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Segurança Pública no Ceará: quem se sente protegido? Quem tem medo da polícia?

Li no Jangadeiro Online e no Blog da Janga dois casos que bem expressam a situação da Segurança Pública no Ceará.

Primeiro foi o relato da repórter Anézia Gomes: Férias no Ceará: Cuidado ao relaxar!  Pessoas roubadas em público, sem que os bandidos demonstrassem preocupação com a presença de testemunhas e mesmo de alguns policiais presentes a um evento realizado pelo poder público.

Depois, o mais emblemático, no Jangadeiro Online: Policiais do Ronda são assaltados. Mais do que uma ação ousada de assaltantes baratos, o caso mostra um estado de espírito semelhante ao do Velho Oeste americano ou ao do Rio de Janeiro sitiado pelo tráfico de drogas.

Conclusão
Definitivamente a força policial – que é a garantia de ordem social do Estado – perdeu a capacidade de emanar autoridade. As pessoas não se sentem protegidas por ela e os bandidos não a temem. Enquanto isso, enquanto o crime avança e as pessoas de bem se escondem, perdemos tempo discutindo se bandidos podem ser mostrados na televisão.

Pesquisa Datafolha mostra Cid na frente – mas há espaço para disputas

O jornal Folha de São Paulo divulgou nesta terça pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha com quatro cenários para as eleições ao governo estadual no Ceará em 2010. Os números:

Cenário 1
Cid Gomes (PSB) – 44%
Tasso Jereissati (PSDB) – 23%
Luizianne Lins (PT) – 8%
Renato Roseno (PSOL) – 5%
Não sabem – 14%
Branco/nulo – 6%

Cenário 2 (sem Luizianne)
Cid Gomes (PSB) – 47%
Tasso Jereissati (PSDB) – 25%
Renato Roseno (PSOL) – 6%
Não sabem – 15%
Branco/nulo – 6%

Cenário 3 (sem Tasso)
Cid Gomes (PSB) – 49%
Roberto Pessoa (PR) – 13%
Luizianne Lins (PT) – 10%
Renato Roseno (PSOL) – 4%

Cenário 4 (sem Tasso e Luizianne)
Cid Gomes (PSB) – 53%
Roberto Pessoa (PR) – 14%
Renato Roseno (PSOL) – 6%

A pesquisa Datafolha vale como um registro de largada. Ainda não é possível visualizar tendências, uma vez que não existe ainda uma série de pesquisas disponíveis para comparação.

No entanto, alguns pontos podem ser ressaltados. O primeiro é que a pesquisa foi realizada faltando muito tempo pra o jogo começar. O eleitorado só vai pensar em eleições depois da Copa do Mundo.

Segundo, o governante candidato à reeleição sempre parte na frente por uma série de causas: maior visibilidade, candidatura natural e esperada, exposição constante e a a própria máquina. Portanto, essa liderança inercial é esperada e não garante vitória. O ex-governador Lúcio Alcântara tinha governo bem avaliado e liderava as primeiras pesquisas em 2006.

Terceiro, muitos dos nomes apresentados na pesquisa não confirmaram ou mesmo não pretendem ser candidatos. Por enquanto, Luizianne não faz movimentos no sentido de participar da disputa. Tasso, até o momento, apesar das pressões internas do PSDB nacional e estadual, é candidato à reeleição para o Senado.

No entanto, mesmo estando longe das eleições e diante de cenários tão voláteis, vale registrar a posição de Roberto Pessoa. O prefeito de Maracanaú começa com 13%, um número muito alto para quem nunca disputou o governo estadual e não ainda dispõe de estrutura partidária e logística para uma campanha. O próprio senador Tasso Jereissati, com 23% apesar de não ter confirmado candidatura ao governo, mostra que há espaço para uma força de enfrentamento a Cid.

Muita água vai rolar, os nomes ainda serão definidos, os palanques serão trabalhados, mas é bom não imaginar que a eleições são favas contadas para o atual governador do Ceará.

A gravidez de Sérgio Gabrielli é uma pseudociese

A Assembléia Legislativa do Ceará promoveu, nesta sexta-feira (20), um debate sobre o marco regulatório da exploração do pré-sal, com a presença do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Depois de umas três horas de palestras, discursos e por fim uma entrevista coletiva, os cearenses puderam constatar que, no que diz respeito à refinaria prometida em campanha pelo presidente Lula, fica tudo como está: uma promessa não cumprida.

Sobre as cobranças para que algo seja feito de concreto, o presidente da Petrobras respondeu em tom maternal: “Entendo a angústia dos cearenses, mas refinaria é como gravidez, não adianta ter pressa”.

Parece que Sérgio Gabrielli tenta emular seu chefe em matéria de metáforas, obviamente, sem aquela graça obtusa. Lula, aliás, tentou recentemente ser mais científico ao falar sobre poluição atmosférica e acabou por revelar aos desavisados que a Terra é redonda. Quem sabe se ela fosse quadrada ou retangular, como ele especulou, a refinaria não saísse, não é mesmo?

