Partidos Políticos – 2ª parte
Artigo publicado no jornal O Estado
No artigo anterior abordei a fragilidade do sistema partidário brasileiro. Por se tratar de um modelo recente, com apenas 30 anos, as siglas procuram discursos e testam práticas, tateando no escuro, procurando consolidar uma identidade perante o eleitorado.
Além da imaturidade institucional, os partidos convivem com velhos vícios próprios de uma cultura personalista, populista e clientelista.
Não bastassem essas características, ainda há, digamos assim, o paradoxo da esquerda europeia, que após a queda do Muro de Berlim perdeu a capacidade de formular alternativas econômicas ao capitalismo financeiro. Fenômeno que fez os partidos adotarem discursos semelhantes na área, distinguindo-se mais no aspecto cultural.
No Brasil, o quadro incipiente é relativamente simples. As maiores forças momento, capazes de lançar candidatos competitivos para comandar o país, são PSDB e PT.
O PSDB é um partido de base parlamentar, criado a partir de um racha no PMDB. Com efeito, essa gênese de gabinete dificultou uma maior interlocução com os setores organizados da sociedade civil. Do ponto de vista ideológico, a agremiação tem um bom corpo doutrinário, mas seus militantes o desconhecem. Carece de unidade operacional.
O PT é de longe a sigla mais poderosa, influente e rica do país. Seu comando é dividido entre sindicalistas e intelectuais de esquerda, alguns radicais. Menos influente, ainda há uma ala ligada à Teologia da Libertação. Por duas décadas o PT encenou a maior farsa política do país, segundo a qual seus líderes teriam o monopólio da ética pública. O mensalão de Dirceu e o caixa 2 de Delúbio desmontaram essa idealização.
O PMDB, já virou clichê, é uma colcha de retalhos composta de interesses regionais, incapaz de construir um plano nacional. O PC do B é um cadáver adiado, dependente de um ou dois parlamentares. Vive de aparelhar o movimento estudantil. O PSB e o PDT apenas orbitam o petismo. O PPS se resume a Roberto Freire. O resto é sigla de aluguel. O PV, por enquanto, é uma promessa. O DEM não tem coragem de assumir o espaço entre o eleitorado mais à direita.
Dessa geleia geral temos o seguinte panorama: os partidos, em sua maioria, para agradar formadores de opinião, adotam discursos parecidos. Lula já constatou que as próximas eleições serão disputadas apenas por candidatos de esquerda. Romper com essa assimetria ideológico-oportunista hoje é o maior desafio do sistema político nacional.