitoral”, disse, sem citar nenhuma instituição específica. “E, por conta disso, todos os bancos públicos estavam quebrados”, afirmou, ao criticar a onda de privatizações ocorrida há cerca de dez anos.

“Ô Wanderley! O Lula sempre foi contra as privatizações. Isso você não pode negar!”, diria o leitor petista. Acontece que não é bem assim. Lembram do Banco do Estado do Ceará, o BEC? Pois é. O banco público foi federalizado pelos tucanos, mas foi PRIVATIZADO mesmo pelo governo do senhor Lula da Silva, que o vendeu ao Bradesco. Na época, no final de 2005, o então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, dizia que bancos estaduais serviam apenas para fomentar a corrupção.

Pelo visto, a convicção de Lula sobre a privatização de bancos públicos era uma até 2004, mudou em 2005, mas depois mudou de novo em 2009.

Muitos gostam de ver nessa postura dúbia uma espécie de sagacidade inocente e desafiadora. Alguns evocam os ensinamentos de Sartre e dizem que é preciso sujar as mãos para governar. Curiosamente, para certo admiradores de Lula, essa regra só vale para ele. Outros, incansáveis na busca de justificar a safadeza, afirmam que essas idas e vindas, as novas alianças com Renan, Sarney, Collor, Maluf, Jáder Barbalho e outras pessoas que não são comuns, que tudo isso é um “processo dialético”, o truque retórico mais vagabundo das ciências humanas.

As convicções dessa turma mudam ao sabor das conveniências. O problema é que, com o tempo, a coisa vai piorando. Assim, Lula, líder máximo do partido que patrocinou o mensalão, cujo tesoureiro nacional veio a público confessar operar a campanha do chefão com “recursos não contabilizados”, não tem vergonha de voltar a falar de caixa 2 para dar lições nos outros.

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