Category: História

Comissão da Verdade? Que verdade?

Artigo publicado no jornal O Estado

Nem a religião nem a ideologia podem escamotear a essência do terrorismo

Nem a religião nem a ideologia podem escamotear a essência do terrorismo

Aprendemos nas escolas que durante a ditadura brasileira, entre os anos 60 e 70, um grupo de angelicais jovens idealistas resolveu pegar em armas para restaurar a democracia no país.

Trata-se, com efeito, de uma impostura histórica. Vivíamos, de fato, um regime de exceção, mas nem todos que o combateram tinham os ideais democráticos como valor.

É bem provável que entre aqueles que optaram pela luta armada houvesse os que se imaginavam salvadores da pátria, mas pouco importa. Se um homem bomba explode a si e a terceiros, inclusive inocentes, imaginado servir a Deus, isso não muda a natureza do ato: terrorismo.

A essência doutrinária desses movimentos de “resistência” era inspirada e financiada pelos interesses mortíferos do stalinismo e do maoísmo. Queriam substituir a ditadura militar por outra ditadura de polo ideológico invertido: o comunismo.

Nessa guerra, o estado brasileiro agiu, por muitas vezes, de forma arbitrária. Disso ninguém duvida. Isso todos aprendem nas escolas. E nada justifica a ação dos militares. O que ninguém ensina nas salas de aula é que esses grupos de radicais esquerdistas também cometeram os seus crimes e torturas.

O fato de não terem logrado êxito, somado ao fim da ditadura militar, além da hegemonia cultural esquerdista nas chamadas ciências humanas, deu a esses terroristas o cenário ideal para recontar a história. Assim, ter sofrido violência não faz de um revolucionário totalitarista um santo, a menos que você esteja no Brasil.

Alguns desses agentes que tentaram impor a ditadura comunista no Brasil – (e isso já estava planejado antes do AI-5 – v. Jacob Gorender) – querem agora criar a “Comissão da Verdade” para “investigar” abusos cometidos durante o regime militar, desde que não tenham sido praticados por guerrilheiros esquerdistas.

Diante da repercussão em ano eleitoral do evidente direcionamento ideológico da medida, o presidente Lula recuou e mudou o texto para disfarçar a intenção revanchista da medida e evitar uma crise com as Forças Armadas. Não defendo a Anistia irrestrita, diga-se. Defendo que crimes bárbaros praticados em nome da política, seja de agentes da repressão ou de terroristas de esquerda, sejam igualmente punidos. Mas isso não vai acontecer nunca.

Nas escolas ensinarão aos nossos filhos que a Comissão da Verdade, essa que ignora convenientemente que os dois lados cometeram crimes, foi atacada e sabotada pelas forças reacionárias que, garantem, agem por aí.

Lula, o Filho do Brasil: Não se faz um mito da noite para o dia

A revista Veja desta semana aborda o filme sobre a vida do presidente Lula e evidencia o óbvio: trata-se de uma construção política premeditada com vistas às eleições de 2010. Financiado por empresas privadas que possuem ligações com o governo do biografado, o filme – que ainda não chegou às salas de cinema – já é a produção nacional mais cara da história, e terá o maior esquema de distribuição já visto no país.

Veja faz o que tem que fazer o jornalismo combatido pelos que desejam domesticá-lo em benefício do atual governo. Criticou, com argumentos consistentes, a manobra político-eleitoral. Isso pode soar como heresia para os que defendem o alinhamento automático com um presidente que tem popularidade nas alturas, mas isso é coisa de militante.