Pseudociese
Mas voltando ao Gabrielli, a comparação com a gravidez veio a calhar. Melhor seria, no entanto, lembrar da gravidez psicológica, também chamada de pseudociese, que ocorre quando o desejo de engravidar é tão intenso que a mulher chega a sentir sintomas como enjôos e pode até produzir leite, embora não exista gestação. Como podemos ver, essa comparação é a mais adequada para explicar tanta euforia diante da expectativa de parir uma refinaria, embora não se veja nenhum resultado aparecer.

Os pais
A gravidez de Gabrielli tem muitos pais. Acompanhando o lenga-lenga do obstetra da Petrobras estavam lá, sorridentes como se fossem progenitores, o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Ceará (CUT-CE) Jerônimo Nascimento (?), o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), o governador Cid Gomes (PSB), o deputados federais José Airton e José Guimarães (PT-CE), e o deputado estadual Nelson Martins (PT).

Apesar de tanta gente torcendo, parto que é bom, nada. Por enquanto fica o jogo de empurra. Gabrielli afirma que a refinaria não saiu ainda por causa de problemas legais no terreno, cuja solução caberia ao Governo do Estado. Subserviente, Cid se limitou a dizer que a Petrobras é muito melhor depois de Lula e Gabrielli.

O que importa é o projeto
O presidente da Petrobras disse que, mesmo assim, sem nada ter saído do papel, o projeto está dentro do cronograma. Indagado por jornalistas como ele poderia ter um conograma se não sabe quando o terreno será liberado, ele respondeu que isso é o que menos importa. Como se vê, estão todos contentes em ter uma planta baixa da refinaria. A construção mesmo, ora bolas, não é assim tão importante.

O que deseja o PSDB no Ceará: ser coadjuvante ou protagonista?

A convenção dos tucanos cearenses, no último domingo, agitou o noticiário políticos. O novo presidente da sigla, Marco Penaforte, em discurso eloquente e estrategicamente perfeito, afirmou: “Vamos decretar o fim da ambiguidade do PSDB no Ceará”, em referência ao papel do partido na relação com o governo estadual, liderado pelo PSB de Cid Gomes. Quem conhece Penaforte sabe que se trata de político dado a digressões filosóficas e ideológicas. Coisa rara. É, digamos assim, um romântico da política, do tipo que acredita que os valores de uma agremiação partidária estão acima das conveniências de momento ou da simples busca pelo poder.

Resumindo, o homem fala sério, uma vez que não é de fazer média apenas para agradar este ou aquele. Em certa medida, essas características acabaram por deixá-lo afastado do cenário político por algum tempo. Uns dez anos. Resgatado de seu isolamento – Penaforte sempre defendeu um partido com independência – as palavras do novo presidente soaram duras para muitos por um simples motivo: existe sintonia (e aprovação) entre ele e o senador Tasso Jereissati.

Mas ocorre que, apesar da conclamação e da sintonia, o PSDB não deixou a ambiguidade totalmente de lado. Tasso vai ser o candidato como pedem as bases de seu partido? Ele diz que prefere uma renovação nos quadros da sigla, mas não afasta inteiramente a possibilidade de disputar o cargo ao afirmar que está à disposição para fazer o que for necessário pelo Ceará e pelo PSDB. Na verdade, no diria que isso seja uma ambiguidade de todo calculada, como é comum na política. Tasso, em conversas que tive com ele, aparenta ter dúvidas sobre o futuro. No mundo ideal, ele seria reeleito senador e o partido lancaria um nome forte para disputar o governo do estado, de forma a se manter competitivo e atuante. Mas, no mundo real, isso pode significar um enfraquecimento fatal para o partido – uma vez que no momento não existem nomes fortes para substituí-lo – e a morte de um projeto ao qual ele dedicou a vida. Além disso, existem as responsabilidade inerentes àqueles que assumem a liderança de processos políticos. Parlamentares, militantes, prefeitos e simpatizantes dependem de suas decisões.

Precipitação
Se é precipitado dizer que Tasso é candidato ao Palácio Iracema, também é cedo para dizer que tudo é jogo de cena, como alguns já se apressaram em fazer. O cenário está aberto. Tasso poderia ter dito que não será candidato e pronto. Não foi o que aconteceu. Adiantando um pouco mais as peças do tabuleiro, o senador ainda afirmou que o mais importante agora é o PSDB pensar em termos de projeto, para só depois falar em nomes. Discurso que casa perfeitamente com a disposição de Penaforte em consultar, durante 90 dias, as bases e diretórios tucanos no estado para saber qual rumo tomar.

De resto é o seguinte: Cid é um parceiro dos tucanos que, por força das contingências, vive de braços dados com o PT. É sim uma situação constrangedora para o PSDB. Não adianta dizer que Cid nasceu no ninho tucano. A postura ambígua denunciada por Penaforte foi uma espécie de acomodação para garantir espaços. Mas um partido que se contenta com migalhas, convenhamos, não pode aspirar retomar o comando do processo político e administrativo no Ceará.

Vamos aguardar. O recado foi passado a Cid. O governador, evidentemente, não deve romper – especialmente um governo de “coalizão”, que trabalha para evitar o surgimento de nichos oposicionistas. Os parlamentares tucanos também não têm interesse em brigar com o governo, de forma a exporem seus colégios eleitorais. Esses somente se movimentarão conforme os próximos passos de Tasso. Entre eles há um pensamento que vem se consolidando. Tasso teria chances reais de ganhar o governo estadual pela quarta vez. E isso significaria trocar o papel de coadjuvantes pelo de protagonistas do poder. E isso soa como música para seus ouvidos.

