Category: América Latina

Veja lista dos 64 presos políticos que seguem em poder do regime castrista

Do site do Estadão (no post abaixo, vejam a foto dos humanistas cearenses que apoiam esse regime):

A reportagem do Estado obteve a lista dos 64 presos políticos que continuam detidos pelo regime cubano. A maior parte destes dissidentes foi presa em 2003 em uma onda de repressão desencadeada pelo regime de Fidel Castro. As penas variam entre 10 e 27 anos. Leia na edição do Estado desta quarta-feira, 17, a matéria completa sobre os ativistas detidos.

À época, eles foram acusados de trair a pátria a serviço dos EUA. A lista foi divulgada pela ilegal, porém tolerada, Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, ligada à oposição.

1.- Nelson Alberto AGUIAR RAMÍREZ

2.- Pedro ARGÜELLES MORÁN- Pre

3.- Víctor Rolando ARROYO CARMONA

4.- Mijail BARZAGA LUGO

5.- Oscar Elías BISCET GONZÁLEZ

6.- Margarito BROCHE ESPINOSA

7.- Marcelo CANO RODRÍGUEZ

8.- Juan Roberto DE MIRANDA HERNÁNDEZ

9.- Carmelo DÍAZ FERNÁNDEZ

10- Eduardo DÍAZ FLEITAS

11- Antonio Ramón DÍAZ SÁNCHEZ

12- Alfredo DOMÍNGUEZ BATISTA

13- Oscar Manuel ESPINOSA CHEPE

14- Alfredo FELIPE FUENTES

15- Efrén FERNÁNDEZ FERNÁNDEZ

16- Juan Adolfo FERNÁNDEZ SAINZ

17- José Daniel FERRER GARCÍA

18- Luis Enrique FERRER GARCÍA

19- Orlando FUNDORA ÁLVAREZ

20- Próspero GAINZA AGÜERO

21- Miguel GALVÁN GUTIÉRREZ

22- Julio César GÁLVEZ RODRÍGUEZ

23- José Luis GARCÍA PANEQUE

24- Ricardo Severino GONZÁLEZ ALFONSO

25- Diosdado GONZÁLEZ MARRERO

26- Léster GONZÁLEZ PENTÓN

27- Jorge Luis GONZÁLEZ TANQUERO

28- Leonel GRAVE DE PERALTA ALMENARES

29- Iván HERNÁNDEZ CARRILLO

30- Normando HERNÁNDEZ GONZÁLEZ

31- Juan Carlos HERRERA ACOSTA

32- Regis IGLESIAS RAMÍREZ

33- José Ubaldo IZQUIERDO HERNÁNDEZ

34- Rolando JIMÉNEZ POZADA

35- Librado Ricardo LINARES GARCÍA

36- Marcelo Manuel LÓPEZ BAÑOBRE

37- Héctor Fernando MASEDA GUTIÉRREZ

38- José Miguel MARTÍNEZ HERNÁNDEZ

39- Luis MILÁN FERNÁNDEZ

40- Nelson MOLINET ESPINO

41- Ángel Juan MOYA ACOSTA

42- Jesús MUSTAFÁ FELIPE

43- Félix NAVARRO RODRÍGUEZ

44- Jorge OLIVERA CASTILLO

45- Pablo PACHECO ÁVILA

46- Héctor PALACIOS RUIZ

47- Arturo PÉREZ DE ALEJO RODRÍGUEZ

48- Horacio Julio PIÑA BORREGO

49- Fabio PRIETO LLORENTE

50- Alfredo Manuel PULIDO LÓPEZ

51- Arnaldo RAMOS LAUZERIQUE

52- Blas Giraldo REYES RODRÍGUEZ

53- Alexis RODRÍGUEZ FERNÁNDEZ

54- Omar RODRÍGUEZ SALUDES

55- Marta Beatriz ROQUE CABELLO

56- Omar Moisés RUIZ HERNÁNDEZ

57- Claro SÁNCHEZ ALTARRIBA

58- Ariel SIGLER AMAYA

59- Guido SIGLER AMAYA

60- Ricardo SILVA GUAL

61- Fidel SUÁREZ CRUZ

62- Manuel UBALS GONZÁLEZ

63- Héctor Raúl VALLE HERNÁNDEZ

64- Antonio Augusto VILLAREAL ACOSTA

65- Orlando ZAPATA TAMAYO (Morto em fevereiro, após greve de fome de 85 dias)

A filha de Che no Ceará: muita ideologia e pouca realidade

Admiradores do regime cubano se confraternizam na AL

Vou falar de um assunto que parece velho e distante, não obstante a sua importância: ideologia. O tema me veio à mente por ocasião da visita ao Ceará da pediatra Aleida Guevara, filha do guerrilheiro Che Guevara. A médica participou de eventos na Assembleia Legislativa e no Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca), que leva o nome de seu pai.