Reparem nos trechos abaixo, publicados originalmente em Veja:

REALIDADE

Lula foi um líder sindical carismático e pragmático que se encaixou à perfeição no projeto de distensão política do regime militar por ser da esquerda não marxista, não alinhada com o movimento comunista internacional e, por isso, tolerada

Lula foi um líder sindical carismático e pragmático que se encaixou à perfeição no projeto de distensão política do regime militar por ser da esquerda não marxista, não alinhada com o movimento comunista internacional e, por isso, tolerada

FICÇÃO

O sindicalista Lula vira na tela um Gandhi magnânimo, infalível e incorruptível cuja bondade e sabedoria se combinam com uma visão de futuro privativa dos profetas

O sindicalista Lula vira na tela um Gandhi magnânimo, infalível e incorruptível cuja bondade e sabedoria se combinam com uma visão de futuro privativa dos profetas

Crítica – Wanfil

Esse post não é uma resenha do filma Lula, o Filho do Brasil. Mas uma reflexão a partir da reportagem de Veja, que além do acerto ao tentar oferecer ao leitores uma visão mais aprofundada do que parece ser apenas um filme,  tem o mérito de tocar no ponto crucial, que ultrapassa a questão eleitoral: a operação política e cultural, de inspiração totalitária, para fazer de um líder, um mito ainda em vida.

Mito
Veja diz que esse é o real propósito em curso. E lembra que tal manobra pode, com efeito, deturpar aquilo o que o presidente Lula fez realmente de bom e correto em seu mandato (que para mim foi negar o seu passado, agora reescrito pelo melodrama cinematográfico). E nesse ponto a revista acerta quando compara magistralmente o enredo do filme com a história de Cristo: nascimento na pobreza, destino, penitência e ressurreição (no caso, a eleição em 2002).

Mas é bom lembrar que, ao contrário do que pode parecer, construir um mito não é uma missão tão fácil. É preciso muito mais do que o cinema para isso. É preciso toda uma teia de relações sociais, populismo, poder político, carisma e  hegemonia cultural.

Processo
E assim, resta concluir que esse processo de mitificação de Lula vem de longas datas. Para isso, vale a leitura do livro Partido de Deus: Fé, Poder e Política (Alaúde editora – 2007), do historiador Luís Mir. Confiram trecho:

A CNBB necessitava (…) de uma liderança messiânica. Fabricou no ABC nos anos 1980, a partir de uma emergente liderança sindical, Luiz Inácio da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, um Antônio Conselheiro (…) redivivo, contemporâneo.

(…) Esgotado seu papel como líder sindical, a marcha libertadora, a romaria dos despojados, exigiria muito mais, ordenava a construção do mito. Os fundamentos: retirante, sofredor, cristão sincero. (…) Igual a outros milhões de retirantes, sofredores, mas, como fora escolhido (divinamente) para a missão, era o único capaz de guiar a marcha final dos pobres em direção do paraíso.

O que provocou uma tentação inabalável: não se considerar resultado de um processo histórico, muito menos a sua chegada ao poder político máximo do país como concretização, decorrência natural de uma luta política e social coletiva de duas décadas. (…)

O redivivo Antônio Conselheiro acabaria enredado por um ardil alheio a sua vontade: o povo brasileiro e os militantes do PT passam a ser seus filhos, filhos que o veneram como pai.

O muro de Berlim foi obra do socialismo

Artigo publicado no jornal O Estado

Na esteira das comemorações dos 20 anos da queda do Muro de Berlim, na última segunda-feira (9), reportagens, textos jornalísticos, ensaios e artigos rederam homenagens ao evento. Em linhas gerais, o argumento central do que pude ler e assistir centrou discurso na história da reunificação política que simbolizava o doce fim da Guerra Fria e o pacífico ocaso do socialismo soviético.

Acontece que essa sistematização simplificada dos eventos que culminaram na queda do muro serve mesmo é para escamotear a informação principal que deles podemos extrair. Afinal, por que o levantaram? Para que a compreensão integral daqueles fatos, é preciso, naturalmente, entender o contexto que os possibilitaram.

A verdade é que o Muro de Berlim representa a materialização das palavras de Churchill, ditas já em 1946: “De Stettin, no Báltico, até Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente”. E foi criado pelas autoridades socialistas da Alemanha Oriental para evitar que seus habitantes fugissem para a Alemanha Ocidental capitalista. Um alemão oriental, assim como um cubano nos dias de hoje, não podia sair de seu país. Vivia confinado em sua própria pátria.