Lula no Ceará: É inauguração? Não, é factóide eleitoral!

Às vezes é constrangedor refletir sobre certos eventos políticos, tamanha a evidência de que são peças toscas, simples factóides para gerar manchetes e alimentar discursos demagogos.

Lula vem ao Ceará nesta sexta-feira para “vistoriar” as obras da Transposição do Rio São Francisco em Mauriti, região sul do estado. É a segunda visita do presidente em um mês e meio.

No artigo Lula no Ceará: filme repetido, publicado no dia 10 de setembro passado, antecipei com um dia de antecedência (e o texto foi escrito no dia 9), as promessas que seriam feitas em palanque, com o habitual tom triunfal de Lula. Na mosca! Foi um festival de refinaria, siderúrgica e Transnordestina, essas obras que não existem, além de auto-elogios e números maravilhosos.

Nessa nova visita, o exercício é mais fácil ainda. O presidente vai repetir o mesmíssimo discurso que fez em Pernambuco e em Minas Gerais, estados em que esteve nesta semana fazendo campanha eleitoral para Dilma Rousseff, com igual pretexto de conferir a tal transposição.

Um resumo: Lula, o operário, vai cumprir o que Dom Pedro II, o fidalgo, prometeu: levar a água do São Francisco para o sertanejo. Dirá ser o único a dar prioridade à obra por ser nordestino castigado pela seca. Vai lembrar que o sertanejo agora terá água em abundância para plantar o que quiser. Enfim, venderá amanhãs radiantes, ainda que não tenha muito o que mostrar em sete anos de governo, quando o assunto é obra.

Números X lorotas
Mas Wanfil, como você é ranzinza, rapaz! Por acaso torce contra o Brasil e o Nordeste? Você prefere que o pai de família no sertão continue a passar sem água? Pois é. Nem adianta vir com chantagem emocional. Vamos ao números publicados ontem (15) pelo Estadão, sobre a execução financeira das obras da Transposição do São Francisco:

Planalto só pagou 3,68% do R$ 1,68 bilhão previsto – Cenário da campanha informal da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a região do Rio São Francisco não tem sido tão prestigiada em verbas federais. Em 2009, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), para uma dotação de R$ 1,68 bilhão para projetos que tratam diretamente do rio, o Planalto pagou apenas 3,68%, cerca de R$ 61,8 milhões.

Lula faz comício no São Francisco, mas segura dinheiro para obra - Ao levar ao Nordeste e sertão de Minas, principais redutos do “lulismo”, a ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou admitindo, num ato falho, caráter eleitoral na visita às obras de transposição do Rio São Francisco. “No nosso projeto original de fazer essa viagem não estava previsto a gente fazer comício. Estava previsto fazer visitas às obras”, disse Lula. Na prática, contudo, o empreendimento não tem recebido prioridade na destinação de recursos – apenas 3,68% do R$ 1,68 bilhão reservado em 2009 foram efetivamente pagos.

Como explicar isso? Como fazer tanta algazarra em cima de algo que não, absolutamente, uma prioridade para o governo? Ou então que é a prova cabal de sua incompetência gerencial? Se algum dia um sertanejo beber água proveniente da Transposição do São Francisco, o fará apesar de Lula. Mas a resposta para coroar o factóide já está pronta: a culpa é da legislação ambiental, da burocracia, e dos órgãos de fiscalização, especialmente o TCU.

PS. Factóide na Wikipédia: O propósito de um factóide é gerar deliberadamente um impacto diante da opinião pública de forma à manipulá-la de acordo com as aspirações de poderosos grupos que se utilizam de sua influência na mídia. Estes, em alguns casos estão, ou aspiram ao poder.

Lula faz comício no São Francisco, mas segura dinheiro para obra

Jornalismo Ctrl C, Crtl V

Duas notícias postadas no Blog do Eliomar. Em seguida comento.

12.10 – Tasso entre os que mais gastaram verba indenizatória com divulgação e consultoria:
“Levantamento da ONG Transparência Brasil revela que 18 dos 81 senadores usaram mais da metade da verba indenizatória, desde o início do ano, para pagar despesas com divulgação de seus mandatos ou com com a contratação de consultorias. Segundo o levantamento, quatro senadores usaram todo o dinheiro para divulgar os mandatos ou para contratar consultorias: o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Gim Argello (PTB-DF) e Roberto Cavalcanti (PRB-PB). (…) Na avaliação da ONG, as despesas com divulgação do mandato não podem ser pagas com a verba indenizatória porque o Senado já possui canais de comunicação com o público, como a TV Senado, a Rádio Senado, a Agência Senado e o site, onde cada senador tem espaço para hospedagem de sítio pessoal.”

13.10 – Estrelas do Senado correm risco de não se reeleger. Na lista, Tasso Jereissati:
“Como se não bastasse a crise que desmoralizou o Senado neste ano, as eleições de 2010 ameaçam tirar o brilho de antigas estrelas da política nacional, que enfrentam dificuldade para se reeleger. Os obstáculos atingem em cheio senadores de todos os partidos que estão sendo obrigados a fazer arranjos políticos para garantir, ao mesmo tempo, sua sobrevivência e a eleição nos Estados.

