Category: Marketing político

O milagre da multiplicação: governo conta como obra sua universidade que já existia!

“E pasmem, para uma coisa que é importante: eu, torneiro mecânico, já sou o presidente da República que mais fez universidades neste país”, anunciou o presidente Lula, na semana passada, em Teófilo Otoni (MG), como já havia feito, só neste ano, em Bacabeira (MA), São Leopoldo (RS), Araçuaí (MG), no Fórum Social de Porto Alegre e em Brasília. 

Das 13 universidades contabilizadas pelo Planalto como obra sua, 9 são mero resultado de fusão, desmembramento ou ampliação de instituições federais de ensino superior inauguradas por outros presidentes – que, em sua época, também se valeram de estruturas preexistentes mantidas por Estados, municípios e empresas privadas.

A se levar a sério o levantamento do Ministério da Educação que sustenta a propaganda oficial, Juscelino Kubitschek supera o ritmo de Lula, com dez universidades em cinco anos de mandato. Até o arquirrival FHC, já acusado pelo petista de não ter criado nenhuma, conta com seis no documento.

O texto acima é de Gustavo Patu, da Folha de São Paulo, publicado na edição desta quinta-feira (18), e disponível apenas para assinantes. Pelo visto, na universidade que Dilma estuda, Lula é professor há muito tempo!

Conferir e analisar os números alardeados por um governo – qualquer um – é tarefa básica do jornalismo. Foi o que fez Gustavo Patu, de forma desconcertante. A matéria ainda mostra outros dados, como a diferença entre o nível de investimento real e o prometido, e a discrepância dos recursos para saneamento. Todos acabam superestimados pelo Governo Federal. Talvez por isso alguns setores governistas não cansam de acusar a imprensa de golpe – além de querer criar mecanismos de “controle social da mídia”. Olhos atentos.

Pesquisa Ibope mostra mais do que aparenta

Serra, Dilma e Ciro

A nova pesquisa Ibope mostra bem mais do que a simples flutuação de quem subiu ou desceu nas intenções de voto. A consulta mostra algumas expectativas do eleitorado que podem sugerir cenários para os estrategistas dos principais candidatos. Colocados os nomes, o desafio agora é saber onde e como procurar votos.

O tucano José Serra continua na liderança na disputa para a Presidência da República, com 36% das intenções de voto. Na anterior ele tinha 38%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, significa que o governador paulista tem posição estabilizada, apesar dos problemas causados com as fortes chuvas em São Paulo.  O tucano, portanto, deve prosseguir com a mesma cautela, evitando antecipar embates ou polêmicas.

A ministra Dilma Rousseff cresceu oito pontos. Tinha 17% em dezembro e agora aparece com 25%. Crescimento mais do que esperado em virtude da forte exposição a que se submete, quase sempre acompanhada do presidente Lula. O resultado da campanha antecipada aparece nos números do Ibope. Dessa forma, a petista deve continuar viajando e buscando holofotes para se promover. O Planalto aposta em um empate técnico já no mês de março. 

O fator Ciro
Outro que oscilou dentre da margem de erro foi o deputado federal Ciro Gomes (PSB), que tinha 13% em dezembro e agora tem 11%. Acuado pela pressão do presidente Lula para que desista de ser candidato a presidente, Ciro assiste a crescente polarização da disputa entre Serra e Dilma. Sua última cartada deve ser o anúncio oficial de sua candidatura presidencial prometido para o programa do PSB que vai ao ar nesta quinta (18).

Por outro lado, é importante anotar que o cenário sem Ciro mostra que o maior beneficiado seria Serra. Nesse caso, o tucano venceria a petista por 41% a 28%. Essa movimentação fortalece a tese do PSB segundo a qual a base governista deveria apresentar duas candidaturas, para evitar o risco de uma vitória de Serra no primeiro turno.

Rejeição
Os mais rejeitados na pesquisa foram Ciro (41%) e Marina (39%). Justamente os dois últimos colocados na preferência. Vistos com poucas chances de vitória, tendem a ser evitados por não apresentarem competitividade. É um efeito da polarização. Chama também a atenção a rejeição de Dilma, que alcança 35%. É uma rejeição alta para quem nunca ocupou cargos eletivos, nunca disputou eleição e conta com padrinho forte. Serra é rejeitado por 29%, dentro do esperado para quem história em eleições e que corresponde à intenção de votos em Dilma.

Outros números
34% querem a total continuidade do atual governo – Conquistar esse público deve ser a meta de Dilma no curto prazo;

25% querem a manutenção de apenas alguns programas com muitas mudanças e 10% querem a mudança total do governo do País – A soma desses itens corresponde justamente ao índice de intenção de voto em Serra;

29% querem pequenas mudanças com continuidade – Esse é o público a ser disputado. Quem se apresentar como a continuidade melhorada, leva.

Afinal, o que a Justiça Eleitoral entende por campanha antecipada?

Para o TSE isso não é campanha, é ato de governo

Os partidos de oposição protocolaram, nesta quinta-feira (11), a 10ª representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Lula e ministra Dilma Rousseff. PPS, PSDB e DEM acusam a dupla de fazer campanha antecipada, o que é proibido pela Lei Eleitoral. Cinco representações foram arquivadas, enquanto outras cinco ainda estão pendentes de julgamento.