Mas por que as pessoas queriam fugir do paraíso socialista? Por vários motivos, desde consciência política até instinto de sobrevivência. Depois do fim da Segunda Guerra, todos os países que ficaram sob domínio norte-americano, inclusive o Japão, foram devolvidos aos seus cidadãos e prosperaram. Já os países que ficaram sob a tutela da União Soviética, todos, sem exceção, experimentaram o horror de um regime responsável por aproximadamente 30 milhões de mortes causadas por fuzilamentos, enforcamentos, espancamentos, torturas e inanição forçada. Fora o colapso econômico.

Eis o sonho socialista. A imposição de uma ordem economicamente planificada e ineficaz e da supressão das divergências políticas. A disparidade entre esse modelo e o das democracias liberais é de tal envergadura que foi necessário uma intervenção física, um muro fortemente vigiado por guardas prontos para matar quem ousasse atravessá-lo. Muitos falam que outros muros precisam ser derrubados, como o da pobreza e o da intolerância, desviando o foco daquele episódio. A queda do Muro de Berlim vale pelo que é: a derrota do totalitarismo. Não foi por outro motivo que a chanceler Angela Merkel disse que a data marca uma “vitória da liberdade”.

The Soviet Story – Socialismo: por que matar é essencial?


Esse é um trecho do documentário A História Soviética, produzido pelo Parlamento Europeu – as imagens são impressionantes e irrefutáveis. Mais informações no site Soviet Story. A versão completa pode ser vista no Youtube. São imagens e depoimentos perturbadores e emocionantes, um relato fundamental para quem deseja conhecer a realidade da experiência socialista.

Para não esquecer o que foi a guerrilha do Araguaia

Artigo publicado no jornal O Estado

O sepultamento dos restos mortais do estudante cearense Bergson Gurjão Farias, militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e membro da guerrilha do Araguaia, desaparecido e morto em 1972, aos 25 anos de idade, deu margem a manifestações diversas, algumas muito justas, outras bastante equivocadas.

É certo que a tragédia que se abateu sobre o guerrilheiro, morto por forças militares em circunstâncias não esclarecidas, assim como a ocultação do cadáver, marcou para sempre parentes e amigos do jovem. Mas, infelizmente, episódios assim têm sido usados como propaganda ideológica para escamotear a natureza da guerrilha do Araguaia e a atuação do PC do B no período.

Não é possível permitir que as injustiças e a violência cometidas contra jovens militantes, muitos deles idealistas sonhadores que agiam por paixão e impulso, sirvam para encobrir o papel daqueles que recrutavam esses jovens e que hoje posam de democratas, quando, na verdade, queriam mesmo era instalar uma ditadura de pólo invertido, tão ou mais violenta quanto a já que existia: a comunista.

A guerrilha do Araguaia tem sido apresentada como um movimento pela restauração da ordem democrática no Brasil. Isso é falso. Forças revolucionárias de esquerda eram subsidiadas pelos totalitarismos soviético e chinês. O historiador Jacob Gorender, de formação marxista e ex-membro do “Partidão”, lançou na última quinta-feira (8), na Universidade de Brasília, o documentário “A Esquerda Revelada”. É uma boa oportunidade para evitar essas distorções.

“Atentados terroristas, seqüestros, assaltos a bancos estavam entre as estratégias dos partidos e facções de esquerda para implantar o comunismo no Brasil entre as décadas de 1960 e 1970”, afirma Gorender. Não é possível confundir a promoção de crimes com ações filantrópicas, apenas considerando eventuais alegações superiores.

Que se discuta os parâmetros da anistia, tudo bem. Mas que não se pense que uma causa, qualquer causa, possa servir de sustentação moral para a prática de crimes. Os fins não justificam os meios. Quem lutou por democracia no Brasil foi dom Eugênio Sales e Ulisses Guimarães, por exemplo, sem nunca incitar estudantes à luta armada.