Na oposição, há casos emblemáticos como os dos senadores tucanos Sérgio Guerra (PE), atual presidente do PSDB, e Tasso Jereissati (CE), ex-presidente da sigla, que correm o risco de não voltar ao Senado. (…)”.

Wanfil
Isenção e medo
Na faculdade de jornalismo a primeira regra ensinada é a da imparcialidade na apuração dos fatos, mas sempre com a ressalva de que a isenção completa é impossível. Trata-se, portanto, de um ideal a ser constantemente buscado, ainda que inalcançável. Na prática, cada jornalista e alguns veículos precisam orientar suas matérias a partir de valores, digamos, subjetivos. E a subjetividade, evidentemente, é palco para as discordâncias. Dessa forma, a atividade jornalística precisa encontrar um equilíbrio entre o fato e a interpretação (ou a forma de narrá-lo, pois a simples escolha de uma palavra pode inferir escolhas). E sendo tudo tão impreciso, a estratégia de quem se sente atingido ou contrariado por alguma matéria bem feita, que obedece aos critérios técnicos de uma boa reportagem, é rotular profissionais e empresas, de forma a desqualificá-los.

Ocorre que isso deixa alguns jornalistas receosos, especialmente em mercados reduzidos. Ser tachado de radical, tucano, petista, isso ou aquilo, pode fechar portas. Tacitamente, a convenção mais usada para tentar evitar a impressão de que haja alguma parcialidade em seu trabalho, é a de criar uma espécie de “placar” de igualdade nas notícias, boas ou ruins, sobre adversários políticos. Se um personagem é criticado, por exemplo, deve-se em seguida buscar ser crítico om o seu adversário. O problema é que nem sempre os fatos, as realizações, ou as denúncias contra ésses personagens se dão de forma simétrica. Aí, muitas vezes, para compensar, o jornalista acaba forçando a barra, igualando fatos distintos para causar um efeito, operando uma forma de deturpação. Assim foi que o caixa 2 de Eduardo Azeredo se transformou no “mensalão mineiro”, quando o mensalão original nunca foi caixa 2, mas compra sistemática de parlamentares. A ideia era evitar as rotulações partidárias. Isso é bom? Nem sempre, pois mais confunde que explica, como no exemplo acima.

Copiar, colar
Vejam o caso do Blog do Eliomar. A rigor, as matérias destacadas, envolvendo o senador Tasso Jereissati, não se sustentam. Mas a ideia é passar a mensagem – para a patrulha – de que ali existe aquela isenção idealizada. Se irregularidades dos adversários dos tucanos são noticiadas, como as denúncias do TCU sobre superfaturamento no Hospital da Mulher, a lógica é que também as dele sejam expostas. E os fatos? Eliomar de Lima, experiente jornalista, provavelmente se considera livre de conferir a veracidade do que vai publicado no site da Transparência Brasil ou no Estadão. A responsabilidade, imagina, é deles. Pode ser. Mas aí vem aquele papo de subjetividade. Por que escolher matérias que não repercutiram no restante da mídia? Por que dar importância a “denúncias” ou “análises” que ninguém mais deu crédito? Será que o jornalista que reproduz uma matéria, ainda que registre a origem e dê os devidos créditos, não a subscreve?

Apurar ou não?
Quer dizer que o Eliomar não pode criticar o  Tasso? Claro que pode! Se não quiser dar opinião, pode reproduzir a dos outros, claro. Especialmente em um blog. Mas aí serve qualquer notícia? Acho que não. O senador recentemente se posicionou contra a entrada da Venezuela no Mercosul. Eis um assunto que pode gerar inúmeros conflitos de ordem ideológica, legal, política, geopolítica etc. Mas os casos acima reproduzidos são pueris. Onde está a irregularidade no gasto de verba indenizatória na divulgação de atividades? Que lei foi infringida? A assessoria do senador foi procurada? Alguém pelo menos leu o Regimento do Senado? Além do mais, é gasto previsto, limitado e registrado. A Câmara de Fortaleza e a Assembleia Legislativa possuem televisão, rádio e site, e nem por isso nem Eliomar, nem ninguém mais vê problema quando parlamentares e essas instituições publicam anúncios nos jornais locais. Sem contar que são gastos bem mais difíceis de controlar.

Qual indício sustenta a tese de que Tasso pode não se reeleger? Alguma pesquisa? Algum levantamento? Não, nada. Apenas a opinião da repórter do Estadão, Eugênia Lopes, quem nem articulista é. Mas essa técnica de copiar e colar para causar impressão de isenção deve deixar alguns satisfeitos. Posso até ver José Pimentel, o ministro que faz campanha antecipada aberta para o Senado, dizendo satisfeito: “Isso é que é imparcialidade!”. 

Comunismo neoconcretista ou dialética da concretude

O PC do B, sigla nanica que sobrevive ocupando aparelhos estudantis, e que se vangloria de sua história (o que significa dizer que tem orgulhos da doutrina mais morticida da história da humanidade, deixando os crimes de seus camadaras nazistas bem atrás), tem veiculado sua propaganda na televisão. Nela, o deputado federal cearense Chico Lopes fala sobre as maravilhas dos governos apoiados pelos comunistas, o que era de se esperar mesmo.

