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Caso dossiê – O velho truque de culpar as vítimas

Jornal Nacional:
O presidente Lula defende a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rouseff, no caso do dossiê com despesas pessoais do ex-presidente Fernando Henrique e diz que ela foi vítima de chantagem política. (…) O petista Tião Viana (PT-AC) disse que soube pela imprensa que o tucano Álvaro Dias (PSDB-PR) teria divulgado o dossiê contra Fernando Henrique. Álvaro Dias disse que viu o dossiê muito antes de ser divulgado, mas que não tem nada a ver com a divulgação.

“Eu acho que a pessoa que tem a história da Dilma, a pessoa que presta o serviço ao país que a Dilma presta, não pode ser vítima de uma chantagem política. Eu vou continuar viajando o Brasil, a Dilma vai continuar viajando o Brasil. E as pessoas que estão na CPI que apurem e, por favor, dêem um jeito de evitar que essas coisas voltem a acontecer”, acrescentou o presidente Lula.

Blog do Wanfil
Após apresentar três versões sobre o dossiê com informações sigilosas dsa contas pessoais do ex-presidente FHC, o governo Lula agora tenta uma nova manobra: culpar as vítimas de uma ação de perseguição promovida pelo Estado.

Não é a primeira vez. Lembram do caseiro Francenildo Pereira? O rapaz teve a vida vasculhada pela Receita Federal e se descobriu um depósito de 30 mil reais na conta dele. A companheirada de Palocci não hesitou em acusar o caseiro de estar a serviço da oposição. Depois descobriram que Francenildo era fruto de uma traição, e que o dinheiro era uma compensação dada pelo pai dele – um empresário do Piauí. Palocci caiu.

Na última campanha, petistas ligados ao Palácio do Planalto foram flagrados com malas de dinheiro para forjar um dossiê (olha aí) contra José Serra. Aloísio Mercadante defendeu a tese de que tudo seria uma armação dos próprios tucanos, que manipulariam a Polícia Federal. As evidências e as provas eram tão robustas que o presidente Lula optou por dizer novamente traído, e chamou os responsáveis de aloprados.

Agora, o dossiê FEITO na Casa Civil é objeto de uma nova teoria conspiratória. Para isso, os governistas se apegam ao fato de o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) ter visto o documento antes da história ter sido divulgada pela imprensa. Foi o que bastou para que a tropa de choque do Planalto sair acusando novamente as vítimas. QUEREM NOS FAZER ACREDITAR QUE A CONFECÇÃO DO DOSSIÊ FOI MERO PASSATEMPO – O CRIME, ASSIM, CABERIA A QUEM O DIVULGOU. ERRADO NÃO É AMEAÇAR ADVERSÁRIOS COM INFORMAÇÕES SIGILOSAS, ERRADO É DENUNCIAR ISSO. Eis o ponto.

No mais, vejam a fala do presidente. Ele espera que a CPI não permita que “essas coisas voltem a acontecer”. Como assim? Foi a CPI que fez o dossiê ou foi a Casa Civil, da ministra Dilma? No intento de inverter os fatos, fazendo dos culpados vítimas e das vítimas culpados, Lula dá a senha para o entendimento desse imbróglio: a questão é saber quem são os autores do dossiê. Tenho o palpite de que não foi ninguém da oposição.

PS. Quem saca de jornalismo sabe que grandes veículos de comunicação não produzem matérias com base em uma única fonte. Seria se expor demais. Tudo deve ser checado mais de uma vez e confirmado com outras fontes, principalmente uma matéria desse teor, e que envolve gente tão poderosa.

Caso dossiê- Alguém lembra dos cartões corporativos?

Não dá pra ignorar que, em Brasília, a base aliada é profissional e a oposição sempre cai no conto do vigário. Vejam o episódio desse dossiê feito pela Casa Civil. A discussão original – os gastos de Lula com os cartões corporativos se deslocou para outras questões. O foco agora é a ministra Dilma Rousseff. De suspeito de abuso no uso de dinheiro público, Lula agora posa de magistrado a dar lições sobre o funcionamento da instituições. De quebra, desmoraliza a CPI. Lula compensa a própria ignorância com o que lhe sobra em astúcia.

O amigo Antônio Castelo me enviou uma matéria do site Contas Abertas, que bem demonstra a constatação acima.

A blindagem na divulgação dos gastos presidenciais com cartões corporativos parece ganhar força a cada dia, sobretudo, após a polêmica envolvendo o uso dos cartões por ministros de Estado. Nos três primeiros meses do ano, 95,5% dos pagamentos da Presidência da República efetuados com cartões corporativos foram feitos sob sigilo. As despesas confidenciais contabilizam R$ 2,6 milhões dos 2,7 milhões de dispêndios pagos pela Presidência com o cartão este ano.