Partidos comunistas que idolatram Mao, Che, Fidel, Lênin, Stálin e seus esbirros, não lamentam a tortura, mas sim o fracasso de suas revoluções. O resto é jogo de cena.

Lula, o estadista

Do blog do Bruno Pontes. É o homi do povu falano as verdadi, com sua honestidadi habituau. É do tempu qui ele tinha menas popularidadi.

Na tormenta com Sarney – ou O Cavaleiro da Desesperança

Artigo publicado no jornal O Estado

“É importante que o Senado esteja sendo dirigido, neste momento, pelo presidente José Sarney, porque, em meio à tormenta, precisamos de gente que tenha coragem de enfrentar as tormentas. Tem gente que não tem, afrouxa na primeira. Sarney é um homem que defendeu a democracia no Brasil, é importante ressaltar esse aspecto numa hora como a que estamos vivendo”.

Foi com essas tocantes palavras de solidariedade que o representante cearense, senador Inácio Francisco de Assis Nunes Arruda, do PC do B, iniciou um pronunciamento no Senado Federal, dia 30 de junho passado, por ocasião de uma importantíssima sessão em homenagem ao quinquagésimo aniversário da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil. A íntegra pode ser conferida  no site www.senado.gov.br.  (Ver transcrição original aqui).

Houve um tempo em que os comunistas sonhavam em instalar a ditadura do proletariado, que na verdade, como prova a História, não passa de uma ditadura como outra qualquer, comandada por burocratas do partido. Agora, os representantes dessa ideologia, pelo menos os seus líderes no Brasil, se contentam lutar por uma democracia que tem Sarney como sua personificação.

No fundo, apesar das aparências, não há nisso contradição alguma, pelo contrário. Luís Carlos Prestes, ídolo e exemplo dos comunistas brasileiros, passou a vida lutando contra Getúlio Vargas, seu inimigo. Preso com a mulher Olga Benário em 1936, Prestes amargou nove anos de cadeia, enquanto Olga foi entregue aos nazistas e executada em 1942, a mando de Getúlio. Ainda no cárcere, seguindo a orientação de Moscou, o “Cavaleiro da Esperança” passou a apoiar o regime ditatorial de Getúlio, para que este apoiasse os Aliados contra o Eixo. Pelos serviços, o revolucionário foi anistiado em 1945.

Prestes deve ser o modelo a inspirar Inácio. As convicções pessoais (inegável expressão do individualismo) e os pudores da moral burguesa devem ser deixados de lado diante das conveniências políticas da “causa”. Agora, em vez de Moscou, é Lula quem ordena aos comunistas uma aliança com velhos oligarcas. As palavras do presidente, ditas na última terça-feira (14) em Alagoas, não deixam dúvidas: “Quero fazer Justiça ao senador Collor e ao senador Renan, que têm dado sustentação ao governo em seu trabalho no Senado”. Curiosamente, todos esses acusam a imprensa de denuncismo.

Somente a disciplina de um genuíno militante comunista pode fazer alguém defender o indefensável e ainda posar de justiceiro de consciência limpa. No entanto, é preciso reconhecer que Inácio tem coragem de se expor para agradar ao comando. Seus correligionários no Ceará, o deputado federal Chico Lopes e o deputado estadual Lula Morais, pouco ou nada falam sobre o caso, certamente para se preservarem. Ou será que eles também estão ao lado de Sarney, Jader Barbalho, Renan e Collor?

PS. Foi com essa disposição “democrática” que o senador Inácio Arruda conquistou o direito de compor o Conselho de Ética do Senado. Nada mais justo.

Veias abertas do atraso populista

c-oNo mês passado, durante uma reunião da Cúpula das Américas, o ditador Hugo Chávez, presidente da Venezuela, presenteou o presidente dos EUA, Barack Obama, com um exemplar do livro As veias abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano, publicado em 1971.