A grande questão é saber o que, afinal, vem a ser uma campanha eleitoral, para então definir se há ou não antecipação. O TSE afirma que é preciso lançamento ou registro de candidatura, ou ainda pedidos explícitos de votos. Na prática, o Tribunal se prende aos aspectos meramente formais, enquanto na vida real Dilma e Lula correm o país em campanha aberta. Quem não sabe que a ministra é a candidata do PT?

Para efeito de comparação, basta lembrar que o novo Código Civil deixou de lado o conceito obsoleto de casamento (aquele com papel passado), para levar em consideração a chamada estável”. O entendimento é que os fatos falam por si mesmos – mesmo sem documento algum, um casal que vive junto forma um… casal. Da mesma forma, é preciso que a Justiça Eleitoral se atenha aos acontecimentos e práticas vigentes para não ser desmoralizada por manobras que visam justamente desobedecer a Lei. E os fatos estão aí para qualquer um que queira ver.

O presidente Lula já chamou Dilma de “bichinha palanqueira” e “minha candidata”, sempre em eventos e viagens pagas com DINHEIRO PÚBLICO, o que é um agravante e tanto.  Na propaganda de comemoração pelos 30 anos do PT, a candidata Dilma, devidamente acompanhada de seu padrinho Lula, fala: “Venha com a gente, vamos continuar mudando o Brasil”.  Se isso não for campanha eleitoral antecipada e um pedido direto de votos, o que é então? Atos de governo?

O desafio de Dilma é sair da sombra de Lula

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta segunda-feira que “Dilma não é líder, é reflexo de um líder”. A estocada foi uma espécie de prévia da estratégia de desconstrução de imagem a ser utilizada pela oposição na campanha eleitoral deste ano. Se por um lado o governo quer a polarização plebiscitária simbolizada na eterna disputa entre Lula e FHC, por outro a oposição tentará focar nas figuras de Dilma e Serra. Um quer olhar para o passado, o outro para o presente.

A intenção dos adversários da candidata oficial é clara: mostrar que Dilma não possui qualidades para o cargo de presidente da República. Faltaria à ministra,  mais especificamente, a experiência e a liderança necessárias para o desafio, e menos explicitamente (para não torná-la vítima), a competência, materializada na lentidão do PAC.

Convenhamos, dado o currículo de José Serra ou mesmo Aécio Neves, administradores bem avaliados e políticos experientes em disputas eleitorais; e dado a falta de passado político-eleitoral de Dilma, parece ser uma estratégia adequada – o que não significa garantia de vitória. Levará a melhor quem conseguir infundir no eleitor a perspectiva que lhe interessar: o governo deseja vender a ideia de que Dilma é a certeza de continuidade; a oposição procura o inverso: demonstrar que ela é uma incógnita.

Nesse sentido, a ministra deve mostrar que é mais do que a escolhida de Lula, de modo que a imagem do presidente não a ofusque e faça de seu trunfo, uma maldição. A provocação de FHC pretende reforçar justamente essa condição subalterna da imagem de Dilma.

Aécio desiste e pesquisa mostra Serra consolidado na frente. Mas tem gente que acha que isso é bom para Dilma e Ciro

Duas notícias esquentaram os cadernos de política na imprensa. Primeiro a desistência do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, de postular a Presidência da República, deixando o caminho livre para o governador de São Paulo, José Serra ser o candidato do PSDB.

A outra notícia é a nova pesquisa Datafolha mostrando que José Serra permanece numa folgada liderança nas intenções de voto.

O problema é que as análises dos cronistas de jornal sobre os impactos da desistência de Aécio contrastam de tal forma com a realidade detectada pela pesquisa que não resta outra conclusão: esses formadores de opinião cada vez mais se comportam como meros palpiteiros, com graves deficiências teórica em marketing político e na área de lógica elementar. Vejamos.

Caso Aécio
Grosso modo, esses analistas concluíram – basta uma rápida pesquisa para confirmar – que a saída de Aécio da corrida seria prejudicial a Serra e benéfica para Ciro ou Dilma. Por que seria assim? Porque Serra seria obrigado a assumir a condição de candidato e assim teria que polarizar com o próprio Lula. Já Ciro poderia herdar os votos de quem não gosta de paulista. Isso não é análise, é fofoca!

O jornal O Povo deste domingo mostra bem isso. Entre muitos cientistas políticos que existem por aí, o jornal optou por publicar a declaração de um mineiro, lá da terra de Aécio Neves, com estreitas ligações com o petismo: Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais, que afirmou: “Com a renúncia de Aécio, Serra se vê forçado a carregar o estandarte do PSDB na corrida à sucessão do presidente Lula. A disputa volta a ficar polarizada e favorece o cenário plebiscitário que o PT tanto deseja”.

Como assim? Quem o forçará? Serra permanecerá onde está, caladinho. Não vai declarar que é candidato porque não é burro. Vai fazer como Dilma e continuar atuando no Executivo. A estratégia, convenhamos, está dando certo para o governador paulista, como demonstram as pesquisas. Serra vai adiar ao máximo qualquer definição oficial, pois sua intenção não é rivalizar com Lula – que tem alto índice de popularidade e nem candidato é, mas com Dilma, que por sua vez, apesar de todo o esforço do presidente, estacionou nas pesquisas. Por enquanto, uma polarização entre Serra é Dilma é boa para… Serra. Isso é lógica e estratégia. O resto é torcida.