Voando às cegas

Charge do Janotti – Jornal de Hoje (RJ)

Tasso: "Deixa o povo trabalhar!"

Lembram do filme “Apertem os cintos! O piloto sumiu?” No mundo da ficção, uma situação tão irreal só poderia ser uma comédia. Aqui, a realidade virou tragédia.

Vejam a que ponto chegamos. Numa situação de emergência absoluta, com vidas correndo perigo em virtude do Apagão Aéreo, o Senado Federal é obrigado a criar uma comissão para acompanhar o gerenciamento de um órgão do Poder Executivo, por conta da incompetência dos seus titulares e da inoperância do governo federal, na tentativa de encaminhar alguma solução para o caos no sistema aéreo brasileiro. Enquanto o ministro Valdir pires não faz nada, o presidente Lula ocupa o seu precioso tempo na distribuição dos cargos para compor a sua base de sustentação. Estamos vivendo uma pane administrativa. Falta comando e os liderados refletem a liderança.

Da Agência Senado
Jereissati protesta contra crise na aviação civil e recebe apoio de 20 senadores

Em nome da liderança do PSDB no Senado, Tasso Jereissati capitaneou os protestos de quase 20 senadores contra a sucessão de crises que se abateu sobre a aviação civil brasileira, iniciada, no final de setembro, com o acidente envolvendo um avião da Gol e um jato Legacy.Após acusar o governo federal de “incompetência, displicência e desleixo” no trato da questão, Jereissati reivindicou uma tomada de posição do Senado frente ao caso. Logo em seguida, o Plenário do Senado aprovou requerimento do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) solicitando a instalação de uma comissão de senadores para acompanhar a crise junto ao Ministério da Defesa e ao Comando da Aeronáutica.

Como eleger prioridades

Do blog do Noblat

O barato que custa caro – (…) Lula foi alertado nos primeiros meses de 2003 pelo então ministro José Viegas, da Defesa, para a necessidade de contratar com urgência mais controladores de vôos. Em documento de 20 páginas, Viegas disse que a falta de investimentos no setor combinada com o crescimento do número de vôos acabaria por provocar o que assistimos agora. O inferno nos aeroportos decorre da imprevidência e da falta de responsabilidade do governo. Teria saido mais barato evitá-lo do que comprar o AeroLula.

O Ceará no mapa da insegurança jurídica

O ex-blog do César Maia de hoje – na verdade uma newsletter – enumerou uma série de motivos que impedem o crescimento do Brasil. Alguns desses argumentos ilustram bem o quanto a credibilidade do Ceará ficará prejudicada com a crise do gás.

POR QUE O BRASIL NÃO CRESCE? (César Maia)
3. [A necessidade de previsão do ambiente e a flexibilidade de localização] passaram a exigir no mundo de hoje uma preliminar não econômica para os investimentos de maior incorporação de tecnologia e risco. É a Segurança Jurídica. Ou seja, a previsibilidade quanto à estabilidade das regras do jogo e o respeito às mesmas.

6. Nos últimos anos agregou-se um elemento a mais de insegurança jurídica: a política externa do governo brasileiro. Na medida que ela se confraterniza com países que tem como prática o desrespeito aos contratos estabelecidos, o governo sinaliza que amanhã poderá ser aqui. Mais grave quando sequer defende seus próprios direitos, ou de suas empresas, nestes países.

8. O resultado é um crescimento medíocre e um volume risível de investimentos em pesquisa. (…) Ou seja: o problema [é] a previsibilidade das regras do jogo, a segurança jurídica. Sem esta preliminar não haverá política econômica que dê conta do recado.

Esses três pontos, e em especial o número 6, estão diretamente relacionados ao impasse no cumprimento do contrato de abastecimento de gás para a siderúrgica. Por conta disso, o Ceará será riscado do mapa de investimentos privados de grande porte. Isso significa regredir 20 anos ou mais, voltando ao tempo em que o Estado vivia das esmolas federais.

Quando as oposições abdicam do seu papel – lá e cá

Do blog do Reinaldo Azevedo, hoje.

Oposições – Ainda bem que existe o PT para criar algumas confusões, ao menos aparentes, para o governo do PT, não é mesmo? Ou o Brasil seria um tédio só: algo assim politicamente tão aborrecido como a Noruega ou a Suécia, só que sem os confortos de lá. Refiro-me, naturalmente, às oposições. Acreditam que os mansos de espírito herdarão o reino dos céus. Ou a cadeira de Lula. O passado fala pelo presente quanto a esta tática.