Foi um dos primeiros livros que li e certamente o pior. O estilo é chato e a conclusão previsível. Sempre que um livro inspira nos leitores, desde o início, a intuição das conclusões para os problemas que ele levanta, dando a impressão de que tratar de uma verdade telúrica, universal e evidente, não se enganem: é clichê. No trabalho de Galeano, a autocomiseração desavergonhada ganha ares de indignação, truque que excita nossos progressistas de araque. Vejam o que escrevi sobre a obra, num dos primeiros textos que postei neste blog, em dezembro de 2006 (em azul):

O livro As Veias Abertas da América Latina, do escritor uruguaio Eduardo Galeano, é a bíblia da esquerda latino-americana contra o imperialismo das nações ricas, leitura obrigatória nos cursos de doutrinação ideológica das universidades brasileiras. É também, paradoxalmente, e ao contrário da tola intenção do autor, o retrato fiel da nossa baixa auto-estima, de um particular complexo de inferioridade que revela o nosso ressentimento em relação ao progresso alheio.

A obra, cansativa de doer, é uma apologia barata ao antiamericanismo. Tudo o que acontece de ruim e errado por aqui, todo o atraso e a corrupção, toda a pobreza e violência, todas as desgraças da América Latina é culpa dos Estados Unidos. Sacaram? Para Galeano não somos capazes nem mesmo de errar por conta própria, não temos responsabilidade por nada que nos aconteça. É o maior argumento da esquerda: o vitimismo. Por conta disso é que o populismo nacionalista está em voga no continente. No nosso, é claro.

O fato de Chávez ser um apreciador de Veias abertas - um panfleto travestido de pesquisa – é sintomático. É mais do que natural que um populista nacionalista use os choramingos de Galeano como instrumento político. Quando o venezuelano entregou o livro a Obama, não cabia em si de satisfação com a própria sagacidade. Parecia o Chapolim Colorado a dizer: “Não contavam com minha astúcia!”, animado que estava com a ideia de mostrar ao mundo a verdadeira natureza dos EUA: um explorador dos pobres desprovido de méritos. E na verdade, tão patética é a esquerda latino-americana, que na prática o ato corresponde a outra realidade. Chávez e os esquerdistas se extasiam mesmo é no papel de “oprimidos”. Ter orgulho em se dizer oprimido é de uma carência moral e psicológica terrível. infelizmente, é esse sentimento que viceja na AL, particularmente, nas áreas de “humanas” das universidades.

A idéia de que a nossa prosperidade depende de nossas ações e escolhas nos assusta. Os latino americanos temem amadurecer e por isso agem como eternos adolescentes, a espera de que os adultos nos reconheçam e nos ajudem. Obama olha para o futuro, busca aproximação. Assustado, Chávez olhou para trás, voltou a 1971, onde as lamúrias que nos fazem inocentes perante os nossos próprios erros serviam de compensação mimada.

Ainda sobre Che: bate-papo e dicas de leitura

Um leitor muito cortês divergiu sobre o que eu disse a respeito de Che Guevara no post abaixo. A contestação é repleta daquelas certezas que aprendemos nas  salas de aulas com professores imbuídos da missão doutrinária. O mito Che sobrevive como o libertador corajoso, o herói desapegado, o romântico e justo guerrilheiro, cheio de amor e solidariedade para com o povo sofrido, etc. Nesse conto de fadas, ele apenas fuzilou, matou, torturou e prendeu inimigos perigosos e malfeitores, que, claro, mereciam o castigo. Era uma espécie de obrigação.

Transcrevo alguns pontos do comentário crítico que recebi, pois creio que ele ilustra uma corrente hegemônica, especialmente entre os jovens, vítimas preferenciais dos molestadores intelectuais. Minhas observações seguem em azul.

