Category: Educação

A lição que não queremos aprender

Artigo publicado originalmente no jornal O Estado

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, a Unesco, divulgou relatório no final de janeiro deste ano demonstrando que a qualidade do ensino nas escolas brasileiras é inferior a de países como Paraguai, Equador e Bolívia. Das 128 nações avaliadas no estudo, o Brasil ficou em 88º lugar. Em 2004, o país estava em 72º lugar.

Segundo a Unesco, os principais gargalos da educação no Brasil são a má qualidade e a infraestrutura física precária. Alguns dados são constrangedores. Mais de 17,8 mil escolas não têm energia elétrica e só 37% possuem bibliotecas.

Diante de dados coletados com metodologia elaborada por pesquisadores renomados, o Ministério da Educação considerou os números “estranhos”, alegando que houve ampliação do ensino fundamental para nove anos e queda na evasão. Seria interessante e útil se os burocratas do ministério explicassem como redução de evasão e mudanças nominais de classificação poderiam conferir qualidade ao conteúdo ministrado nas salas de aula.

A posição vexaminosa do Brasil na educação seria “estranha” se a pesquisa da Unesco fosse uma anomalia que destoasse de outras avaliações. No entanto, nossos estudantes secundários tiram sistematicamente os últimos lugares no Pisa – Programa internacional de avaliação promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na última avaliação, em 2007, o Brasil ficou no 52º lugar, dentre os 57 países participantes.

Durante muito tempo imaginei que essa precariedade de resultados fosse resultado de uma tradição de descaso, mas que isso seria paulatinamente corrigido com o ingresso de uma nova geração de professores com formação acadêmica adequada e mais preparados para o desafio da pedagogia. A pesquisa da Unesco revela que, ao contrário, estamos piorando.

A conclusão não pode ser outra: licenciaturas e diplomas de professores não são garantia de qualidade na educação das nossas crianças, pelo simples fato de que as nossas universidades não conseguem produzir educadores. Formam, quando muito, meros propagandistas ideológicos aptos a ensinar analfabetos a escrever o básico. O importante mesmo é ensinar a historinha de que candidatos de esquerda estão do lado dos trabalhadores.

É a pedagogia da luta de classes, que não prepara o indivíduo para pensar por conta própria, que rejeita os conceitos de competitividade, concorrência e livre iniciativa. Nossas crianças são educadas a esperar pelos favores do papai-Estado. Eis o resultado.

A mentira como norma social

Artigo publicado originalmente no jornal O Estado

A hegemonia esquerdista no sistema educacional brasileiro produziu uma espécie de patologia que, de tão generalizada, virou norma. Vivemos um permanente estado de esquizofrenia coletiva, imersos num mundo de fantasia onde tudo o que existe resulta da luta maniqueísta entre a direita malvada e a esquerda angelical. Para os nossos alunos, essa premissa é um dado real e natural cientificamente comprovado, tal como a lei da gravidade. Isso é chamado de “trabalho de base” pelos agentes que o promovem.

Tais estudantes, claro, crescem e ocupam espaços no mercado de trabalho, onde acabam por reproduzir as manipulações das quais foram vítimas, agora com a autoridade de um “profissional” devidamente qualificado. Na imprensa, essa condição permitiu o massacre midiático da verdade dos fatos pela propaganda ideológica.

Por isso, episódios escancaradamente produzidos para reescrever o passado e enganar o público – no melhor estilo stalinista -, são recebidos sem a devida crítica capaz de restabelecer a realidade falseada. E de tão repetido, o expediente passou a ser absorvido inconscientemente como algo fidedigno e inquestionável.

No último dia 21 de dezembro, a ministra da Casa Civil e candidata ungida do Planalto à Presidência da República, Dilma Rousseff, chorou durante solenidade de entrega do Prêmio Direitos Humanos 2009 à senhora Inês Etiene Romeu. As duas atuaram como extremistas de esquerda numa guerra contra extremistas de direita nos anos 60 e 70. Inês foi presa e torturada por agentes da ditadura brasileira. Ambas pertenciam a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização terrorista que, entre outros crimes, assassinou o capitão do exército americano Charles Rodney Chandler, destino do qual a premiada Inês foi poupada.

Na imprensa, a versão vigente é de que elas lutavam pela reposição do regime democrático no Brasil. Falso! Essas senhoras queriam mesmo era implantar outra ditadura, baseada nos princípios de uma doutrina genocida e torturadora por excelência: o comunismo. Para isso, a dupla estava disposta a fazer (e fez) o que agora condena. E sem arrependimentos, pelo contrário.

Transformar apologistas e operadores do totalitarismo em campeões da liberdade e defensores dos direitos humanos é uma daquelas inversões que deveriam estarrecer a opinião pública. Não foi o que aconteceu. A preocupação geral era com o novo cabelo da companheira Dilma. E assim seguimos: esquizofrenicamente perdidos entre mentiras e irrelevâncias, porém, felizes.