Muita paixão e pouco informação
A presença da filha de Guevara ensejou manifestações na AL, contra e a favor da ditadura cubana. As discussões, como geralmente acontece quando se é movido à paixão política, resultaram em muito barulho e pouca informação.

Afinal, quem foi Che Guevera? Quantos “Ches” existem? O revolucionário que falava em um novo homem podia conviver com o militar que chefiou o primeiro campo de concentração da América Latina? O defensor da paz pode ser o mesmo homem que fuzilava adversários pessoalmente?

A deias, amigos, são a fonte das ações. Mas quando elas brotam da paixão, do misticismo, ou da propaganda ideológica, a história mostra, não resultam em boa coisa. Ideologia, grosso modo, é uma proposta de intervenção na realidade. Mas se essa proposta parte de uma falsa visão de presente, o fracasso é certo.

Dica de leitura
O que a figura e a história de Che Guevara, que dá nome a obras públicas em Fortaleza e ainda exerce fascínio sobre grupos políticos influentes no Ceará tem a oferecer aos Ceará? Quem tiver interesse sobre o assunto e quiser ir além do bate-boca de militantes esquerdistas, uma boa dica é o livro “Che Guevara: uma Biografia”, de John Lee Anderson (Objetiva, 1997).

Anderson é o maior especialista sobre o tema e a leitura de sua obra, muito bem documentada, é fácil e proveitosa. Vejam lá, por exemplo, como uma mãe foi pedir a Che, diretor de La Cabana (o campo de concentração cubano), que poupasse a vida do filho de 17 anos. O revolucionário pediu o prontuário do rapaz, preso por pichar um muro com críticas a Fidel, e mandou executá-lo imediatamente. Disse que era para a mãe não sofrer a agonia da espera.

Par quem acha que isso é passado, basta lembrar que Lula comparou presos políticos de Cuba a criminosos comuns no Brasil. É a ideologia embotando a realidade.

Publicado originalmente no Blog da Janga

Populismo e corrupção: tudo a ver

Dia corrido, sem tempo para escrever para o blog. Assim, aproveito a deixa para reproduzir um texto enviado ontem (26) pelo ex-blog do César Maia. Muito interessante e pertinente, especialmente agora, quando muitos asseveram que os altos índices de popularidade de Lula são prova inconteste de que tudo segue às mil maravilhas. Para esses, sempre lembro que a turba prefiriu Barrabás a Jesus. Mas vamos ao texto. Grande abraço a todos.

CORRELAÇÃO ENTRE POPULISMO E CORRUPÇÃO!
               
Trechos do artigo de Andrés Oppenheimer:  ”Vínculo entre os líderes populistas e a corrupção” - La Nacion-24.

1. Um novo ranking dos países percebidos como os mais corruptos do mundo confirma o que muitos suspeitavam: os líderes populistas que chegam ao poder com a promessa de erradicar a corrupção, em geral terminam liderando governos ainda mais apodrecidos que os anteriores. Em nível mundial, os que são considerados os mais corruptos são Somália e Afeganistão. Na América Latina os campeões regionais da corrupção são Venezuela, Paraguai, Equador, Nicarágua, Honduras, Bolívia e Argentina, segundo o  estudo da Transparência Internacional.

2. Os líderes destes países basearam suas campanhas presidenciais na promessa de acabar com a corrupção. Na Venezuela, Hugo Chávez venceu em 1998 com a promessa de terminar com a classe política corrupta, mas a corrupção só piorou desde que ele assumiu. Quando Transparência começou a fazer seu Ranking da Corrupção em 2001, Venezuela se encontrava no percentil 25 das nações mais corruptas do mundo. Em 2009, Venezuela está no  percentil 10, muito mais próxima do Afeganistão e Somália.