Mas sabem como são esses marqueteiros… A certa altura, um Lopes sorridente, com cara de bonachão, diz candidamente que a REFINARIA e a SIDERÚRGICA, já SÃO realidades concretas. Onde? O comunista não fala, nem mostra imagens. Apela à nossa fé. Deve ser a dialética da concretude. Entendam. Sendo o concreto o contrário de abstrato, é certo entender que algo definido por esse adjetivo seja, como diz o dicionário Priberam:

1. Consistente, espesso, condensado, que tem consistência (mais ou menos sólida).
2. Que tem corpo (opõe-se a abstrato).
3. Que é perceptível! aos sentidos.

A Petrobras já afirmou que a realidade concreta da refinaria será adiada para depois de 2013, sem data definida. E a siderúrgica, vejam só, é um empreendimento PRIVADO. Isso mesmo! No Brasil chagamos ao cúmulo de ver um comunista se jactar de projetos tocados – ó ironia – por porcos capitalistas que vivem em busca de lucro (arghh!), explorando os trabalhadores coitadinhos que deveriam votar em gente como Chico Lopes.

Mas como todos sabem, e como provam as urnas, quem gosta de comunista é “estudante” que monopoliza a emissão de carteirinhas de meia-entrada e “intelectual” capaz de aceitar que algo possa ser simultaneamente real e imaginário, ser e não ser ao mesmo tempo, e ainda assim se julgar moralmente superior aos que efetivamente levam o mundo concreto nas costas.

Regulamentar a profissão de “flanelinha” é legalizar a extorsão

Uma audiência pública realizada ontem (05/10) na Comissão de Viação, Transporte Público, Desenvolvimento Urbano e Interior da Assembleia Legislativa discutiu a situação dos “guardadores e lavadores autônomos de veículos de Fortaleza”, popularmente conhecidos como “flanelinhas”. (V. Situação dos guardadores de carros é discutida em audiência na AL).

Existe até uma associação da “categoria”, com direito a advogado e tudo. A iniciativa foi do deputado Francisco Caminha, do Partido Humanista da Solidariedade (PHS). ParO parlamentar é tão humanista e solidário que, inspirado em ações promovidas no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul, de fende que a função do guardador seja reconhecida como profissão. “A sociedade, muitas vezes, vê o flanelinha, como é chamado, como marginal”, diz.

Cabe aqui uma correção. Embora eu não tenha procuração para falar em nome da sociedade, posso garantir que muitos – basta uma consulta a amigos e familiares – não olham o flanelinha como marginal, não. Olham é com medo mesmo, constrangidos que são a pagar por um serviço que não pediram. Eu pago, e provavelmente o amigo leitor paga, por receio de ter o veículo danificado. Posso estar errado? Acho que não. Mas onde estão os números mostrando que a “profissão” de flanelinha reduziu os índices de roubos a carros? Não existem. O que há é uma onda politicamente correta tentando vender como discursos bonitos como solução. É claro que uma lei sobre o assunto deixará devidamente anotado que o pagamento não é obrigatório. Mas quem garante que isso não seja visto pelo profissional guardador como um calote? Por favor…

As autoridades deveriam estar preocupadas em preservar as vítimas desse modelo de extorsão. E não me chamem de preconceituoso, por favor. Esse é um clichê que nada acrescenta. Quando a medida foi tomada em outros estados, escrevi sobre o tema. Vale o registro do post Inclusão social é… Criar curso para flanelinhas!:

“Vejam como a fusão do ideário politicamente correto com a falta de competência administrativa vão corroendo o bom senso. Diz o ditado que quando um problema não tem solução, solucionado está. É uma forma de resignação positiva, que convoca o sujeito a mudar o enfoque e as ações para se relacionar com alguma dificuldade. Mas como quase tudo no Brasil, a coisa ganhou ares de política social.

Tem gente catando lixo nas ruas? Ora, vamos legalizá-los e organizar cooperativas, distribuir carrinhos com propagandas de governos para os catadores e comemorar a importância desse trabalho para a preservação do meio ambiente. A violência está grande? Vamos patrocinar um seminário para constatar que equipar melhor a polícia e construir presídios não é a solução. Bom mesmo é fazer mesa redonda, enquanto o crime avança.

Para acabar com o subemprego, vejam só, basta elevá-lo à categoria de emprego regulamentado. Quem for contra é reacionário! Aguardem que em breve outras cidades acompanharão Brasília e Porto Alegre, que partiu na frente. Já imaginaram um curso para flanelinhas? ‘Caro aluno, sinalize para o manobrista com mais simpatia e aborde-o com um cordial bom-dia, antes de solicitar o salário’. É dose!

E vejam como a questão é capciosa. As pessoas saem procurando flanelinhas, para só então estacionarem os seus carros? Claro que não, pelo contrário. O que existe é coação implícita e, algumas vezes, explícita, como nas ruas próximas a casas de shows. Por que alguém paga a um flanelinha? Ora, para evitar “problemas”. E muita gente ainda sente culpa por não gostar de ser intimidado, por ser praticamente obrigada a pagar por um serviço que não quer.