Caso Ciro
Agora outro exemplo, também no O Povo. Esse não é surpresa, mas vale como ilustração dessa condição analítica da nossa imprensa. E logo na boa coluna de Fábio Campos, que na edição de hoje é assinada por Kamila Fernandes. Reproduzo trecho:

Em meio a isso tudo, há uma leitura que indica que o maior favorecido da desistência de Aécio pode ser justamente Ciro, amigo de longa data e forte aliado em Minas. E foi de Ciro a reação mais enfática sobre a atitude do colega mineiro: para ele, Aécio deve estar sofrendo “constrangimento de todo tipo”, para ter tomado tal atitude agora. (…) Porém, o principal beneficiado nessa história pode ser mesmo o presidente Lula, que está conseguindo fechar o cenário “dos sonhos” para sua sucessão, polarizado entre Serra, cuja face remete diretamente ao governo mal-avaliado de FHC, e Dilma Rousseff (PT), sua pupila.

Vamos ver a estrutura desse pensamento. Quer dizer que um PSDB dividido entre duas pré-candidaturas seria algo positivo para o partido, mas que agora, podendo concentrar forças e tempo para trabalhar estratégias de captação de recurso, além de moldar um discurso mais focado em um perfil único, que é o que acontece quando o partido tem um candidato consensual, é péssimo negócio para a sigla. Não sei, não.  A lógica que sustenta essas premissas é inusitada: divididos, os tucanos seriam fortes, unidos, seriam fracos… “Mas Aécio pode não ajudar Serra”. Ou não. Isso, por enquanto, é chute. E pela forma como o mineiro saiu da disputa, não me parece que esse seja o caminho.

De resto, Ciro falar em constrangimento é que é constrangedor. Afinal, o deputado mudou de domicílio eleitoral a mando de Lula. O jornalista Reinaldo Azevedo se refere a ele como o “deputado ex-cearense”. Triste.

A pesquisa
Para não dizer que sou implicante, tem a pesquisa do Datafolha. E o que ele revela?  Atenção: que se as eleições fossem hoje, no cenário sem Ciro, José Serra Seria eleito no primeiro turno! E mais. Num eventual segundo turno, com Dilma ou com Ciro, o tucano venceria também – ver tabelas com números aqui.

Conclusão
Para o leitor de jornal mais apressado,  a semana se deu assim: Aécio desistiu e isso prejudicou Serra e beneficiou Dilma e Ciro. Isso é trabalho de desinformação a serviço da candidatura Dilma. Os números desmentiram os palpiteiros. Alguns podem dizer que a saída de Aécio ainda não pode ser medida pelas pesquisas. Correto. No entanto, os cenários que mostram a vitalidade da candidatura de Serra não contemplavam o nome do mineiro. É claro que esses índices irão mudar, mas não como efeito da saída de Aécio. Será mais pela força da máquina de propaganda montada pelo Planalto para tentar fortalecer Dilma.  A grande surpresa mesmo, até o momento, é que isso está demorando para acontecer.

O lulismo como vício

Artigo publicado no jornal O Estado

As inserções que o Partido dos Trabalhadores veiculou durante esta semana revelam que apesar de ser a mais poderosa máquina partidária do País, a sigla hoje depende demasiadamente, senão inteiramente, da figura do Lula mítico, aquele cuja construção da imagem ficou mais evidenciada com lançamento do filme chapa-branca Lula, O Filho do Brasil.

Esse dualismo entre o lulismo – produto híbrido de marketing político e personalismo messiânico – e o petismo – fusão de submarxismo latino-americano e sindicalismo arrivista – foi, por muitas vezes, útil a ambos.

Já escrevi noutra oportunidade que “a divisão imaginária entre lulismo e petismo não passa de um conveniente instrumento de transferência de responsabilidade na hora de tentar justificar o injustificável. Quando o mensalão estourou, Lula rapidamente responsabilizou o petismo. Acuado pelas chantagens do PMDB, relativas à CPI da Petrobras, o petismo correu para culpar o lulismo pela defesa que fez de Sarney. Ou seja, dependendo da enrascada, o pepino sobra para um ou para outro, e no fim todos se dizem inocentes.”

O problema é que o hábito, de repetido, virou vício, e como tal, cria dependência e exige doses cada vez maiores para se sustentar. No programa, o que se viu foi uma tentativa de aprofundamento do processo de transferência de votos do presidente Lula para a ministra Dilma Rousseff, candidata do Planalto que estacionou na última pesquisa do Ibope, enquanto o tucano José Serra voltou a abrir a diferença na preferência dos eleitores. É o petismo buscando sobrevivência na exploração descarada do lulismo.

Os vídeos da propaganda procuram enaltecer o doador, enquanto a receptora fica passiva, afirmando que existe um Brasil antes e depois de Lula na presidência, não em virtude de suas escolhas ideológicas e morais, mas de suas qualidades pessoais e telúricas. Até o fim da inflação foi creditado ao atual presidente, uma evidente mentira. Os exageros costumam gerar desconfiança. Assim, se por um lado boa parte dos eleitores venera a imagem do Lula populista, por outro começa a duvidar que Dilma possa ser igual a esse ser mitificado.