3. “Assim é”, disse Salas (Transparência): “Há uma relação direta entre populismo e debilidade institucional. E a debilidade institucional conduz a  corrupção”. Salas divide os países latino-americanos em três grupos. “No terceiro bloco, dos que estão na parte inferior da tabela, são os países que nos últimos anos sofreram uma espécie de “captura do Estado” “por parte de líderes carismáticos”, afirmou. Agregou que em países como Equador, Venezuela, Nicarágua e Honduras, isso significou que a quase sempre “as decisões políticas não passam por nenhum mecanismo de controle: não se audita, não se fiscaliza, não se vigia”.

4. Não me surpreende que Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua, estejam entre os países mais corruptos do mundo. São nações cujos governantes se apropriaram das instituições do Estado, e que agora estão tratando de calar a imprensa. Quanto mais consigam controlar todos os mecanismos de controle, tanto maior será a corrupção em seus países.

Inácio Arruda não fala sobre cláusula democrática para comemorar entrada da Venezuela no Mercosul. Pudera.

O senador Inácio Arruda (PC do B – CE) assina artigo publicado na edição desta quarta do jornal O Povo. O título é a Consolidação do Mercosul. O texto versa sobre as maravilhas da provável entrada da Venezuela no Mercosul, após a maioria Comissão de Relações Exteriores de o Senado ter rejeitado o relatório do senador Tasso Jereissati (veja como votaram os senadores aqui).

Arruda despeja com desenvoltura os clichês políticos de resistência da América Latina contra o imperialismo norte-americano, associando-os a fabulosas estratégias comerciais benéficas, sobretudo, ao Brasil. A certa altura ele afirma que “a América Latina e a América do Sul sempre foram alvos de cobiça”. Bom. A América do Sul está contida na América Latina, mas o senador considera importante tratá-las como unidades separadas. De resto, é verdade. Tanto que Cuba financiou grupos terroristas armados – antes da ditadura militar, como bem revelou Jacob Gorender, ele mesmo um comunista - para fazer uma revolução no Brasil. Deu errado e o contragolpe militar, apoiado pelos EUA, se transformou em golpe. E esse foi o máximo de interesse que a AL despertou. No fundo, os países ricos estão preocupados é com o Oriente Médio.

Em outro trecho, Arruda manda ver: “Em 1998, a miséria na Venezuela atingia a (sic) 20% dos habitantes; em 2008, havia diminuído para 9%”. De onde o senador tirou esses números? Ele não disse. Talvez sejam dados do governo venezuelano, sei lá. Apesar de tamanha pujança, no mesmo artigo, o nosso comunista lembra que “entre 1998 e 2008, nossas exportações para a Venezuela aumentaram 850%, representando hoje o maior superávit individual da balança comercial brasileira”. O que exportamos para a Venezuela? Ele não diz, mas eu digo: comida. E ainda não basta para eliminar o desabastecimento nos supermercados de lá. Essa vantagem comercial não tem nada a ver com o Mercosul. Na verdade, os venezuelanos têm um crescente déficit conosco pela redução da capacidade produtiva doméstica. É o socialismo do século XXI de Chávez. Qualquer semelhança com Cuba não é mera coincidência.

Lapso?
No final, Inácio Arruda diz: “É inestimável a importância da ampliação do Mercosul para o nosso país. (…) O ingresso da Venezuela representa forte estímulo ao desenvolvimento das nações sul-americanas, com trocas de bens e serviços mais intensas e justas entre os países”.

Em todo o artigo, curiosamente, o comunista cearense não cita uma vez sequer a palavra democracia. Não é uma graça? Será a intuição de que o tema é constrangedor para o companheiro Hugo Chávez ou apenas uma natural convergência de compreensão sobre regimes de governo? Evidentemente o texto também não faz referências às milícias armadas na região, às prisões de sindicalistas que ousam fazer greves, aos presos políticos, às agressões contra a imprensa na Venezuela.

E o que Inácio pensa sobre a cláusula do Mercosul que faz da democracia plena um requisito fundamental para entrar no grupo? Bom, pelo visto, esse deve ser um mero detalhe diante das vantagens econômicas tão bem colocadas pelo parlamentar. Aliás, o argumento do relatório que sugeria a recusa em ter a Venezuela como participante do Mercosul era esse negócio inconveniente de democracia. Mas desde quando, sejamos francos, um comunista de verdade fez dos princípios democráticos uma prioridade?

Venezuela no Mercosul. Muitos falam sobre democracia, poucos a defendem de fato

Ontem, quinta-feira (29), a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou o ingresso da Venezuela no Mercosul. Em linhas gerais, a maioria dos senadores da Comissão votou alinhada com o governo Lula para rejeitar o relatório do senador Tasso Jereissati, que recomendava a não permissão para a entrada na Venezuela no Mercosul.