Você conhece Friedrich Hayek? O que pensou Joaquim Nabuco? Fuja da doutrinação e procure suas respostas

PANFLETO_FA7_UFCA academia brasileira está prestes a testemunhar uma empreitada intelectual inédita no país. De Porto Alegre a Fortaleza, um grupo de jovens intelectuais percorrerá 13 cidades durante o mês de outubro com uma missão: apresentar aos estudantes universitários brasileiros o pensamento libertário, de apoio ao livre mercado, paz e direitos individuais.

O objetivo é apresentar diretamente a tradição liberal, muito distante das caricaturas inventadas por seus oponentes intelectuais, de direita e esquerda, como “neoliberalismo”. A iniciativa é do OrdemLivre.org, projeto da Atlas Economic Research Foundation em cooperação com o Cato Institute, dois think tanks sediados em Washington, sem vínculos partidários e sem qualquer patrocínio estatal. Todo o financiamento do OrdemLivre.org vem de contribuições voluntárias e da venda de publicações. O projeto consiste na realização de seminários nas principais instituições de ensino do país (UFGRS, UFSC, Unicuritiba, USP, FAAP, Faculdade Mario Schenberg, Ibmec-MG, UFMG, UFES, UFBA, UFAL, UFPE, UFRN, UFC e FA7) com conferências versando sobre crise econômica, globalização, socialismo, cultura.

As idéias de liberdade individual são universais, e unem pensadores como Joaquim Nabuco e Friedrich Hayek, mas suas aplicações encontram resistência de grupos de interesse que se beneficiam do status quo. O objetivo é convidar alunos e professores de todas as áreas do ensino para participar de um diálogo aberto que associe a teoria à prática das políticas públicas.

“Por décadas, os intelectuais de esquerda foram praticamente os únicos a apresentar aos estudantes brasileiros uma causa política baseada em princípios”, diz Diogo Costa, coordenador do OrdemLivre.org.

“Chegou a hora de mudarmos esse paradigma, e mostrar o liberalismo como um ideal sublime que promove a paz e a prosperidade, e que não tem um histórico sangrento como o do socialismo”.

Bruno Garschagen, gerente de relações institucionais do OrdemLivre.org, completa: “o debate entre diferentes correntes filosóficas é necessário para que a Universidade não fique refém das ortodoxias do pensamento de esquerda e permita aos estudantes o acesso a autores e obras liberais”.

Participarão da turnê: Adolfo Sachsida (economista), Bruno Garschagen (cientista político), Diogo Costa (cientista político), Hélio Beltrão (economista), Lucas Mafaldo (filósofo) e Rodrigo Constantino (economista).

As palestras em Fortaleza acontecem em dois horários. Na UFC, das 8 às 12h, no auditório Geraldo da Silva Nobre (Avenida da Universidade, 2486). Na FA7, das 18 às 22h, no teatro da faculdade (Rua Almirante Maximiniano da Fonseca, 1395). Repetindo: dia 23 de outubro.

Aos patrulheiros do blog

Ei, psiu! Você mesmo que anda me patrulhando. Quero dizer algumas palavras que não são dirigidas a sua pessoa em especial. Fazer isso seria negligenciar as causas de um fenômeno mais complexo. No fundo, não o vejo como má pessoa. Por isso essas linhas resumem um esforço interpretativo de um quadro geral no qual você está inserido, provavelmente sem se dar conta disso, por obra de um processo educacional deficiente.

Saiba, desde já, que aquilo o que você entende por isenção jornalística não passa de subserviência a uma agenda político partidária cuidadosamente elaborada e minuciosamente trabalhada durante os últimos 40 anos no Brasil. Evidentemente você não dispõe das ferramentas conceituais ideais para entender certos processos de dominação cultural que fazem a assimetria no debate público parecer algo normal na sua visão. Aliás, você nem sequer vê assimetria. Por isso tentarei ser o mais didático possível.

A quase totalidade dos jornalistas hoje no Brasil foram formado a partir de um projeto de “hegemonia” adaptado da obra do pensador comunista italiano Antonio Gramsci. Assim, caro patrulheiro, seus professores queridos lá da faculdade de jornalismo – os intelectuais – eram na verdade agentes de influência imbuídos da missão de preparar profissionais aptos a enxergar o mundo, e também a julgá-lo, de acordo com “imperativos categóricos” definidos pelo Partido Comunista. No Brasil, o ator desse enredo é mais amplo e por isso mais capilarizado: é o movimento esquerdista quase inteiro, com suas várias nuances. No princípio, o trabalho foi coordenado por grupo consciente do que fazia, mas depois, com o tempo, a prática virou regra e a regra virou vício até ser incorporado ao senso comum. Daí que no Brasil os jornalistas chamam Fidel de “presidente” ou “líder” cubano, e nunca de ditador, tudo com a maior naturalidade e sem o menor estranhamento.

Dominadas as escolas e as faculdades, o passo seguinte foi o da “ocupação de espaços” nos veículos jornalísticos. Sim, os “patrões” tinham a propriedade material desses instrumentos, mas não dispunham dos corações e mentes de seus operadores. Feito o “trabalho de base” nas redações, a esquerda nacional conseguiu impor seus critérios ideológicos como se fossem a única norma existente, a única norma possível do bom jornalismo.