Transferência de votos tem limites. Quando precisar de combustível próprio para tentar eleger sua enigmática candidata, o PT poderá perceber que já lhe falta uma identidade própria para sobreviver a Lula. Por enquanto, pelas pesquisas, José Serra agradece.

Lula, o Filho do Brasil: Não se faz um mito da noite para o dia

A revista Veja desta semana aborda o filme sobre a vida do presidente Lula e evidencia o óbvio: trata-se de uma construção política premeditada com vistas às eleições de 2010. Financiado por empresas privadas que possuem ligações com o governo do biografado, o filme – que ainda não chegou às salas de cinema – já é a produção nacional mais cara da história, e terá o maior esquema de distribuição já visto no país.

Veja faz o que tem que fazer o jornalismo combatido pelos que desejam domesticá-lo em benefício do atual governo. Criticou, com argumentos consistentes, a manobra político-eleitoral. Isso pode soar como heresia para os que defendem o alinhamento automático com um presidente que tem popularidade nas alturas, mas isso é coisa de militante.

Reparem nos trechos abaixo, publicados originalmente em Veja:

REALIDADE

Lula foi um líder sindical carismático e pragmático que se encaixou à perfeição no projeto de distensão política do regime militar por ser da esquerda não marxista, não alinhada com o movimento comunista internacional e, por isso, tolerada

Lula foi um líder sindical carismático e pragmático que se encaixou à perfeição no projeto de distensão política do regime militar por ser da esquerda não marxista, não alinhada com o movimento comunista internacional e, por isso, tolerada

FICÇÃO

O sindicalista Lula vira na tela um Gandhi magnânimo, infalível e incorruptível cuja bondade e sabedoria se combinam com uma visão de futuro privativa dos profetas

O sindicalista Lula vira na tela um Gandhi magnânimo, infalível e incorruptível cuja bondade e sabedoria se combinam com uma visão de futuro privativa dos profetas

Crítica – Wanfil

Esse post não é uma resenha do filma Lula, o Filho do Brasil. Mas uma reflexão a partir da reportagem de Veja, que além do acerto ao tentar oferecer ao leitores uma visão mais aprofundada do que parece ser apenas um filme,  tem o mérito de tocar no ponto crucial, que ultrapassa a questão eleitoral: a operação política e cultural, de inspiração totalitária, para fazer de um líder, um mito ainda em vida.

Mito
Veja diz que esse é o real propósito em curso. E lembra que tal manobra pode, com efeito, deturpar aquilo o que o presidente Lula fez realmente de bom e correto em seu mandato (que para mim foi negar o seu passado, agora reescrito pelo melodrama cinematográfico). E nesse ponto a revista acerta quando compara magistralmente o enredo do filme com a história de Cristo: nascimento na pobreza, destino, penitência e ressurreição (no caso, a eleição em 2002).

Mas é bom lembrar que, ao contrário do que pode parecer, construir um mito não é uma missão tão fácil. É preciso muito mais do que o cinema para isso. É preciso toda uma teia de relações sociais, populismo, poder político, carisma e  hegemonia cultural.

Processo
E assim, resta concluir que esse processo de mitificação de Lula vem de longas datas. Para isso, vale a leitura do livro Partido de Deus: Fé, Poder e Política (Alaúde editora – 2007), do historiador Luís Mir. Confiram trecho:

A CNBB necessitava (…) de uma liderança messiânica. Fabricou no ABC nos anos 1980, a partir de uma emergente liderança sindical, Luiz Inácio da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, um Antônio Conselheiro (…) redivivo, contemporâneo.

(…) Esgotado seu papel como líder sindical, a marcha libertadora, a romaria dos despojados, exigiria muito mais, ordenava a construção do mito. Os fundamentos: retirante, sofredor, cristão sincero. (…) Igual a outros milhões de retirantes, sofredores, mas, como fora escolhido (divinamente) para a missão, era o único capaz de guiar a marcha final dos pobres em direção do paraíso.

O que provocou uma tentação inabalável: não se considerar resultado de um processo histórico, muito menos a sua chegada ao poder político máximo do país como concretização, decorrência natural de uma luta política e social coletiva de duas décadas. (…)

O redivivo Antônio Conselheiro acabaria enredado por um ardil alheio a sua vontade: o povo brasileiro e os militantes do PT passam a ser seus filhos, filhos que o veneram como pai.

O Hospital da Mulher não tem problema algum, está no prazo e tudo é divino e maravilhoso. Tá na propaganda!

A Prefeitura de Fortaleza tem veiculado uma propaganda sobre o Hospital da Mulher no melhor estilo “duplipensar”, celebrado por George Orwell na clássica distopia 1984. O truque consiste em tomar a mentira por verdade de forma calculada e mais doentio ainda, sincera (ver nota abaixo). Vejam o vídeo da peça que também pode ser conferida na página da PMF.