E assim seguimos, com nossos representantes propondo soluções vazias na base do lero-lero. Daqui a pouco vão regulamentar a profissão de mendigo, nomeando-a pomposamente de ‘promotores da filantropia alheia’. Como poderemos exercer a caridade sem eles? Fica a dica para os nossos humanistas solidários.

A refinaria não vem para o Ceará. O que mais falta acontecer para isso ficar claro?

O caso da prometida refinaria de petróleo para o Ceará já não pode ser visto apenas como uma certeza adiada, constantemente, por contratempos técnicos. Não cola mais. É preciso entender que a refinaria consiste essencialmente numa promessa cujo objetivo primeiro foi buscar votos, e segundo, dar a impressão de que obras estão sendo feitas.

O empreendimento constou das promessas da campanha de reeleição do presidente Lula – com direito a imagens computadorizadas. A lógica era simples: o primeiro mandato era para arrumar a casa e o seguinte para fazer do Brasil um canteiro de obras. Vale lembrar que não apenas Lula que se beneficiou dos dividendos eleitorais dessa conversa. Governadores subscreveram-na. No Ceará, os eleitores pagaram para ver. E continuam pagando.

As notícias sobre um novo adiamento para o INÍCIO das obras da refinaria mostram mais um capítulo do truque.

Diário do Nordeste – Refinaria não é mais garantida para 2013.

O Povo – Petrobras reavalia projeto da refinaria cearense.

Diário do NE – Cid minimiza atraso na usina.

O Estado – Adiamento da refinaria gera revolta.

A refinaria não virá para o Ceará. Seu anúncio serviu apenas para fazer volume a outras lorotas, como a Transnordestina, o PAC e a transposição do São Francisco. Alguns ainda preferiram sonhar acreditando que, sendo uma empresa de economia mista, a Petrobras teria recursos e know how para realizar a promessa de Lula e assim ter algo para mostrar ao público. Enganaram-se. A Petrobras, digamos assim, tem outras prioridades a atender, como mostra o superfaturamento da refinaria de Pernambuco.

O contraste entre a grandiosidade do que é anunciado e a escassez do que efetivado é gritante. Deveria ser constrangedor também. Mas a vergonha pressupõe honradez. Várias vezes comparei o presidente com Zé do Burro, o personagem do premiado filme O Pagador de Promessas (962), de Anselmo Duarte. Para Zé do Burro (Leonardo Villar), trabalhador humilde e homem de valor, promessas eram compromissos em nome dos quais valia arriscar até a vida, e as palavras tinham o peso de uma cruz. É que ele se levava a sério…

Nunca um governo tão carente de realizações foi tão popular. E o segredo não é apenas  o populismo assistencialista. Falta cobrança. A oposição é fraca a ponto de não conseguir explorar uma realidade que salta aos olhos. A base aliada de Lula no Ceará sabe bater palmas como poucos, mas seu entusiasmo febril é inversamente proporcional a ausência de investimentos do Governo Federal no Estado. Quanto mais são ignorados, mais aduladora ela se mostra, na esperança de ser agraciada com algum mimo no futuro. O resultado colhido, como sempre, é mais desprezo e mais promessas.

PS. No próximo governo, os petistas saberão cobrar a refinaria com ares de indignação.

PS2. O governo afirma que uma refinaria é algo complexo, que não é algo que se compra e instala. Se isso não é cinismo, então, supondo que José Serra seja eleito, os atuais gestores irão entender se ele prometer mais três refinarias para serem construídas lá por 2030. Afinal, é tudo tão complexo…

Greve boa é no governo dos outros

A Justiça considerou a greve dos policiais civis ilegal. Na decisão, o juiz da 7º vara da Fazenda Pública, Carlos Augusto Gomes Correia, afirmou:

“Mesmo reconhecendo o direito de greve dos servidores públicos, entendo que existem limites a esse direito e mesmo sua proibição, posto que nenhum direito é absoluto. Em certos casos, para algumas categorias específicas de servidores públicos, justifica-se a proibição, não em razão do status do servidor, mas em decorrência da natureza dos serviços prestados, que são públicos, essenciais, inadiáveis, imantados pelo princípio da predominância do interesse geral, principalmente os serviços prestados por grupos armados como a polícia civil, que para este efeito ocupam posição análoga à dos militares, em relação aos quais a Constituição Federal  proíbe a greve”.

Perfeito! Por que não se fazem greves no setor privado? Ora, porque ninguém é obrigado a trabalhar numa determinada empresa. Fica se quiser. De resto, existe a Justiça do Trabalho para enquadrar empresários desonestos.

Mas a decisão não implica dizer que o governo estadual é virtuoso. A gestão, que ao lado de aliados dos governos federal e municipal, se orgulha de ser “progressista”, é composta por um bocado de gente que sempre apoiou greve contra o governo dos outros.

O magistrado expressou suas convicções que de maneira alguma podem ser classificadas como demagógicas. Ele não precisa. Mas boa parte dos que se beneficiaram dela invadiram a sede da Coelce, recentemente. Agem ao sabor das circunstâncias em busca de dividendos eleitoreiros. Olho neles no futuro. Se Dilma perde, serão os primeiros a incitarem funcionários públicos a fazerem greves.

