Category: Factóide

De novo a pegadinha do PAC

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentou o nono balanço quadrimestral do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Antes, uma lembrança. No oitavo balanço, a Casa Civil “esqueceu” de contabilizar as obras de moradia que deveriam constar no PAC, e que teimam em não sair do papel. Sem elas, o número de obras feita aumentava. Quem lembra das filas de cadastro para o programa Minha Casa, Minha Vida? O truque foi desmascarado pela velha imprensa golpista de sempre.

Agora, Dilma se encheu de orgulho para dizer que, passados três anos do lançamento do PAC, o volume de dinheiro alocado atingiu 63,3% do total previsto. Seria um ritmo de “aceleração” que corresponderia a 21% ao ano. O problema é para concluir todas as obras previstas na meta, o governo terá de fazer em 12 meses o que não fez em três anos. Ou seja, em 2010 teria que aplicar os 36,7% que faltam.

Mas isso não é tudo. Esses números estão vitaminados pelo desejo de Dilma em se mostrar competente, afinal, ele será candidata. Mas a REALIDADE é outra. Como informa o jornal O Estado de São Paulo desta sexta-feira (5), “se a conta for feita considerando apenas as ações efetivamente concluídas, o cenário é mais desalentador. Passados 36 meses, as obras encerradas correspondem a 40,3% do total. Ainda assim, Dilma afirmou que houve “uma evolução bem favorável” do programa”.

Resumindo: ainda faltam 59,7% de obras do PAC para serem concluídas no último ano de governo Lula. Diante da impossibilidade do desafio – quem aposta nisso? – a solução foi, como sempre, apelar para o malabarismo retórico, distorcer números e, claro, chamar a rapaziada do marketing, que inventou um tal de PAC 2. É mole?

A gravidez de Sérgio Gabrielli é uma pseudociese

A Assembléia Legislativa do Ceará promoveu, nesta sexta-feira (20), um debate sobre o marco regulatório da exploração do pré-sal, com a presença do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Depois de umas três horas de palestras, discursos e por fim uma entrevista coletiva, os cearenses puderam constatar que, no que diz respeito à refinaria prometida em campanha pelo presidente Lula, fica tudo como está: uma promessa não cumprida.

Sobre as cobranças para que algo seja feito de concreto, o presidente da Petrobras respondeu em tom maternal: “Entendo a angústia dos cearenses, mas refinaria é como gravidez, não adianta ter pressa”.

Parece que Sérgio Gabrielli tenta emular seu chefe em matéria de metáforas, obviamente, sem aquela graça obtusa. Lula, aliás, tentou recentemente ser mais científico ao falar sobre poluição atmosférica e acabou por revelar aos desavisados que a Terra é redonda. Quem sabe se ela fosse quadrada ou retangular, como ele especulou, a refinaria não saísse, não é mesmo?

Pseudociese
Mas voltando ao Gabrielli, a comparação com a gravidez veio a calhar. Melhor seria, no entanto, lembrar da gravidez psicológica, também chamada de pseudociese, que ocorre quando o desejo de engravidar é tão intenso que a mulher chega a sentir sintomas como enjôos e pode até produzir leite, embora não exista gestação. Como podemos ver, essa comparação é a mais adequada para explicar tanta euforia diante da expectativa de parir uma refinaria, embora não se veja nenhum resultado aparecer.

Os pais
A gravidez de Gabrielli tem muitos pais. Acompanhando o lenga-lenga do obstetra da Petrobras estavam lá, sorridentes como se fossem progenitores, o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Ceará (CUT-CE) Jerônimo Nascimento (?), o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), o governador Cid Gomes (PSB), o deputados federais José Airton e José Guimarães (PT-CE), e o deputado estadual Nelson Martins (PT).

Apesar de tanta gente torcendo, parto que é bom, nada. Por enquanto fica o jogo de empurra. Gabrielli afirma que a refinaria não saiu ainda por causa de problemas legais no terreno, cuja solução caberia ao Governo do Estado. Subserviente, Cid se limitou a dizer que a Petrobras é muito melhor depois de Lula e Gabrielli.

O que importa é o projeto
O presidente da Petrobras disse que, mesmo assim, sem nada ter saído do papel, o projeto está dentro do cronograma. Indagado por jornalistas como ele poderia ter um conograma se não sabe quando o terreno será liberado, ele respondeu que isso é o que menos importa. Como se vê, estão todos contentes em ter uma planta baixa da refinaria. A construção mesmo, ora bolas, não é assim tão importante.

Manual Hiperbolation Realization de Comunicação Tabajara

Quer transformar ações pequenas em feitos arrebatadores? Sua gestão carece de obras impactantes e você precisa dizer que é dinâmico e atuante? Seus problemas acabaram! Chegou o revolucionário (no sentido figurado) Manual Hiperbolation Realization de Comunicação Tabajara! Com ele, você, gestor carente de competência, pode fazer da troca de telhas quebradas e da pintura de portas e janelas em escolinhas em fabulosas ações de “reformas estruturais que estabelecem um novo marco no ensino fundamental”.

Agora é sério
Evidentemente, o parágrafo acima é uma referência ao humorístico Casseta & Planeta. No programa, é comum paródias da publicidade rasteira e sensacionalista que tenta vender para o público produtos supérfluos como coisas fundamentais e maravilhosas. Um dos segredos dessa atividade, bem denunciada pelo humor do Casseta, é o uso da hipérbole como compensação para a falta de qualidades inatas ao que se quer passar adiante.

Essa prática – e sua lógica – podem perfeitamente ser transferidas para a comunicação política de partidos e de instituições governamentais. O melhor exemplo hoje em dia desse fenômeno é a Prefeitura de Fortaleza. Sem grandes realizações a mostrar, o negócio é caprichar no “somebody love”, para lembrar outro humorístico (a Escolinha do Professor Raimundo). Já falei sobre isso em outros posts. Venho anotando esse “desafio” que sobrecarrega a assessoria de comunicação da gestão municipal. Mas sempre que leio um texto estilo “Tabajara”, não consigo evitar um misto de consternação, ironia e indignação.

Depois de transformar, na semana passada, a implantação de um simples semáfaro com faixas de pedestres no bairro Aldeota em um “programa de recuperação da sinalização horizontal de Fortaleza”, sem esquecer de explicar a complexidade da operação: “Para implantação de um semáforo é necessária a prévia adequação das sinalizações horizontal e vertical”, agora a Prefeitura utiliza o manual Hiperbolation Realization para fazer propaganda pegando carona no Dia de Finados (notícia do site da PMF):

Cemitérios se preparam para o Dia de Finados
Com a proximidade do Dia de Finados, os cemitérios de Fortaleza começam a se preparar para receber os visitantes. No Cemitério da Parangaba (Rua Napoleão Quezado, 365), cerca de 60 homens estão  realizando uma série de melhorias para garantir o conforto e a tranquilidade de quem vai visitar seus entes queridos. As principais ações são de limpeza, pintura e iluminação, além da poda de árvores. Já no cemitério de Messejana (Rua José Severiano, s/n), que deve receber cerca de 8 a 10 mil visitantes durante todo o dia, 15 homens intensificam os serviços de capinação, varrição e pintura de meio-fio no equipamento público e nas ruas do entorno. Os trabalhos acontecem nos dois turnos, manhã e tarde, com início às 8h.

Viram como ações dignas de uma prefeitura do interior, das pequenas mesmo, podem virar “uma série de melhorias”?

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