Quem assume os problemas da segurança pública?
Artigo publicado no jornal O Estado
A constatação de que os índices de violência aumentam paralelamente ao aumento nos investimentos indicam uma verdade incontornável: o dinheiro é gasto de forma errada. Uma vez também que a segurança pública no Brasil varia entre o desastre e a calamidade, resta concluir que o modelo estabelecido no País é inadequado. O máximo que um governador pode desejar é ser menos ruim do que seus colegas.
Diante da incapacidade crônica de resolver a questão, governos e candidatos apelam a slogans e maneirismos retóricos. Adornam discursos com expressões como “segurança cidadã”, “choque de ordem”, “polícia amiga”, e doçuras afins. Mas os resultados…
No Ceará o trunfo eleitoral do governador Cid Gomes, em 2006, foi o famoso “Ronda do Quarteirão”, peça de propaganda que depois ganhou contornos de ação até chegar ao atual modelo. O projeto gerou impacto positivo no início, mas está claro agora que a sensação de segurança não corresponde, necessariamente, à segurança de verdade.
Não é o caso de lançar dúvidas a respeito das intenções de quem trabalha para mitigar essa situação. Mas intenções não bastam. Agora que está no poder, Cid Gomes afirmou, durante entrevista: “Segurança não pode ser um tema que envolva a política, a política no sentido eleitoral. Segurança tem que ser um tema tratado sempre com muita seriedade e é assim que eu vou procurar agir, sempre”. O governador não fez um mea culpa intencional, mas bem que suas palavras serviriam para tanto.
Existe uma falta de conexão entre os anúncios pomposos das autoridades e a realidade, que é constrangedora. Então, aproveitando a deixa de Cid, se é para tratar mesmo seriamente do assunto, é preciso reconhecer o que não está dando certo. E para isso, as falhas, os erros e os rumos que precisam ser corrigidos, não podem ficar somente na conta do secretário de Roberto Monteiro. Não basta a Cid basta dizer que o apoia. É preciso deixar claro que as diretrizes para a área são definidas pelo governador.
Para usar uma metáfora da moda, quando o time não vai bem e não marca gols, o técnico cai antes do centroavante. O maior responsável pela atual situação é o governador Cid Gomes, que, não obstante, faz avaliações periódicas sobre a gestão de cada pasta, no que está certo. É preciso, entretanto, ir além.
Se não for desse jeito e o governador não assumir integralmente o desafio da segurança, o assunto não avançará os limites do cenário eleitoral.
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