Reparem no trecho inicial, narrado não por acaso por uma voz feminina: “Para tratar exclusivamente da saúde feminina a Prefeitura de Fortaleza está investindo 66 milhões de reais na construção do Hospital da Mulher. As obras seguem o ritmo previsto. No primeiro de quatro blocos, onde vão funcionar os consultórios, as construções estão bem avançadas”.

A verdade
O valor citado de 66 milhões de reais não é um investimento integral da Prefeitura de Fortaleza. O texto omite que cerca de 11 milhões são do Governo Federal, e que sobre esse valor o TCU já relatou suspeitas de sobrepreço na obra, na ordem de 4 milhões.

De resto, não bastasse a evidência constrangedora de que o Hospital da Mulher foi uma promessa para o primeiro mandato de Luizianne Lins, fato que prova o atraso na construção, resta concluir que após sucessivas prorrogações de prazo, as obras sempre estarão “no ritmo previsto”, dado o rigor e a firmeza de quem o estipula. Dizer que não existe atraso é mais do que uma simples mentira, é apostar que as pessoas são idiotas. (Ver post Luizianne e o Hospital da Mulher na hora de pedir voto).

Duplipensar
No início deste post citei o escritor George Orwell, que magistralmente registrou a capacidade de algumas pessoas de viver em contradição sem nunca reconhecer um erro. Orwell a chamou de “duplipensar”: uma técnica totalitária que consiste em enganar a memória. Abaixo transcrevo uma breve passagem do livro, para definir digo:

“Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião da democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra “duplipensar” era necessário usar o duplipensar”.

Lula no Ceará: É inauguração? Não, é factóide eleitoral!

Às vezes é constrangedor refletir sobre certos eventos políticos, tamanha a evidência de que são peças toscas, simples factóides para gerar manchetes e alimentar discursos demagogos.

Lula vem ao Ceará nesta sexta-feira para “vistoriar” as obras da Transposição do Rio São Francisco em Mauriti, região sul do estado. É a segunda visita do presidente em um mês e meio.

No artigo Lula no Ceará: filme repetido, publicado no dia 10 de setembro passado, antecipei com um dia de antecedência (e o texto foi escrito no dia 9), as promessas que seriam feitas em palanque, com o habitual tom triunfal de Lula. Na mosca! Foi um festival de refinaria, siderúrgica e Transnordestina, essas obras que não existem, além de auto-elogios e números maravilhosos.

Nessa nova visita, o exercício é mais fácil ainda. O presidente vai repetir o mesmíssimo discurso que fez em Pernambuco e em Minas Gerais, estados em que esteve nesta semana fazendo campanha eleitoral para Dilma Rousseff, com igual pretexto de conferir a tal transposição.

Um resumo: Lula, o operário, vai cumprir o que Dom Pedro II, o fidalgo, prometeu: levar a água do São Francisco para o sertanejo. Dirá ser o único a dar prioridade à obra por ser nordestino castigado pela seca. Vai lembrar que o sertanejo agora terá água em abundância para plantar o que quiser. Enfim, venderá amanhãs radiantes, ainda que não tenha muito o que mostrar em sete anos de governo, quando o assunto é obra.

Números X lorotas
Mas Wanfil, como você é ranzinza, rapaz! Por acaso torce contra o Brasil e o Nordeste? Você prefere que o pai de família no sertão continue a passar sem água? Pois é. Nem adianta vir com chantagem emocional. Vamos ao números publicados ontem (15) pelo Estadão, sobre a execução financeira das obras da Transposição do São Francisco:

Planalto só pagou 3,68% do R$ 1,68 bilhão previsto – Cenário da campanha informal da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a região do Rio São Francisco não tem sido tão prestigiada em verbas federais. Em 2009, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), para uma dotação de R$ 1,68 bilhão para projetos que tratam diretamente do rio, o Planalto pagou apenas 3,68%, cerca de R$ 61,8 milhões.

Lula faz comício no São Francisco, mas segura dinheiro para obra - Ao levar ao Nordeste e sertão de Minas, principais redutos do “lulismo”, a ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou admitindo, num ato falho, caráter eleitoral na visita às obras de transposição do Rio São Francisco. “No nosso projeto original de fazer essa viagem não estava previsto a gente fazer comício. Estava previsto fazer visitas às obras”, disse Lula. Na prática, contudo, o empreendimento não tem recebido prioridade na destinação de recursos – apenas 3,68% do R$ 1,68 bilhão reservado em 2009 foram efetivamente pagos.

Como explicar isso? Como fazer tanta algazarra em cima de algo que não, absolutamente, uma prioridade para o governo? Ou então que é a prova cabal de sua incompetência gerencial? Se algum dia um sertanejo beber água proveniente da Transposição do São Francisco, o fará apesar de Lula. Mas a resposta para coroar o factóide já está pronta: a culpa é da legislação ambiental, da burocracia, e dos órgãos de fiscalização, especialmente o TCU.

PS. Factóide na Wikipédia: O propósito de um factóide é gerar deliberadamente um impacto diante da opinião pública de forma à manipulá-la de acordo com as aspirações de poderosos grupos que se utilizam de sua influência na mídia. Estes, em alguns casos estão, ou aspiram ao poder.