Em seu parecer, Tasso disse o que todos sabem, mas que alguns, por afinidade ideológica, buscam relativizar: Hugo Chávez, o presidente venezuelano, vem implatando por etapas uma nova forma de ditadura. Sim. Veículos de imprensa que criticam o governo são atacados e alguns já tiveram concessões arbritariamente canceladas. Os juízes, após mudança nas leis (o presidente tem maioria), têm prazos de atuação que só podem ser renovados por – adivinhem -: Chávez. A última foi a criação de uma milícia do governo, no melhor estilo das SS nazistas.

Muito se falou sobre o assunto. Mas o fato incontornável é que existe um protocolo que define critérios para que um país possa entrar (ou ser expulso) do Mercosul. Não se trata de avaliar a situação a partir de simpatias pessoais ou conveniências de qualquer ordem.

Uma rápida lida no Protocolo de Ushuaia, que define as regras do Mercosul, deixa clara a situação:

A República Argentina, a República Federativa do Brasil, a República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai, Estados Partes do MERCOSUL, assim como a República da Bolívia e a República de Chile, doravante denominados Estados Partes do presente Protocolo, acordam o seguinte:

ARTIGO 1 – A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes do presente Protocolo.

Nesse sentido, o parecer foi corretíssimo ao definir que a Venezuela, hoje, não contempla os protocolos do Mercosul. As instituições democráticas venezuelanas estão rendidas ao chamado “bolivarianismo”. O Senado brasileiro deveria ter protegido o protocolo, o que significa proteger o continente de novas aventuras caudilhescas, como é tradição na América Latina. Mas preferiu ceder aos caprichos ideológicos do PT, com o argumento de que o ingresso é importante do ponto de vista econômico. É assim mesmo que hoje esses “democratas” enxergam o mundo: se der grana, os outros valores que se danem.

Segue abaixo a lista da votação na Comissão de Relações Exterior. Sempre que você ouvir esses senhores falando sobre a importância da democracia, lembre de como eles votaram, para saber se suas palavras correspondem aos seus atos.

A favor do ingresso da Venezuela no Mercosul:
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)
João Ribeiro (PR-TO)
João Pedro (PT-AM)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Francisco Dornelles (PP-RJ)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Paulo Duque (PMDB-RJ)
Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
Flavio Torres (PDT-CE)
Renato Casagrande (PSB-ES)
Inácio Arruda (PCdoB-CE)

Contra o ingresso da Venezuela no Mercosul:
Heráclito Fortes (DEM-PI)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
José Agripino (DEM-RN)
Arthur Virgílio (PSDB-AM)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Ainda Honduras: não confundir contragolpe com golpe

À medida que a instabilidade política e institucional se agrava em Honduras, que a incerteza sobre o dia seguinte avança sobre a normalidade num país pobre e inconstante, cuja história é marcada por golpes e ditaduras, à medida que isso se avoluma, fica mais difícil discernir o certo do errado, a democracia do populismo e golpe de contragolpe.

Nesse terreno movediço, a bússola da análise deve se guiar por princípios solidamente construídos e anunciados. Neste blog a primazia é para o conceito moderno de democracia representativa, pensamento configurado nas obras de Alexis de Tocqueville e Stuart Mill. Também destaco Montesquieu a divisão dos poderes.

Resumindo: neste blog, a democracia é caracterizada pelo império das leis, que regula os poderes independentes e fiscalizadores entre si, cuja representação depende de concessão popular periódica.

Com esses pressupostos, vamos ver o que aconteceu em Honduras:

