Amigos, esse texto ficou um pouco mais longo, mas vale ser lido. É uma amostra com fatos reais de como agem os propagandistas governistas na hora de difamar a imprensa. Abraço, Wanderley.
Recebi de uma grande amiga um e-mail com um texto do jornalista Leandro Fortes, da revista Carta Capital, e que tem um blog chamado Brasília, eu vi. Normalmente eu não teria lido nada da Carta Capital, a revista que nove de cada dez professores indica como exemplo de jornalismo isento. É a mesma publicação que dá descontos de 50% para assinantes que sejam filiados do PT (clique aqui e confira).

Aí está Mino Carta, dono da Carta Capital, patrão de Leandro Fortes, em flagrante de isenção jornalística
A revista é uma espécie de central para abastecer de argumentos a militância esquerdista. Funciona mais ou menos assim: o núcleo pensante do partido, formado por intelectuais e políticos graduados, analisa o problema e emite versões sobre o ocorrido. Em caso de ataque a adversários, são comuns discursos de difamação, boatos, teorias conspiratórias e mentiras que, associadas a fatos reais de conhecimento público, ganham verossimilhança. Em caso de defesa, quando pegos com as calças na mão, a preferência é por discursos de desinformação, contrainformação, teorias conspiratórias, além da tradicional ativação de chavões anteriormente disseminados nas escolas e universidades.
No terceiro momento, cabe ao exército de formadores de opinião – que orbitam os centros de produção retórica – espalhar as peças de ataque ou defesa que lhes foram repassadas. Leandro Fortes está nessa posição. Portanto, exercendo o seu papel de agente de influência, o citado jornalista escreveu o post que me foi enviado. Ele faz o estilo agressivo, talvez na intenção de intimidar e de mostrar que suas opiniões são verdades nascidas da indignação, repletas de adjetivos degradantes. Transcrevo abaixo alguns trechos e depois comento.
Petrobrax para iniciantes
Eu estava mesmo querendo falar sobre essa incrível cruzada ao fundo do poço que a oposição, PSDB à frente, decidiu empreender contra a Petrobras, justo no momento em que a empresa se posiciona como uma das grandes do planeta. Sim, a inveja é uma merda, todo mundo sabe disso, mas mesmo a mais suntuosa das privadas tem um limite de retenção.
Como não se faz CPI no Brasil sem um acordo prévio com publishers e redações, fiquei quieto, aqui no meu canto, com meus olhos de professor a esperar por um bom exemplo para estudo de caso (…) Pois bem, esse dia chegou.
(…)
Assinante do UOL há cinco anos, é com ele que acordo para o mundo, o que não tem melhorado muito o meu humor matutino, diga-se de passagem. De cara, vejo estampada, em letras garrafo-digitais, a seguinte manchete: Petrobras gastou R$ 47 bi sem licitação em seis anos.
Wanfil
Fortes lembra em seu texto que a própria matéria da FSP revela que o governo FHC gastou R$ 25 bilhões com dispensas de licitação na Petrobras entre 2001 e 2002, mas vê nisso um truque, pois a informação, no seu entendimento, deveria ter composto a manchete, fazendo menção ao gasto do governo anterior, como se isso fosse uma obrigação normatizada. Todo enfezado, ele ensina como deveria ter sido a manchete: Petrobrás gastou R$ 72 bi em contratos sem licitação, em oito anos. No fundo, Fortes deseja provar duas coisas. Primeiro, que todos são iguais quando o assunto diz respeito a qualquer investigação sobre as denúncias contra o petismo, desqualificando assim a acusação; segundo, que a Folha de São Paulo trabalha para tucanos, assim com Carta Capital trabalha para petistas. Daí a chateação com o título da matéria. Para esses fiscais do jornalismo, quando existe alguma suspeita contra o PT, só pode existir isenção se essa suspeita for estendida ao PSDB.
Em seguida, Fortes passa pelo vexame de ser contradito em seu próprio blog pelo autor da matéria, Rubens Valente:
(…) Não faça isso: não elimine, ao informar os internautas, uma parte fundamental da matéria que escrevi. Eu escrevi que a própria atual gestão da Petrobras disse não ser possível nenhuma comparação entre os números das gestões Lula e FHC, já que entre 2001 e 2002 o país viveu um apagão histórico, o que gerou gastos sem licitação muito além do normal. Seria um erro tremendo comparar duas realidades incomparáveis. E a própria atual gestão da Petrobras concorda com isso (em casos de emergência, como um apagão, a lei 8.666 abre espaço para a dispensa da licitação). Essa informação está no meu texto original, mas vc omitiu-a do seu post.
Como sempre acontece com esses valentões que são ferozes apenas quando estão entre amigos, Leandro Fortes, contestado pelo repórter da Folha, deu pra trás e tratou logo de se desculpar dizendo que o problema era a versão online da FSP. De quebra, o , insinuando assim que tucano é o chefe de Valente, e que esse teria sido prejudicado por ela. Mas vejam o texto do jornalista de Carta Capital: ele critica a MANCHETE. E quem a escreveu foi o jornalista da Folha.
Corolário
Por isso é que esquerdista fala grosso em sala de aula e em blogs de amigos, mas amansa quando escreve artigos ou participa de debates. No fundo eles sabem que suas argumentações são peças de propaganda que não resistem a uma investigação analítica mais criteriosa.