Como o patrão de esquerda encara o companheiro trabalhador grevista?

Cid Gomes, do Partido SOCIALISTA Brasileiro, avisou que cortará o ponto dos policiais civis que permanecerem em greve. “A determinação minha, pessoal, é que o ponto seja cortado e que seja descontado do salário”, disse o governador.

Particularmente acho – e muita gente fica desconfiada de que sou um radical quando digo isso – que greve é coisa do passado. Fazia sentido até o começo do século 20, ou até meados dele, quando as normas trabalhistas eram frouxas. Mas agora esse instrumento é anacrônico. Ou pelo menos, em certos casos, foi banalizado. Os professores, por exemplo. Sempre fazem greve, mas se recusam e protestam quando instados a prestarem exames de desempenho.

Estou sem tempo, porque tenho que trabalhar. E trabalho porque preciso e sobretudo com o que gosto. Minha remuneração foi acertada antes. Se não gosto, se acho que estou mal remunerado – como já aconteceu – invisto no conhecimento e no aprimoramento e busco alternativas. Como aconselhava o capitão Nascimento, pedia para sair. Fiz isso. Mas essas são considerações pessoais.

Que os policiais façam greve, é um direito deles assegurado pela lei. A ameaça do governador me parece um tanto açodada, afinal, apenas ontem a Procuradoria Geral do Estado (PGE) deu entrada, na Justiça, numa ação cautelar questionando os requisitos legais para a decretação da greve por parte do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpoci).

De qualquer forma, vale a máxima do escritor e jornalista mineiro Otto Lara Rezende:

!PATRÃO DE ESQUERDA SÓ É BOM ATÉ O DIA DO PAGAMENTO”.´

PS. Como explicar a contradição entre discurso e prática? Resposta: é a dialética (a malandragem conceitual mais bem sucedida da história).

Ainda sobre a Comissão emPACada

Com a saída dos representantes do PSDB, PDT e PR, a Comissão de Fiscalização das obras do PAC no Ceará, criada na Assembleia Legislativa, agora contra com uma formação composta integralmente por aliados do governo Lula, conforme mostra matéria do DN desta sexta:

Só aliados do Governo na AL estão no novo grupo
Os novos nomes anunciados, ontem, pelo presidente da Assembleia, Domingos Filho (PMDB), são os dos deputados Lula Morais (PCdoB), Manoel de Castro (PMDB), Stanley Leão (PSDC) e Edson Silva (DEM). Os demais que já faziam parte do colegiado são os deputados Augustinho Moreira (PV), Welington Landim (PSB), Guaracy Aguiar (PMDB), Nelson Martins (PT), Dedé Teixeira (PT), Rachel Marques (PT). Quase a metade da comissão é de suplentes que estão hoje substituindo os titulares.

Pois é. Além de ser chapa-branca, a comissão ainda é feita por um bocado de suplentes. Só resta concordar com o deputado Fernando Hugo (PSDB): “Essa comissão (do PAC) já nasce corroída de representatividade”.

Mas a questão ainda enseja uma consideração. Boa parte da mídia cearense – especialmente os analistas políticos – embarcou na versão de que o problema da comissão são os interesses políticos que fariam dela apenas palco de disputa entre aliados e adversários do Governo Federal.

Ora, essa é uma tremenda bobagem. É natural e desejável que um parlamento manifeste disputas políticas entre situação e oposição. Se for só para concordar, basta haver governo. Se for apenas para ser técnico, que se substitua eleições por concursos. Mesmo quando existe consenso em determinadas matérias, isso é feito à luz de interesses… políticos. A forma como essa crise tem sido avaliada dá margem à falsa ideia de que tudo é a mesma coisa. Uns dizem que o PAC existe, outros que não, e temos um empate entre as partes.

Para a imprensa, resta evidente, ou deveria restar, que somente a existência dessa confrontação já é em si estranha. Afinal, se as obras existem numa pujança como “nunca vista na história desse país”, como poderia prosperar a suspeita de que o PAC é apenas uma peça de propaganda? Quem defendesse a tese indo contra os fatos, correria o imenso risco de ser ridicularizado.

Alguém por acaso chegou a colocar em dúvida se o Aeroporto Internacional Pinto Martins, o Porto do Pecém, o Eixão das Águas, o Castanhão e Nova Jaguaribara, se alguma dessas obras realmente existiam? Claro que não! Caso algum oposicionista da época assim procedesse, seria desmoralizado por, atenção, IMAGENS REAIS (computação gráfica não vale neste blog).

Arthur Bruno (PT), por exemplo, fez manifestação para impedir a INAUGURAÇÃO do aeroporto. Levou até um corretivo da polícia. Chico Lopes (PC do B), quis mudar, para a INAUGURAÇÃO, o nome do Porto do Pecém para Padre Cícero (é um comunista de fé, apesar do materialismo científico). Ou seja, havia um trabalho para desqualificar o que de fato existia, mas existência seus críticos jamais poderiam negar. Isso ocorria, vejam só, por disputa política. No final, Tasso Jereissati ganhou fama de realizador. Não tem jeito.