Lula faz comício no São Francisco, mas segura dinheiro para obra

Comunismo neoconcretista ou dialética da concretude

O PC do B, sigla nanica que sobrevive ocupando aparelhos estudantis, e que se vangloria de sua história (o que significa dizer que tem orgulhos da doutrina mais morticida da história da humanidade, deixando os crimes de seus camadaras nazistas bem atrás), tem veiculado sua propaganda na televisão. Nela, o deputado federal cearense Chico Lopes fala sobre as maravilhas dos governos apoiados pelos comunistas, o que era de se esperar mesmo.

Mas sabem como são esses marqueteiros… A certa altura, um Lopes sorridente, com cara de bonachão, diz candidamente que a REFINARIA e a SIDERÚRGICA, já SÃO realidades concretas. Onde? O comunista não fala, nem mostra imagens. Apela à nossa fé. Deve ser a dialética da concretude. Entendam. Sendo o concreto o contrário de abstrato, é certo entender que algo definido por esse adjetivo seja, como diz o dicionário Priberam:

1. Consistente, espesso, condensado, que tem consistência (mais ou menos sólida).
2. Que tem corpo (opõe-se a abstrato).
3. Que é perceptível! aos sentidos.

A Petrobras já afirmou que a realidade concreta da refinaria será adiada para depois de 2013, sem data definida. E a siderúrgica, vejam só, é um empreendimento PRIVADO. Isso mesmo! No Brasil chagamos ao cúmulo de ver um comunista se jactar de projetos tocados – ó ironia – por porcos capitalistas que vivem em busca de lucro (arghh!), explorando os trabalhadores coitadinhos que deveriam votar em gente como Chico Lopes.

Mas como todos sabem, e como provam as urnas, quem gosta de comunista é “estudante” que monopoliza a emissão de carteirinhas de meia-entrada e “intelectual” capaz de aceitar que algo possa ser simultaneamente real e imaginário, ser e não ser ao mesmo tempo, e ainda assim se julgar moralmente superior aos que efetivamente levam o mundo concreto nas costas.

Sem previsão de inauguração e fonte de escândalos, o Hospital da Mulher de Luizianne lembra o cemitério de Odorico Paraguassú

O Hospital da Mulher, principal promessa de campanha nas duas eleições vencidas pela prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT), virou notícia nacional por suspeita de superfaturamento, conforme indicação de relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgado nesta semana pelo vereador de oposição Marcelo Mendes (PTC), na Câmara Municipal.

Antes de entrar no mérito da questão, um breve comentário:  desconheço outro caso em que uma promessa não cumprida (datada de 2004) tenha sido usada como trunfo eleitoral na disputa seguinte (em 2008). Dá uma boa tese de marketing político.

Voltando à denúncia, é bom lembrar que, por se tratar de órgão técnico e da administração federal, o TCU merece crédito na avaliação feita por seus técnicos. Enquanto o caso é apurado, resta concluir que a denúncia de superfaturamento vem se somar a constatação de que a obra anda a passos de tartaruga, com apenas 20% construído. Nesse ritmo de 1/5 a cada cinco anos, os primeiros pacientes poderão ser atendidos em 2035. Na verdade, o Hospital da Mulher, passados cincos anos de seu anúncio, somente teve serventia a uma pessoa: Luizianne Lins.

Em setembro do ano passado, durante as eleições municipais, o governador Cid Gomes afirmou: “Como engenheiro, eu avalizo, sim, a obra do Hospital da Mulher”. Na mesma ocasião, a prefeita Luizianne Lins, com a elegência de sempre, foi enfática: “Se a moçada quisesse fazer o debate sério, viriam todos aqui”.

Como por princípio é preciso conceder aos acusados amplo direito de defesa, transcrevo as alegações da prefeita, publicadas no jornal O Povo desta quinta-feira (8), que bem mostram a disposição da gestora municipal em promover o debate sério:

Prefeita diz que denúncias não passam de blefe
Blefe. Foi esse o termo utilizado pela prefeita Luizianne Lins (PT) para classificar o relatório preliminar do Tribunal de Contas da União (TCU), que aponta superfaturamento da ordem de R$ 4,9 milhões na construção do Hospital da Mulher. Ontem, durante o lançamento do Concurso Nacional de Ideias da Beira-Mar, ela argumentou que o documento, apresentado na última terça-feira pelo vereador Marcelo Mendes (PTC), é antigo e que a oposição “apenas requentou o assunto” – que ainda tramita no TCU.

Luizianne ressaltou que, por causa da crise econômica, o Governo Federal deixou de repassar R$ 36 milhões para a construção do hospital. “Não tem como existir superfaturamento quando a obra tem uma redução de investimentos”, justificou.  

Sendo assim um blefe, será muito fácil a prefeitura demonstrar como o TCU foi leviano ao servir de instrumento para a oposição mentirosa. Basta provar, por exemplo, que é coisa normal fazer um aditivo aumentando em 1.000%, os gastos com piçarra na obra. Ou então que é desejável dispensar a empresa que ofereceu o menor preço atendendo os requisitos do edital de licitação e contrar outra que cobrou mais caro.

