Duas notícias postadas no Blog do Eliomar. Em seguida comento.
12.10 – Tasso entre os que mais gastaram verba indenizatória com divulgação e consultoria:
“Levantamento da ONG Transparência Brasil revela que 18 dos 81 senadores usaram mais da metade da verba indenizatória, desde o início do ano, para pagar despesas com divulgação de seus mandatos ou com com a contratação de consultorias. Segundo o levantamento, quatro senadores usaram todo o dinheiro para divulgar os mandatos ou para contratar consultorias: o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Gim Argello (PTB-DF) e Roberto Cavalcanti (PRB-PB). (…) Na avaliação da ONG, as despesas com divulgação do mandato não podem ser pagas com a verba indenizatória porque o Senado já possui canais de comunicação com o público, como a TV Senado, a Rádio Senado, a Agência Senado e o site, onde cada senador tem espaço para hospedagem de sítio pessoal.”
13.10 – Estrelas do Senado correm risco de não se reeleger. Na lista, Tasso Jereissati:
“Como se não bastasse a crise que desmoralizou o Senado neste ano, as eleições de 2010 ameaçam tirar o brilho de antigas estrelas da política nacional, que enfrentam dificuldade para se reeleger. Os obstáculos atingem em cheio senadores de todos os partidos que estão sendo obrigados a fazer arranjos políticos para garantir, ao mesmo tempo, sua sobrevivência e a eleição nos Estados.
Na oposição, há casos emblemáticos como os dos senadores tucanos Sérgio Guerra (PE), atual presidente do PSDB, e Tasso Jereissati (CE), ex-presidente da sigla, que correm o risco de não voltar ao Senado. (…)”.
Wanfil
Isenção e medo
Na faculdade de jornalismo a primeira regra ensinada é a da imparcialidade na apuração dos fatos, mas sempre com a ressalva de que a isenção completa é impossível. Trata-se, portanto, de um ideal a ser constantemente buscado, ainda que inalcançável. Na prática, cada jornalista e alguns veículos precisam orientar suas matérias a partir de valores, digamos, subjetivos. E a subjetividade, evidentemente, é palco para as discordâncias. Dessa forma, a atividade jornalística precisa encontrar um equilíbrio entre o fato e a interpretação (ou a forma de narrá-lo, pois a simples escolha de uma palavra pode inferir escolhas). E sendo tudo tão impreciso, a estratégia de quem se sente atingido ou contrariado por alguma matéria bem feita, que obedece aos critérios técnicos de uma boa reportagem, é rotular profissionais e empresas, de forma a desqualificá-los.
Ocorre que isso deixa alguns jornalistas receosos, especialmente em mercados reduzidos. Ser tachado de radical, tucano, petista, isso ou aquilo, pode fechar portas. Tacitamente, a convenção mais usada para tentar evitar a impressão de que haja alguma parcialidade em seu trabalho, é a de criar uma espécie de “placar” de igualdade nas notícias, boas ou ruins, sobre adversários políticos. Se um personagem é criticado, por exemplo, deve-se em seguida buscar ser crítico om o seu adversário. O problema é que nem sempre os fatos, as realizações, ou as denúncias contra ésses personagens se dão de forma simétrica. Aí, muitas vezes, para compensar, o jornalista acaba forçando a barra, igualando fatos distintos para causar um efeito, operando uma forma de deturpação. Assim foi que o caixa 2 de Eduardo Azeredo se transformou no “mensalão mineiro”, quando o mensalão original nunca foi caixa 2, mas compra sistemática de parlamentares. A ideia era evitar as rotulações partidárias. Isso é bom? Nem sempre, pois mais confunde que explica, como no exemplo acima.
Copiar, colar
Vejam o caso do Blog do Eliomar. A rigor, as matérias destacadas, envolvendo o senador Tasso Jereissati, não se sustentam. Mas a ideia é passar a mensagem – para a patrulha – de que ali existe aquela isenção idealizada. Se irregularidades dos adversários dos tucanos são noticiadas, como as denúncias do TCU sobre superfaturamento no Hospital da Mulher, a lógica é que também as dele sejam expostas. E os fatos? Eliomar de Lima, experiente jornalista, provavelmente se considera livre de conferir a veracidade do que vai publicado no site da Transparência Brasil ou no Estadão. A responsabilidade, imagina, é deles. Pode ser. Mas aí vem aquele papo de subjetividade. Por que escolher matérias que não repercutiram no restante da mídia? Por que dar importância a “denúncias” ou “análises” que ninguém mais deu crédito? Será que o jornalista que reproduz uma matéria, ainda que registre a origem e dê os devidos créditos, não a subscreve?
Apurar ou não?
Quer dizer que o Eliomar não pode criticar o Tasso? Claro que pode! Se não quiser dar opinião, pode reproduzir a dos outros, claro. Especialmente em um blog. Mas aí serve qualquer notícia? Acho que não. O senador recentemente se posicionou contra a entrada da Venezuela no Mercosul. Eis um assunto que pode gerar inúmeros conflitos de ordem ideológica, legal, política, geopolítica etc. Mas os casos acima reproduzidos são pueris. Onde está a irregularidade no gasto de verba indenizatória na divulgação de atividades? Que lei foi infringida? A assessoria do senador foi procurada? Alguém pelo menos leu o Regimento do Senado? Além do mais, é gasto previsto, limitado e registrado. A Câmara de Fortaleza e a Assembleia Legislativa possuem televisão, rádio e site, e nem por isso nem Eliomar, nem ninguém mais vê problema quando parlamentares e essas instituições publicam anúncios nos jornais locais. Sem contar que são gastos bem mais difíceis de controlar.
Qual indício sustenta a tese de que Tasso pode não se reeleger? Alguma pesquisa? Algum levantamento? Não, nada. Apenas a opinião da repórter do Estadão, Eugênia Lopes, quem nem articulista é. Mas essa técnica de copiar e colar para causar impressão de isenção deve deixar alguns satisfeitos. Posso até ver José Pimentel, o ministro que faz campanha antecipada aberta para o Senado, dizendo satisfeito: “Isso é que é imparcialidade!”.