Obras, festas e eleições

Artigo publicado originalmente no jornal O Estado

Uma rápida olhada no noticiário político no final de 2009 e no início de 2010 basta para que possamos fazer uma boa projeção para os próximos meses. É só combinar as partes para obter a conjuntura que marcará o ano eleitoral.

O Ministério do Turismo virou o campeão das emendas individuais de deputados e senadores no Orçamento Geral da União para 2010, deixando o Ministério da Saúde apenas em 4º lugar nesse ranking de atração orçamentária. Qual a explicação? Simples. A Pasta do Turismo possui uma verba destinada a financiar eventos festivos, que dispensa licitação e é paga até dois meses após sua autorização. É dinheiro rápido e sem burocracia (e controle) para as festas que fazem a alegria de milhares de eleitores.

O Tribunal de Contas da União pede na Justiça que o governo do Ceará devolva dinheiro aos cofres federais por causa de irregularidades nas obras do Metrofor. O custo inicial para o empreendimento, que deveria ter sido concluído em 2002, quadruplicou.

O TCU também desconfia de superfaturamento de preço e erros graves no projeto inicial de outra obra que se arrasta: o Hospital da Mulher, em Fortaleza. Promessa de campanha ainda para o primeiro mandato da prefeita Luizianne Lins (PT), parte da construção apresentou problemas estruturais e de projeto, devidamente constatados pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) no final do ano passado.

Existem, é claro, as notícias alvissareiras, como a que informa que Fortaleza pode ser a cidade mais beneficiada com royalties do pré-sal. Se somarmos ainda recursos milionários que virão (quem ainda não decorou?) com a refinaria, a siderúrgica e o aquário, além tudo o que será feito para a Copa de 2014, o futuro já está garantido.

No presente, entretanto, o que resta é isso: construções inconclusas, algumas motivos de investigação; festas caras e inúteis na capital e no interior; e promessas de novos amanhãs que nunca chegam. Pelo visto, para obter sucesso em ano eleitoral não é preciso muito mais que alguns tijolos num canteiro de obras, uma banda de forró e muita cara de pau para prometer novamente o que já deveria ter sido feito nos últimos anos.

1 Comentário

  • By Hugo, 09/01/2010 @ 12:25

    Me impressiona a cara de pau da turma do social. Falo somente na turma do social pois todos nós já fomos ensinados que a ”direita”(se existisse por aqui…) é do mal. Então vamos falar da ”turma do bem”: Ainda não consigo ver nada de bom, turma do social, exceto MUITA CARA DE PAU! TRISTE!

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