No entanto, um conselho amigo: é melhor deixar de lado esse argumento de que não pode haver superfaturamento em obra que tem atraso ou diminuição de repasses. O que não falta no Brasil é ruína de obra inacabada que serviu para todo tipo de roubo. Além do mais, quem desvia dinheiro público não espera a obra acabar para levar a sua parte, pelo contrário. Por isso o valor inicial quase nunca bate com o valor final.

O Hospital da Mulher, sejamos francos, lembra muito aquele cemitério do Odorico Paraguassú. Uma obra que nunca é inaugurada e que não cessa de produzir vexames.

A refinaria não vem para o Ceará. O que mais falta acontecer para isso ficar claro?

O caso da prometida refinaria de petróleo para o Ceará já não pode ser visto apenas como uma certeza adiada, constantemente, por contratempos técnicos. Não cola mais. É preciso entender que a refinaria consiste essencialmente numa promessa cujo objetivo primeiro foi buscar votos, e segundo, dar a impressão de que obras estão sendo feitas.

O empreendimento constou das promessas da campanha de reeleição do presidente Lula – com direito a imagens computadorizadas. A lógica era simples: o primeiro mandato era para arrumar a casa e o seguinte para fazer do Brasil um canteiro de obras. Vale lembrar que não apenas Lula que se beneficiou dos dividendos eleitorais dessa conversa. Governadores subscreveram-na. No Ceará, os eleitores pagaram para ver. E continuam pagando.

As notícias sobre um novo adiamento para o INÍCIO das obras da refinaria mostram mais um capítulo do truque.

Diário do Nordeste – Refinaria não é mais garantida para 2013.

O Povo – Petrobras reavalia projeto da refinaria cearense.

Diário do NE – Cid minimiza atraso na usina.

O Estado – Adiamento da refinaria gera revolta.

A refinaria não virá para o Ceará. Seu anúncio serviu apenas para fazer volume a outras lorotas, como a Transnordestina, o PAC e a transposição do São Francisco. Alguns ainda preferiram sonhar acreditando que, sendo uma empresa de economia mista, a Petrobras teria recursos e know how para realizar a promessa de Lula e assim ter algo para mostrar ao público. Enganaram-se. A Petrobras, digamos assim, tem outras prioridades a atender, como mostra o superfaturamento da refinaria de Pernambuco.

O contraste entre a grandiosidade do que é anunciado e a escassez do que efetivado é gritante. Deveria ser constrangedor também. Mas a vergonha pressupõe honradez. Várias vezes comparei o presidente com Zé do Burro, o personagem do premiado filme O Pagador de Promessas (962), de Anselmo Duarte. Para Zé do Burro (Leonardo Villar), trabalhador humilde e homem de valor, promessas eram compromissos em nome dos quais valia arriscar até a vida, e as palavras tinham o peso de uma cruz. É que ele se levava a sério…

Nunca um governo tão carente de realizações foi tão popular. E o segredo não é apenas  o populismo assistencialista. Falta cobrança. A oposição é fraca a ponto de não conseguir explorar uma realidade que salta aos olhos. A base aliada de Lula no Ceará sabe bater palmas como poucos, mas seu entusiasmo febril é inversamente proporcional a ausência de investimentos do Governo Federal no Estado. Quanto mais são ignorados, mais aduladora ela se mostra, na esperança de ser agraciada com algum mimo no futuro. O resultado colhido, como sempre, é mais desprezo e mais promessas.

PS. No próximo governo, os petistas saberão cobrar a refinaria com ares de indignação.

PS2. O governo afirma que uma refinaria é algo complexo, que não é algo que se compra e instala. Se isso não é cinismo, então, supondo que José Serra seja eleito, os atuais gestores irão entender se ele prometer mais três refinarias para serem construídas lá por 2030. Afinal, é tudo tão complexo…

Pré-sal transforma arrivistas em altruístas! Lula, Sarney, Temer e Lobão, unidos na defesa da riqueza do povo

Lembram da conversa, bem recente, sobre a auto-suficiência do Brasil na produção de petróleo? A imagem de Lula esfregando as mãos lambuzadas de óleo nas costas da Dilma ilustra bem o tom da cobertura.

E aí? O que mudou nas nossas vidas? Pelo menos a gasolina que pagamos baixou de preço? Resta evidente que o marketing político falou mais alto do que a análise técnica.

Pré-sal
Agora a moda é enaltecer o tal pré-sal, que, segundo Lula, marcará uma nova independência do Brasil. Ora, trata-se de mais oba-oba eleitoral. Por acaso o pré-sal é novidade? Por acaso já existe produção? Não e não. Desde o ano 2000 já se fala disso, e produção mesmo, só daqui a 10 ou 15 anos.

Mesmo assim, os marqueteiros do governo já trabalham um discurso para Dilma em 2010, uma nova plataforma para engabelar trouxas, visto que o PAC não tem, digamos, substância factual. Não há nada para mostrar e os números de execução mostram apenas atrasos e mais atrasos. Assim, como bem sabe Luizianne, na falta de obras concluídas ou pelo menos iniciadas, o negócio é renovar e criar promessas, devidamente amparadas por maquetes eletrônicas.

Já vejo a campanha da Dilma – ou do petista apontado por Lula, caso ela não decole – mostrando as riquezas que serão feitas (olha o verbo no futuro!) com o pré-sal.