1 – A Constituição hondurenha proíbe alterações nas regras eleitorais. É cláusula pétrea;
2 – O presidente Manuel Zelaya, eleito de acordo com esses leis, resolve fazer um plebiscito para operar uma mudança e permitir a reeleição;
3 – O Judiciário, acionado pelo Ministério Público, declara a ilegalidade da consulta;
4 – Zelaya desconsidera o Judiciário e o Legislativo e manda o Exército fazer o plebiscito;
5 – O Exército se recusa com a correta alegação de que deve preservar a Constituição – nesse ponto, reproduzo texto de Reinaldo Azevedo: se o Exército tivesse sido obediente às ordens de Zelaya, o chefe do Executivo estaria tomando decisões contrárias à vontade do Congresso e à decisão da Justiça. ERA O GOLPE, O VERDADEIRO GOLPE;
6 – Zelaya insistiu e organizou um grupo para roubar as urnas que estavam nos quartéis e fazer, na marra, o plebiscito;
7 – A Suprema Corte anunciou que Zelaya, ao proceder contra a Constituição e ao desobedecer a decisão judicial, estava automaticamente deposto, conforme previsto pela legislação;
8 – Zelaya foi “expulso” do país, apesar de existir uma ordem de prisão contra ele. A alegação de brutalidade nessa expulsão não caracteriza golpe, uma vez que o ex-presidente já estava deposto;
 9 – Roberto Michelleti assume após recusa do vice-presidente, candidato nas próximas eleições;
10 – O Brasil e a Venezuela declaram apoio a Zelaya e promovem sua volta clandestina na embaixada brasileira;
11 – O governo interino de Honduras decreta estado de sítio, reforçando a verossimilhança dos argumentos de seus adversários;
12 – O governo dos EUA, que no primeiro momento embarcou na conversa de brasileiros e venezuelanos, já perceberam que há algo de errado na história e classificou a atuação de Zelaya na embaixada brasileira de irresponsável.

Conclusão
Zelaya tentou sabotar a democracia hondurenha, atentando contra as leis do país. Foi impedido, num contragolpe rápido, pelos demais poderes. Brasil e Venezuela gritam que houve Zelaya foi apeado do poder de forma ilegal. Não foi. As motivações de Lula e Chaves são de cunho ideológico. Tanto que, em outros palcos, abraçam e festejam gente como Kadafi, Mongabe e Raul Castro, notórios ditadores.

Honduras: pode existir golpe sem agressão à Constituição?

Sobre a crise em Honduras (ver post abaixo), um bom amigo me lembra que o Exército, na ação de deposição de Zelaya, feriu a Constituição daquele país em dois pontos: a Carta hondurenha vetaria busca e apreensão na madrugada e proibiria a deportação de qualquer hondurenho.

Não foi informado quais artigos da Constituição definem essas leis. Sei que o artigo 237 – que proíbe a reeleição; e o 239, que proíbe – com a perda do mandato e direitos políticos – qualquer governante que tente manobrar para ter um novo mandato, serviram de base para a Suprema Corte no processo movido pelo Ministério Público.  

Evidentemente, a Constituição hodurenha busca evitar a ação de caudilhos, úma chaga histórica da América Central. Mas se os militares cometeram crimes no cumprimento da ordem judicial que afastou Zelaya, que sejam punidos. De resto, fica a seguinte lógica: o arbítrio na execução de uma sentença não invalida a sentença.

Se durante o cumprimento de uma ordem de despejo, emitida por um tribunal qualificado e de acordo com o ordanamento juridico vigente, um oficial de justiça espancar o morador, isso não invalida a ordem de despejo. A ação da autoridade foi criminosa, mas não justifica o erro anterior que levou à intervenção judicial.

Sugiro aos amigos o vídeo de uma entrevista com o advogado Lionel Zaclis, doutor em direito processual pela Universidade de São Paulo, que afirma que o que ocorreu em Honduras não pode ser chamado de golpe de Estado, já que o governo substituto respeitou a Constituição do país.

Segue o link: http://www.band.com.br/jornalismo/mundo/conteudo.asp?ID=193597

Crise em Honduras é face expressa de uma deturpação conceitual: o bolivarianismo como instrumento democrático

A crise diplomática entre Brasil e Honduras tem sido objeto de debates entre os apoiadores do bolivarianismo e defensores do modelo democrático que tem por base o equilíbrio proporcionado pela divisão entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Despido de sua retórica populista, o bolivarianismo idealizado por Hugo Chaves prega a hipertrofia do Executivo em relação aos demais poderes. Via de regra, para essa “doutrina”, o Executivo possui mais legitimidade como expressão de poder, uma vez que sua autoridade advém do voto direto e majoritário. Por essa ótica, o Legislativo (formado a partir de eleições proporcionais e instrumento de representação indireta) e o Judiciário (corpo técnico), existem mesmo é para garantir o status quo e impedir mudanças que desagradem aos setores dominantes da sociedade.