A qualidade da democracia depende dos governos e das… oposições

DICIONÁRIO DE POLÍTICA – 2 volumes
Noberto Bobbio – Nicola Matteucci – Gianfranco Pasquino

As dúvidas que pairam sobre a posição a ser tomada pelo PSDB estadual frente ao futuro governo Cid Gomes, somadas a falta de debates e confrontos na Câmara Municipal de Fortaleza, são preocupantes. O professor italiano Gianfranco Pasquino afirma que a qualidade de uma democracia é medida pela soma das virtudes do governo e da oposição. Havendo deficiência numa das partes, todo o processo democrático perde. A postura vigilante do deputado Heitor Férrer perante as licitações do Executivo, demonstra que a oposição não precisa se restringir a divergências ideológicas ou a pormenores partidários. Fiscalizar a lisura das ações dos governos é uma das suas atribuições mais importantes.

Licitações e laranjais

As irregularidades denunciadas pelo deputado Heitor Ferrer precisam ser apuradas, naturalmente. Mesmo guardando prudência para evitar acusações precipitadas, o caso evidencia uma prática que, vez por outra, ocupa o noticiário: o uso de laranjas para fraudar licitações nos mais diversos âmbitos da administração pública. Por enquanto, a denúncia abre espaço para questionamentos e especulações. O Estado foi enganado? A documentação apresentada pela empresa vencedora é autêntica? O critério do menor preço é imperativo? Será tão fácil assim ludibriar as autoridades e a concorrência? E o pior: houve coninvência? O fato é que ainda não dá para definir responsabilidades, nem é possível, por enquanto, distinguir se houve improbidade, prevaricação ou corrupção.

Denúncia

Matéria de capa do jornal O Povo desta quarta: “Marceneiro ganha licitação de R$ 19 milhões.”

O marceneiro e a licitação milionária – Oficialmente, Antônio (Teixeira) é sócio de uma empresa que ganhou uma licitação do Estado no valor total R$ 19,1 milhões para prestar serviços de administração, de informática e de limpeza (R$ 1,5 milhão por mês). A empresa informou ao governo que possui uma frota própria de carros, capaz de fazer o transporte diário de 1.561 funcionários. O contrato da empresa garante que ela tem um capital social de R$ 80 mil. Desse total, R$ 64 mil teria vindo de Antônio e outros R$ 16 mil de um segundo sócio, morador da Aldeota. Mas isso, no papel. “Não tenho ação, não tenho bens, não tenho patavinas nenhuma”, afirmou Antônio, que nem sequer sabia que “sua” empresa havia ganho uma licitação de R$ 19,1 milhões. A casa em que ele mora está à venda. O valor: R$ 8 mil, oito vezes menos do que o marceneiro supostamente teria injetado na empresa. A disparidade entre as condições financeiras do “dono” da Mira Serviços de Mão de Obra Ltda. e o valor da licitação chamou a atenção do deputado estadual Heitor Férrer (PDT), que ontem denunciou o caso no plenário da Assembléia Legislativa. Leia mais aqui

Nota
O procurador-geral do Estado, Wagner Barreira, afirmou no Blog do Eliomar, que “a empresa ganhadora não assinou ainda o contrato”, e que “diante disso, já mandou sustar o contrato”.

Shoppings Avenida e Aldeota vivem crise

Por Luzenor de Oliveira, no site Ceará Agora

Uma síndrome parace abalar os shoppings verticais que funcionam nas proximidades da Praça Portugal, no Bairro Aldeota, em Fortaleza. Não faz muito tempo que o Shopping Avenida, que funciona na Avenida Dom Luis, perdeu lojas, escritórios e ficou esvaziado. Um investimento de milhões de reais sem futuro definido. Agora, uma imagem chama atenção: no Shopping Aldeota, pelo menos, 50 lojas, do segundo ao último piso, estão fechadas. O que está acontecendo?

Dois pesos, duas medidas, e uma fraude 2

Edilmar Norões – Diário do Nordeste – quarta-feira
Justificando – Para atender aos seus interesses empresariais, até como satisfação aos seus acionistas, a Petrobras coloca os preços do gás em primeiro plano. Daí, a dificuldade para que ao caso seja dada uma solução política, como quer a bancada cearense. Uma solução que somente viria com o envolvimento direto do presidente. O que o PT acredita ocorrerá.

Esse é o discurso da Petrobras. Quando os bolivianos tomaram as instalações da estatal brasileira naquele país, não houve interesse empresarial que a fizesse tomar uma atitude. Pelo contrário. Compreensiva, a Petrobras aceitou o prejuízo e o governo brasileiro ainda festejou a soberania… da Bolívia. Nesse caso, as questões políticas se impuseram sem nenhum problema. Agora, quando se trata do Ceará, tudo é muito técnico, e os acionistas viram uma preocupação imensa. E o compromisso político (e moral) do presidente Lula vira, sei lá, um detalhe, uma lembrança que precisa ser reavivada. Até parece que a Petrobras trabalha à revelia dos desígnios do Palácio do Planalto.