Portanto, entenda o seguinte: o que você imagina ser pensamento crítico é na verdade propaganda esquerdista inoculada desde a escola até a universidade, quando você aprendeu que ser jornalista é ser um “agente de transformação social” (a senha politicamente correta para militante). O seu trabalho não consiste em informar o público, mas fazê-lo dócil para a absorção inconsciente de um hábito. Com você, esse público aprende que certas “causas” são justas em suas origens, como o ambientalismo e os movimentos sociais, entre outras, sem questionar sua vinculação com partidos políticos e o acesso privilegiado que seus líderes tem ao dinheiro público. Aliás, para você, fazer tais questionamentos é um ato de lesa-pátria, de traição ao que há de bom no mundo, é, em suma, ser de direita, o maior dos pecados. Isso é discriminação ideológica, mas longe de você se imaginar alguém capaz de discriminar, não é?

Essa formação se alia ao espírito corporativo das categorias. Assim, quem quer que destoe dessa postura, cínica e convenientemente chamada de preceito ético pelos que a normatizaram acaba por ser rapidamente rotulado de direitista, reacionário, etc. No fundo, você não tem a mínima ideia do que seja direita ou conservadorismo no Brasil e ndico a leitura de Paulo Mercadante)mais ainda no mundo (i, uma vez que essas informações lhes foram negadas na sua educação. Você apenas apreendeu, como um animal amestrado, os preconceitos e as distorções sobre essas linhas de pensamento político. E as repete com ares de sapiência, tal como seus colegas.

Assim é que você, ao ler o meu blog, se assusta. E para matar a semente de qualquer dúvida que possa abalar as certezas que lhe garantem a paz de espírito (o trio luta de classes, maniqueísmo e dialética lhe bastam para explicar o mundo) você passa a me difamar, alertando os demais contra o perigo daquilo o que digo e penso, na certeza de que age candidamente pelo bem geral do jornalismo. E aí, voluntariamente, você escolhe a ignorância que um dia lhe impuseram.

Exploradores de neurônios

Segue abaixo trecho do comentário que recebi de um leitor pelo Paul Singer não tem vergonha. É o homem certo no lugar certo. Seu conteúdo constitui um exemplo bem acabado de como a educação brasileira, focada exclusivamente na adoração de surrados paradigmas marxistas, prende suas vítimas lá nos calabouços do pensamento político do século 19. Retomo em seguida.

Acho importante quando os interesses de classe são especificados de forma sincera, como esse texto se coloca. O Sr. Paul Singer deveria ser mais respeitado pela sua vida intelectual, sempre se contrapondo ao Modo Capitalista de Produção e seu famigerado sistema de relações de trabalho. Que desde a revolução industrial (sic), impôs aos trabalhadores e trabalhadoras (sic) a lógica da exploração como condição única de existência:

*os patrões mandam, os trabalhadores executam
*os patrões acumulam, os trabalhadores são expropriados
*os patrões acumulam e os recursos naturais expropriados (sic).

O começo até parece um elogio, mas não passa de uma tentativa de desqulificar minha argumentação com mera rotulação. É o máximo que um esquerdista médio pode alcançar em um debate. O leitor me acusa de estar a serviço de interesses de classe que, pelo critério dele, seriam moralmente indefensáveis. De um lado os bons, que são contra a exploração; de outro, os maus, que apostam na miséria dos outros. É a pedagogia do oprimido burro. O que o estudante brasileiro entende por direita corresponde ao que a esquerda acha da direita.

Em seguida, o coitado, que aprendeu na escola que a teoria da exploração de Marx é um advento da natureza, como a Lei da Gravidade, acaba por misturar alhos com bugalhos. Quando ele fala em EXPROPRIAÇÃO, na verdade quer falar em EXPLORAÇÃO. São coisas distintas. Expropriar é transformar a propriedade privada em propriedade coletiva (é um eufemismo para roubo). Explorar é que significa lucrar com o trabalho alheio.

Mas mesmo esse conceito de exploração não pode ser tomado como uma verdade incontestável. O próprio Marx morreu sem conseguir equacionar um problema crucial para o seu pensamento. Por isso ele não publicou o terceiro volume de O Capital.

A exploração, para Marx, podia ser comprovada pela mais-valia, que é o número de horas que o trabalhador é obrigado a cumprir para gerar lucro. Quanto mais horas na linha de produção, maior a exploração e maior o lucro do capitalista. Mas acontece que no final do século 19, a jornada de trabalho na Inglaterra foi reduzida para oito horas diárias – antes era brutal, coisa de 16, 18 horas por dia. No entanto, isso ninguém fala nas salas de aula, mesmo com a redução da mais-valia os lucros aumentaram, provando que a Teoria da Exploração de Marx era furada. Só no Brasil (talvez em Cuba) é que ela ainda é levada a sério.

A relação entre tempo e exploração só é verificável mesmo é no processo educacional brasileiro, que, em nome da doutrinação política, troca neurônios por fidelidade ideológica.

PS. A própria tese de Acumulação Primitiva do marxismo é bem questionável, uma vez que não existe modo de produção que prescinda de investimento inicial para executar uma produção. Mas isso fica para outro texto.

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