Para os defensores dessa ideia, a noção democracia se resume no direito ao sufrágio. Não é preciso estudar muito para saber que esse é um dos pontos basilares do conceito de democracia, mas que, apesar de crucial, não pode ser isolado de outros aspectos, como a institucionalidade, a própria divisão entre poderes independentes mas que se vigiam, e o respeito à Constituição (garantia de que ninguém pode estar acima das leis).

Analistas locais
A maioria dos cronistas políticos do Ceará embarcou na canoa do bolivarianismo para opinar sobre a crise em Honduras. Não vou citar nomes, pois o evento é generalizado. Grosso modo, esse grupo acredita que a posse do civil Roberto Micheletti no lugar de Manoel Zelaya na presidência foi um golpe, pois contou com a participação de militares.

Deixam de observar que os ritos constitucionais daquele país foram todos observados (alguém a leu?). Zelaya tentou impor um desejo pessoal à Constituição ao propor um referendo para tentar um novo mandato, como virou moda na América Latina, a três meses de uma eleição marcada. Judiciário e Legislativo apontaram a ilegitimidade da proposição. Num ato de voluntarismo, Zelaya ordenou o exército que fizesse a consulta informalmente . Os comandantes militares se negaram a desrespeitar a lei e os demais poderes que guardam a ordem legal. Zelaya insistiu e por afronta à Constituição foi afastado do poder. Não foi preso como deveria ter sido, por medo de instabilidade política. Deu no que deu.

Analogia: Zelaya e Collor
Onde está o golpe? Acontece que para os bolivarianos e seus simpatizantes na imprensa, a vontade popular expressa numa eleição deve se sobrepor ao conjunto das leis e instituições democráticas. Isso é uma completa inversão do sentido de democracia. Uma analogia serve para provar isso.

Imaginem se o ex-presidente Collor de Melo não aceitasse o impeachment que sofreu, alegando que, tendo isso eleito com mais de 50 milhões de votos, não poderia ser afastados por parlamentares e magistrados que estavam à serviço da elite, não obstante as irregularidades cometidas em seu governo. Alegando ainda que a decisão de tirá-lo do poder era uma reação conservadora de quem não suportava tantas mudanças promovidas por seu governo progressista. Nesse caso, que deveriam ter feito os outros poderes? A resposta é simples: acionado as Forças Armadas para garantir o cumprimento da Constituição. Collor então gritaria: “golpe!”

É isso o que aconteceu em Honduras.

PS. Se a diplomacia lulista age, como alega, para preservar a democracia, não há como explicar seu apoio dado à ditadura dos irmãos Castro em Cuba. Ou lá existem eleições livres?

Degradação institucional calculada

Artigo publicado no jornal  O Estado

O expurgo promovido pelo governo Lula na Receita Federal, com a demissão de funcionários ligados à ex-secretária Lina Vieira, pode até parecer uma novidade, mas trata-se apenas de mais um ataque às instituições democráticas, algo comum nos últimos anos. O mesmo vem sistematicamente acontecendo em outros órgãos, como Polícia Federal, SNI e até o Senado, onde a oposição é mais forte.

Os dois primeiros foram utilizados para perseguir adversários de Lula em diversos episódios, como o dos aloprados ou dos grampos telefônicos. A matriz de toda essa degeneração está no modo como o governo enxerga essas instituições. No fundo, desejam subjugá-las  partido a que pertencem.

Reparem na foto do painel e vejam o socialismo do século 21. Somos a lata de lixo da História.

Reparem na foto do painel e vejam o socialismo do século 21. Somos a lata de lixo da História

Certa feita o presidente Lula disse que na Venezuela de Hugo Chávez havia democracia em excesso, não obstante o fato de que o discípulo de Fidel Castro implanta, paulatinamente, uma ditadura populista de esquerda em seu país. Esses três, juntos com Rafael Corrêa, Evo Morales e gente como Manuel Marulanda (falecido chefe das Farc), entre outros, são companheiros de longa data, desde o início das atividades do Foro de São Paulo, grupo que reúne partidos e entidades de esquerda latino-americana para traçar planos de ação continental. O último encontro aconteceu em agosto passado, no México.

São líderes que ainda enxergam o mundo presos aos antolhos da paixão ideológica mais atrasada, de viés maniqueista, que pode ser resumida pela idealização de um antagonismo entre a esquerda boazinha e a direita perversa (apesar de que o comunismo foi a doutrina mais mortífera da história humana).