Dois pesos, duas medidas, e uma fraude

Soldados do exército boliviano, acompanhados pelo presidente Evo Morales, ocupam e expropriam instalações da Petrobras na Bolívia. Governo brasileiro e estatal não lamentaram prejuízos. Preferiram cobrar dos cearenses.
Valor Econômico de hoje:
Petrobras pode perder até US$ 1 bi com usina no Ceará – O prejuízo da Petrobras com o fornecimento de gás à usina de aço da Ceará Steel, se não for encontrada uma fórmula de reajuste do valor, pode chegar a US$ 1 bilhão. Essa cifra é superior ao total previsto para o empreendimento, orçado em US$ 800 milhões, de acordo com dados da estatal.

Ah, bom. E só descobriram isso depois das eleições, é claro. A desculpa oficial para o estelionato eleitoral está ganhando corpo e as manchetes do sul. Todo contrato está sujeito a variações e renegociações, mas esse caso é diferente. O tal reajuste no valor do gás foi uma violenta imposição do governo boliviano, que ainda roubou os ativos da Petrobras instalados no seu território. Quanto custou essa perda? Mais ou menos que US$ 1 bilhão? Ninguém disse ainda. Obviamente, o governo brasileiro deveria ter acionado os tribunais internacionais para negociar um preço justo, amparado em estudos técnicos. Em vez disso, preferiu defender o presidente boliviano e espetou a conta nos cearenses. Ou seja, o Planalto foi omisso diante dos caprichos de estrangeiros e agilíssimo na hora quebrar contratos de investimentos feitos no Brasil. Repito: o prejuízo da Petrobras não é resultado do contrato feito com o Ceará, mas da omissão da estatal e do governo brasileiro frente a agressão dos bolivianos.

Supersalários deveriam ser indexados pelo salário mínimo

Jornal O Povo

Conselho libera supersalários de procuradores e promotoresUma polêmica decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), aprovada ontem, fura o teto [salarial] determinado pelo CNJ [Conselho Nacional de Justiça] e garante a promotores e procuradores o direito de manterem um salário de R$ 22,1 mil. Eles receberão o teto do funcionalismo da União, que é de R$ 24,5 mil. O procurador-geral Antonio Fernando de Souza recorrerá no STF contra a medida.

Não quero entrar no mérito jurídico da ação. Mas esse negócio de certas categorias profissionais pagas com dinheiro do contribuinte decidirem quanto irão receber de salário pode até ser legal, mas é imoral. E na prática, é assim que tem funcionado. Por mim, todo e qualquer salário pago pelo Erário deveria ter como índice a variação do salário mínimo. Pronto. Os salários do juízes, dos prefeitos, dos deputados, dos promotores, dos ministros, ou do presidente da República, só poderiam aumentar o mesmo percentual que o salário mínimo. Aposto que haveria mais empenho para melhorá-lo.

Palpite? Não. É Teoria Política!

Ainda sobre o caso do “fogo amigo” de esquerdistas contra a Prefeitura, vejam que a minha tese de ação coordenada continua repercutindo na imprensa. No post Aliados criticam gestão municipal. Não é crise, é ação planejada (clique para ler a íntegra), de 31 de novembro passado, antecipei que o referido episódio obedecia a uma estratégia de disfarçe. Leiam nota da coluna Comunicado, do Diário do Nordeeste desta terça.

Para bons entendedores Primeiro, foi Sérgio Novais, vereador, presidente estadual do PSB e principal articulador da candidatura de Luizianne Lins (PT) à Prefeitura de Fortaleza em 2004. Escolhendo cuidadosamente a palavra, ele chamou de ´inapta´ parte do secretariado da prefeita. Depois, foi Tin Gomes, presidente da Câmara Municipal e também aliado de Luizianne. Este, mais comedido no discurso, falou da necessidade de reformas no estafe da chefe do Executivo sem enfatizar nenhum adjetivo. A última agora é do Diretório do PT de Fortaleza. Sob o comando de outro aliado de Luizianne – o vice-governador eleito, Francisco Pinheiro –, a instância municipal chamará o secretariado a falar de suas ações. Pois bem, há quem reclame que a prefeita ainda não tratou publicamente do assunto. A pergunta é: com tantos interlocutores privilegiados se pronunciando, precisa mesmo Luizianne dizer o que quer?

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