Mas a despeito de todo o cinismo e de todo o ufanismo infantil, algumas imagens mostram bem o que é o pré-sal, do ponto de vista político. Mas é preciso querer enxergar.

brasil5

Notem a foto de Ana Araújo, publicada na edição desta semana da revista Veja. Reparem nos personagens que vendem o novo futuro redentor da nação brasileira: Lula, o operário que é milionário sem nunca ter virado empresário; Dilma, a terrorista de esquerda; Sarney, a encarnação do patrimonialismo e clientelismo nacional; a primeira dama Marisa, coitada; Michel Temer, líder do PMDB adesista, e Edson Lobão (ministro das Minas e Energia), apadrinhado de Sarney e ex-adversário do petismo, agora fiel aliado.

Como mostra o imenso cartaz, essa turma está unida na defesa do patrimônio da união e da riqueza do povo, pensando apenas no futuro do Brasil.

É o Brasil do pré-sal! Viram como já avançamos?

Voltei com o carro danificado pelos buracos da CE 060

Final de semana com a família na região serrana de Pacoti. Nos últimos dias o site do governo do Estado tem anunciado o empenho do governador Cid Gomes na recuperação da malha viária do Ceará. Propagandas na TV também dão conta dessa preocupação. E tome imagens de estradas perfeitas e bem sinalizadas.

E no entanto, apesar de tanto alarde, vejam só, voltei da pequena viagem com um pneu e a proteção do motor avariados por causa dos buracos na CE 060. A situação é terrível.

Certamente eu me apressei ingenuamente em acreditar que as propagandas apresentavam o resultado final de uma obrigação óbvia. É que as cosias são feitas aos poucos, mas com a devida fiscalização do próprio governador (ler Governador avalia andamento de obras das rodovias estaduais). Se os buracos na 060 ainda não foram consertados por causa de alguma escala de prioridade, nem quero imaginar como estavam as outras.

Enquanto as estradas não são recuperadas por completo (culpa das chuvas, diz o governo), fico assim gastando duplamente. Primeiro com o conserto do meu carro, e segundo com as propagandas que mostram estradas perfeitas e bem sinalizadas na televisão, custeadas com o dinheiro do contribuinte.

Programa de Aceleração de Campanhas

Artigo para O Estado - 18/06

A ministra Dilma Roussef esteve ontem (17) no Ceará para “avaliar” o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na verdade, todos sabem que ela está em campanha eleitoral para a Presidência da República como candidata do governo em 2010. Há nisso tudo uma dupla intenção. Primeiro a de construir, como peça de propaganda política, a imagem da mulher competente. Segundo, dar a impressão de que o PAC saiu do papel. Em síntese, a mensagem da visita é clara: o andamento das obras depende da “avaliação” da ministra. Fica a sugestão de que se as coisas não são feitas da melhor forma, Dilma então terá que agir para que tudo siga nos conformes.

Todo o truque consiste na palavra “avaliar”. Se o substituímos por “inaugurar”, a impressão de competência se desfaz na ausência de resultados concretos. A ministra inaugurou alguma obra? Não. Como de praxe, não há nada para ser inaugurado. Por isso, o melhor momento de sua passagem foi a entrevista coletiva concedida na sede do Banco do Nordeste, onde a ministra, junto com o governador Cid Gomes, apresentou um balanço do PAC no Ceará. Os números sempre conferem credibilidade e verossimilhança aos discursos e às promessas. Segundo a dupla, 18% das obras do programa, iniciado em 2007, foram concluídas no Ceará. Uma incrível média de 9% ao ano. Dando crédito à informação, restam agora apenas 82% que, no ritmo atual, serão entregues daqui a nove anos, em 2018.

Apesar disso, Cid e Dilma censuraram os que acusam a lentidão do PAC. O governador chegou a dizer que seus críticos são aqueles que “não fizeram nada e agora procuram achar defeitos”. Ainda que fosse assim, resta dizer que mesmo quem nunca fez nada tem o direito de cobrar os que conseguiram votos com as promessas do PAC, afinal, trata-se de um compromisso do gestor público com o eleitor. Não se faz obra para agradar ou desagradar adversários, mas para contemplar uma demanda da sociedade.

Ademais, convenhamos, se o PAC fosse tudo o que dizem os governistas, não seriam necessárias tantas assertivas de validação. Juraci algum dia fez coletiva para garantir que o IJF havia sido construído? Tasso Jereissati precisou mostrar balanço para provar que o Aeroporto Pinto Martins, o Porto do Pecém ou o Castanhão, eram uma realidade? Não. Obra de verdade não pode ser escondida.

Quando uma afirmação é irrefutável? A resposta é simples. Quando os fatos contidos na afirmação são evidentes por si mesmos, isto é, passíveis de ser conferidos por todos a qualquer instante. Não há contestação que resista ao exame da prova concreta. Ninguém pode lançar suspeição sobre a cor do céu ou sobre a existência da Pedra da Galinha Choca, pela singela evidência de que ambos existem e que estão ali, expostos aos olhos de qualquer um. Nesse sentido, buscar negar uma realidade que é patente ao público não passa de charlatanice das grossas, exploração da ingenuidade e boa-fé alheia. Com o PAC não é diferente.

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