E hoje? Ora. Os governistas temem uma simples fiscalização. Fazem disso um problema. Deveriam estar felizes, uma vez que, existindo o PAC, as imagens de suas realizações falariam por si, revelando a mentira de quem diz o contrário. Mas para que isso aconteça, é preciso contar com a singela colaboração da realidade.

Voltei com o carro danificado pelos buracos da CE 060

Final de semana com a família na região serrana de Pacoti. Nos últimos dias o site do governo do Estado tem anunciado o empenho do governador Cid Gomes na recuperação da malha viária do Ceará. Propagandas na TV também dão conta dessa preocupação. E tome imagens de estradas perfeitas e bem sinalizadas.

E no entanto, apesar de tanto alarde, vejam só, voltei da pequena viagem com um pneu e a proteção do motor avariados por causa dos buracos na CE 060. A situação é terrível.

Certamente eu me apressei ingenuamente em acreditar que as propagandas apresentavam o resultado final de uma obrigação óbvia. É que as cosias são feitas aos poucos, mas com a devida fiscalização do próprio governador (ler Governador avalia andamento de obras das rodovias estaduais). Se os buracos na 060 ainda não foram consertados por causa de alguma escala de prioridade, nem quero imaginar como estavam as outras.

Enquanto as estradas não são recuperadas por completo (culpa das chuvas, diz o governo), fico assim gastando duplamente. Primeiro com o conserto do meu carro, e segundo com as propagandas que mostram estradas perfeitas e bem sinalizadas na televisão, custeadas com o dinheiro do contribuinte.

Meia notícia pode render um mentira inteira

O site Congresso em Foco publicou na sengunda-feira (27) a seguinte matéria: Sarney foi o mais faltoso do primeiro semestre. Otexto falava sobre a assiduidade dos parlamentares no Senado, contabilizando anotações de presença, faltas e ausências em plenário. As informações foram tabuladas nessa tabela.

Um dia depois, o jornal O Povo abordou o tema na matéria Faltas dos cearenses, para relatar o desempenho dos três senadores que representam o Ceará.  Curiosamente o jornal mostrou apenas parte das informações disponíveis, deixando de lado outras essenciais para a correta compreensão do público. No final, O Povo mostra o seguinte resumo:

O percentual desconsidera os períodos de licença ou viagem em missão oficial
TASSO JEREISSATI. 3 sessões; 5,5% de faltas
PATRÍCIA SABOYA. 1 sessão; 2,5% de faltas
INÁCIO ARRUDA. 1 sessão; 2% de faltas

“Esquecimento”
Engraçado que O Povo utilizou as faltas mas não mostrou as ausências (que é a soma de faltas e licenças), como fez Congresso em Foco. Nesse segundo ponto, Patrícia Saboya (PDT), apesar de ter apenas uma falta, contabiliza 21 ausências (35% do total).  O senador Inácio Arruda (PCdoB), tem 12 ausências (20% do total). Já Tasso Jereissati, apontado como o “menos assíduo” pelo O Povo, tem apenas 8 ausências (13,3% do total) resgistradas nas sessões de trabalho.

Ou seja, dado o critério de presença física no Senado, dos três senadores, o tucano é o mais assíduo. Deve ter sido um esquecimento na hora de compilar o material.

Presidente de banco estatal faz campanha política para correligionário

Caros leitores, vamos fazer um breve exercício de lógica comparativa.

Premissa 1
Imaginem o presidente de um grande banco de fomento público, filiado a um partido político, aproveitando-se da visibilidade que a função lhe confere para fazer propaganda da candidatura de um correligionário que atua em seu estado de atuação.

Premissa 2
Imaginem agora personagens. Pensem no ex-presidente do Banco do Nordeste do Brasil, senhor Byron Queiroz. Ele não era filiado a nenhum partido, mas próximo dos tucanos cearenses. Pois façam de conta que, procurado pela imprensa em função de seu cargo, Queiroz aproveitasse para defender a candidatura de Tasso Jereissati ao Senado. O que diriam seus adversários e a imprensa? Achariam natural ou apontariam, com razão, um evidente conflito de interesses?

Premissa 3
Da coluna Vertical, do jornal O Povo desta segunda:

CRÉDITO – Se depender do presidente do BNB, Roberto Smith, o ministro José Pimentel (Previdência) disputará vaga de senador pela base aliada de Lula no Ceará. “Um político sério, trabalhador, simples e, acima de tudo, compromissado com as causas do partido e da população”, justifica.

Conclusão
Eis um absurdo que precisa ser denunciado. Como cidadão, o senhor Smith pode ter suas preferências, evidente. Mas isso é questão de foro íntimo. Como gestor de um banco público – e é essa condição que lhe dá visibilidade – precisa agir com sobriedade, longe das disputas eleitorais, para evitar que se confunda o seu trabalho, que deveria ser técnico, com sua condição de militante político. 

Por não saber separar as coisas, o presidente BNB corre o risco, melhor, assume a possibilidade real, de que se lancem suspeitas sobre eventuais doações eleitorais que empresas que tenham relações com o banco façam para candidatos apoiados por ele.

Agora, em virtude disso, é preciso que a Justiça Eleitoral fique atenta para o risco de bancos públicos serem utilizados para o financiamento indireto de campanhas. Sabem como é, como diz o ditado, a ocasião faz o ladrão.

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