Assim, quando um membro do clube fala em excesso de democracia, na verdade acusa, quase perplexo, a ação do que consideram ilegítimos focos de resistência, como partidos de oposição e veículos de imprensa (outro pilar institucional da democracia) que teimam em exercer a liberdade de expressão. Como podem não aderir aos propósitos de seres tão angelicais e puros?

Não por acaso, os maiores alvos nos países liderados por esses elementos, são sempre a imprensa, os parlamentos e o Judiciário. Para eles, mais democracia é menos pluralidade e mais permissividade. Os neopopulistas alardeiam que a democracia deve ser direta sempre. Esse processo de mudança de eixo do significado de democracia para referendocracia, como bem ensina o jurista Paulo Bonavides, é um golpe cuja intensidade pode variar conforme o grau de estabilidade de um País.

De todos os membros do Foro de São Paulo, o Brasil tem o melhor arranjo institucional. No entanto, os sucessivos escândalos, as intromissões, os desvirtuamentos, a patrulha, o aparelhamento e os expurgos, são amostras claras de que o grupo hoje aboletado no poder trabalha para subjugar o Estado brasileiro às vontades de uma ideologia e de um partido.

Sociologia para principiantes

Reproduzo abaixo um artigo do sociólogo Luís Gustavo Guerreiro Moreira, do Observatório das Nacionalidades – UFC/Uece, publicado no jornal O Povo desta segunda-feira (10). Merece alguns comentários, que faço na cor azul e intercalados ao texto original, que segue em vermelho.

A nova ofensiva imperialista

Outro dia escrevi sobre o equívoco de se encarar Barack Obama como salvador do mundo na era pós-Bush. Naquele momento, Obama havia colocado um ex-oficial linha dura, alinhado com os interesses de Israel na sua chefia de gabinete, sinalizando o rumo da política externa estadunidense.

Quer dizer que ser alinhado com Israel prova de má fé? Por que? Os diplomatas gostam de dizer que a melhor postura é a da neutralidade, eu sei… Mas no caso escolhido como refrência é preciso lembrar que a questão é mais complexa. No ano passado os israelenses lutaram contra os terroristas do Hamas, em território palestino. Uma postura de neutralidade seria uma forma indireta de coonestar com os terroristas. No entanto, parece que escolher o lado que combate essas forças, para alguns, é coisa de militar “linha dura” (existe linha mole?).   

Quis apenas alertar sobre um problema clássico da sociologia: a individualização do processo social; tão bem teorizado por Norbert Elias e Louis Dumont. O que caracteriza o lugar do indivíduo em sua sociedade é a extensão da margem de decisão que lhe é conferida pela estrutura e pelo processo histórico ao qual se insere. E aquilo que denominamos “poder” não passa da amplitude dessa margem de decisão. Obama é um exemplo clássico. Ao contrário do que se pensa, ele é o governante do establishment e da política “suave e inteligente”.

Traduzindo: uma pessoa não pode nada contra o sistema, é preciso uma conjuntura. Esse é o pensamento de sustentação do texto. Por isso seria ingenuidade esperar que Obama, tão celebrado como o anti-Bush, agisse contra os interesses de seu próprio país. O problema é que, mais a frente, no final do artigo, essa tese é contestada pelo próprio autor que a defende.

Previsão confirmada: basta ver o abrandamento das críticas ao governo golpista de Honduras e a instalação de três bases militares estadunidenses na Colômbia, que possui 1.644 km de fronteira com a Amazônia brasileira. Trata-se de um enorme problema para a soberania nacional, pois a ação militar se dará sob o falso pretexto de “combate ao narcotráfico e ao terrorismo das Farc”. Justificativa usual nas ações imperialistas militares dos EUA no restante do mundo. Não é de hoje a cobiça sobre a Amazônia. Também não é de se estranhar que as bases serão instaladas em um país cujo presidente está na contra-mão do quadro político regional.

Eis a motivação política do artigo: defender o bolivarianismo de Hugo Chávez, aqui chamado de quadro político regional. Daí a chateação com a Colômbia  e com Honduras, os únicos países que não aceitam a degradação institucional do modelo chavista. Ademais, o problema de combate ao narcotráfico não é pretexto coisa nenhuma. Parte do território colombiano é controlado por narcotraficantes marxistas das Farc, grupo terrorista que conta com o apoio político e operacional – agora atenção para o conceito de soberania nacional – da Venezuela. Ou seja, Chávez ajuda foras-da-lei a enfrentar um governo democrático. Pesquisem sobre os mísseis suíços vendidos ao exército venezuelano e que acabaram capturados nas mãos das Farc. Sobre a cobiça dos americanos em relação a Amazônia, isso é pura especulação, sem embasamento consistente. É histrionismo ideológico.