Você esqueceu de mencionar que o Che foi fundamental para livrar o povo cubano da Ditadura de Fugêncio Batista. Libertando o povo da dominação escrava e desigual dos E.U.A. Perante a maioria dos países do mundo, incluindo o Brasil! Que come na cartilha do FMI.

Os fatos desmentem essa crença libertária. Che e Fidel derrubaram uma ditadura para implantar outra, e, nesse processo, Cuba ficou mais pobre ainda. A liberdade lá é tamanha que cerca de 70 mil cubanos morreram tentando fugir da fazenda dos companheiros tiranetes a nado (v. Livro Negro do Comunismo). E fogem para onde? Para os EUA. Preciso dizer mais alguma coisa?

Sobre o ministro você parece não ter conhecimento suficiente para comentar. Pois ele desenvolveu a industrialização, a auto suficiência e a educação de uma ilha tão pequena quanto um estado brasileiro.

Hummm. Dizer que a indústria cubana foi ou é relevante não dá. No mais, Che era tão bom como gestor que Fidel o dispensou para ser diplomata (foi quando ele disse, na ONU, que os fuzilamentos dos inimigos do regime socialista continuariam). Vamos pensar um pouco. Cuba simplesmente não possui indústrias, no máximo, produz charutos para exportação. Se essa autosuficiência existisse, ninguém precisaria pedir o fim do bloqueio americano… Aliás, é bom lembrar, Cuba brilhou enquanto vivia da mesada da URSS. Em certa medida, ainda sobrevive de esmolas russas. A educação cubana é outra balela. Na hora do aperto, com câncer, Fidel buscou tratamento com médicos espanhóis. Ele sabe que formação em medicina é coisa cara.

Che não aliou-se com patrões em defesa de seus interesses pessoais, não reprimiu os trabalhadores como Luizianne fez com os trabalhadores rodoviários e da construção civil. Tudo para garantir o bem estar dos grandes empresários. 

Che não se aliou com os patrões, ele apenas os matou e depois expropriou (roubou) suas posses para virar, ele mesmo, o novo patrão – o socialismo é isso, a substituição da burguesia pela elite burocrática.

Por favor, não compare o Che com Luizianne e nem Cuba com Fortaleza.

Concordo. Usei Che apenas como referência de incompetência. Felizmente, temos aqui um Estado de Direito e capitalismo. Sem isso, estaríamos fugindo a nado.

Indicação para leitura… “O Ministro Che Guevara” Tirso W. Saenz. Karl Marx “Para a Crítica da Economia Política”. Boa Leitura!!!

Obrigado pela dica. O livro de Saens eu não li. Na verdade, nem o conheço, confesso. Mas o de Marx, sim. Prefiro O Capital (mas para mim, só vale o primeiro volume, publicado quando ele ainda vivia. Os outros dois eram, a meu ver, tentativas desesperadas de correção e adaptação diante de fatos que desmentiam suas teorias, principalmente na questão da mais-valia).

Bom, em retribuição, recomendo a leitura de “Etapas do Pensamento Sociológico”, de Raymond Aron (Martins Fontes, 2002). Lá é possível ver como o marxismo é um mosaico cuja unidade é garantida por um truque metodológico: a adaptação da dialética hegliana para criar o materialismo dialético de Engels. 

Outra dica é “Capitalismo, socialismo e democracia”, de J. Schumpeter (o maior economista do século XX), (Payou, 1954 – a primeira parte “A doutrina marxista”), onde o austríaco demonstra que, do ponto de vista econômico, o marxismo não passa de “um jogo de palavras”.

Por último, para não ficar chato, a dica é “Che Guevara: uma Biografia”, de John Lee Anderson (Objetiva, 1997). Veja lá como uma mãe foi pedir a Che, diretor de La Cabana, que poupasse a vida do filho de 17 anos. Che pediu o prontuário do rapaz, preso por pichar um muro com críticas a Fidel, e mandou executá-lo imediatamente. Disse que era para a mãe não sofrer a agonia da espera. Desse humanismo, quero distância.

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