É real o perigo de instabilidade militar, política e de agressão à soberania dos países vizinhos. O governo Lula deve assumir o papel de protagonista no enfrentamento dessa questão na próxima reunião de cúpula da Unasul, no Equador. No âmbito interno, deve reforçar o Comando Militar da Amazônia. Caso falhe, teremos um novo foco de tensões internacionais, onde a Colômbia poderá a cumprir o mesmo papel de Israel no Oriente Médio. E não é isso que a nação colombiana, nem as sofridas nações latinas precisam nem desejam.

Sobre a questão militar já falei acima. Mas é nesse ponto, na finalização, que podemos ver como a ânsia da propaganda política derruba a lógica. Se Obama nada pode contra o “establishment” do poder, se a “margem de decisão que lhe é conferida pela estrutura e pelo processo histórico ao qual se insere”, como esperar que Lula, aquele que manteve a política econômica que antes criticava, que se alia a Sarney, Renan e Collor para manter a governabilidade, possa, sozinho, mudar algo?

Veias abertas do atraso populista

c-oNo mês passado, durante uma reunião da Cúpula das Américas, o ditador Hugo Chávez, presidente da Venezuela, presenteou o presidente dos EUA, Barack Obama, com um exemplar do livro As veias abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano, publicado em 1971.

Foi um dos primeiros livros que li e certamente o pior. O estilo é chato e a conclusão previsível. Sempre que um livro inspira nos leitores, desde o início, a intuição das conclusões para os problemas que ele levanta, dando a impressão de que tratar de uma verdade telúrica, universal e evidente, não se enganem: é clichê. No trabalho de Galeano, a autocomiseração desavergonhada ganha ares de indignação, truque que excita nossos progressistas de araque. Vejam o que escrevi sobre a obra, num dos primeiros textos que postei neste blog, em dezembro de 2006 (em azul):

O livro As Veias Abertas da América Latina, do escritor uruguaio Eduardo Galeano, é a bíblia da esquerda latino-americana contra o imperialismo das nações ricas, leitura obrigatória nos cursos de doutrinação ideológica das universidades brasileiras. É também, paradoxalmente, e ao contrário da tola intenção do autor, o retrato fiel da nossa baixa auto-estima, de um particular complexo de inferioridade que revela o nosso ressentimento em relação ao progresso alheio.

A obra, cansativa de doer, é uma apologia barata ao antiamericanismo. Tudo o que acontece de ruim e errado por aqui, todo o atraso e a corrupção, toda a pobreza e violência, todas as desgraças da América Latina é culpa dos Estados Unidos. Sacaram? Para Galeano não somos capazes nem mesmo de errar por conta própria, não temos responsabilidade por nada que nos aconteça. É o maior argumento da esquerda: o vitimismo. Por conta disso é que o populismo nacionalista está em voga no continente. No nosso, é claro.

O fato de Chávez ser um apreciador de Veias abertas - um panfleto travestido de pesquisa – é sintomático. É mais do que natural que um populista nacionalista use os choramingos de Galeano como instrumento político. Quando o venezuelano entregou o livro a Obama, não cabia em si de satisfação com a própria sagacidade. Parecia o Chapolim Colorado a dizer: “Não contavam com minha astúcia!”, animado que estava com a ideia de mostrar ao mundo a verdadeira natureza dos EUA: um explorador dos pobres desprovido de méritos. E na verdade, tão patética é a esquerda latino-americana, que na prática o ato corresponde a outra realidade. Chávez e os esquerdistas se extasiam mesmo é no papel de “oprimidos”. Ter orgulho em se dizer oprimido é de uma carência moral e psicológica terrível. infelizmente, é esse sentimento que viceja na AL, particularmente, nas áreas de “humanas” das universidades.

A idéia de que a nossa prosperidade depende de nossas ações e escolhas nos assusta. Os latino americanos temem amadurecer e por isso agem como eternos adolescentes, a espera de que os adultos nos reconheçam e nos ajudem. Obama olha para o futuro, busca aproximação. Assustado, Chávez olhou para trás, voltou a 1971, onde as lamúrias que nos fazem inocentes perante os nossos próprios erros serviam de compensação mimada.

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