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Eleições e expectativa de poder: tucanos avançam na base governista

Essa é do blog do Lauro Jardim/Veja:

Além das já conhecidas conversas com o PTB e o PSC, os tucanos estão agora negociando com outras legendas pequenas da base aliada de Lula. São ao menos mais dois partidos que têm se reunido com a cúpula do PSDB para negociar a aliança na chapa de José Serra.

A desenvoltura desse assédio da oposição sobre partidos da base aliada é a face expressa de um ambiente partidário frágil e de uma aposta eleitoral. Como sabemos, os partidos não se aliam uns aos outros somente por convicção, mas também, em muitos casos, por conveniência. Quem imaginou, por exemplo, uma aliança entre Collor e PT, como neste ano em Alagoas? Para completar, a legislação frouxa contribui com a mercantilização da política quando permite a profusão de siglas de aluguel.

Mas existe também outra observação, de ordem prática. Partidos políticos também se unem ao sabor da chamada expectativa de poder. Ou seja, essas agremiações, mesmo as maiores e descentralizadas, como o PMDB, avaliam as possibilidades de vitória eleitoral e de composição em futuros governos. A depender do quadro, a abertura para novos entendimentos pode surgir.

Se o candidato da oposição, que não tem a máquina, consegue atrair aliados do governo no apagar da luzes, isso pode significar: 1) descontentamento com a candidatura oficial; 2) desconfiança sobre o sucesso dessa candidatura; 3) aposta na vitória da oposição, 4) chantagem eleitoral para obter favores do governo. Ou tudo isso junto, não necessariamente nessa ordem. O fato é que existe um cálculo a guiá-los. A eventual confirmação desse movimento, prevista para abril, prova que a disputa está aberta, o contrário do que dizem alguns. Como diria Alan Neto, quem viver, verá.

Lula se licenciar da Presidência para ajudar Dilma? Fala sério!

Até agora Lula não precisou se afastar da Presidência para subir no palanque com Dilma. Por que ele faria isso?

Até agora Lula não precisou se afastar da Presidência para subir no palanque com Dilma. Por que ele faria isso?

 O mais novo boato da praça para as eleições deste ano – plantado em colunas de jornal e baseado em revelações de “fontes” - diz que Lula deve se licenciar do cargo para ajudar sua candidata Dilma Rousseff, situação em que o senador José Sarney assumiria interinamente a Presidência da República.

Tanto desapego teria duas causas nobres: 1) Lula priorizaria a eleição de Dilma para garantir a continuidade do seu legado; 2) evitar problemas com a Justiça Eleitoral. No entanto, não é preciso ser gênio para perceber que a melhor forma de ajudar a candidata oficial é estar no comando da máquina (e não abdicar dela), e que a Justiça Eleitoral não preocupa Lula – que há dois anos deu início a uma campanha eleitoral que só o TSE não quer ver. 

Truque
Essa historinha de sair do cargo não vazou de graça.
E a intenção é óbvia. Lula não se licenciará. E qual então a utilidade do boato? Simples: justamente fortalecer o papel de Lula como cabo-eleitoral de Dilma, passando para o público a ideia de que Lula em campo é imbatível.

É mistificação do presidente com interesse de potencializar a associação de sua imagem com a da candidata. Tudo perfeito. Lula, que tem alta popularidade, também imaginou que ganharia de lavada em 2006. Levou um susto quando o insosso Geraldo Alckmin passou dos 40% dos votos e levou a disputa para o segundo turno. Como vemos, nem sempre o esforço de mistificação consegue produzir o resultado que se espera.

Lula é um trunfo para Dilma? Evidente. Mas daí a pintá-lo como mágico das urnas vai uma distância. Em 2008, “o cara” foi a São Paulo como um Midas eleitoral e abençoou Marta Suplicy. A mulher perdeu de lavada para Kassab. O fato mesmo é que essa conversa de escalar Lula como arma secreta acaba revelando um certo receio de que a candidata biônica não tenha força suficiente para, munida apenas de sua própria graça, ser competitiva o bastante.

Nova pesquisa Datafolha complica candidatura presidencial de Ciro

Nova pesquisa Datafolha, divulgada pelo jornal Folha de São Paulo. Em negrito seguem os números da consulta realizada agora entre os dias 24 e 25 de fevereiro, e, entre parênteses, para comparação, os números da pesquisa feita entre os dias entre 14 e 18 de dezembro:

Primeiro turno
Serra – 32% (37%)
Dilma – 28% (23%)
Ciro – 12% (13%)
Marina – 8% (8%)

Cenário sem Ciro:
Serra - 38% (40%)
Dilma - 31% (26%)
Marina - 10% (11%)

Comento: Nas últimas semanas dois candidatos, ou pré-candidatos, à Presidência da República buscaram mais espaço no noticiário nacional. Ciro Gomes, que estrelou o programa do PSB; e Dilma Rousseff, que foi aclamada candidata petista no congresso do partido. Campanha antecipada que só o TSE insiste em não ver. O esforço de ambos, evidente, intencionava vitaminar seus desempenhos nas pesquisas. Dilma conseguiu, Ciro não.

Um outro dado da pesquisa é especialmente importante para avaliar esse movimento de avanço de uma e estagnação do outro:

Os eleitores conhecem o candidato?
Serra – 38% (40%)
Dilma – 31% (26%)
Marina – 10% (11%)

Comento: Ciro não conta com o recall (lembrança do nome proveniente de outras eleições) que possui. Para o eleitor ele é carta fora do baralho, embora seja conhecido. A polarização que o deputado diz ser prejudicial para o debate público não é mais uma possibilidade, é um fato real, embora José Serra ainda não tenha confirmado a intenção de disputar o Planalto. Para o possível candidato do PSB, com o passar do tempo fica cada mais difícil atrair aliados e recursos. Além do mais, Dilma mostrou que tem força para sustentar uma candidatura da base sem a necessidade de reforço de um segundo nome, como defende Ciro.

O desempenho de Dilma, embalada pela força do petismo, o apoio do padrinho Lula e o uso do cargo de ministra para se manter em evidência nos palanques do PAC, era esperado. E ainda há margem para que ela avance mais alguns pontos até o final de março, início de abril. A questão é ver, entre Serra e Dilma, quem consegue ir além do patrimônio eleitoral que seus respectivos partidos possuem.

Dilma discorda de Ciro quando o assunto é aliança eleitoral

Dilma,a escolhida de Lula, e Sarney - Nada de críticas ao PMDB de Renan e Jáder Barbalho

A ainda ministra Dilma Rousseff, agora candidata oficial do PT, concedeu entrevista à revista Veja que chega às bancas nesta semana. As perguntas foram feitas por e-mail, mas sem direito a réplicas.

A ex-guerrilheira e ex-filiada ao PDT (onde militou por 21 anos), Dilma foi escolhida, indicada e imposta ao PT pelo presidente Lula. A ministra foi econômica nas palavras e optou por um estilo mais conciliador, conforme orientação do presidente da Répública, seu principal cabo eleitoral.

Abaixo, destaco uma passagem da entrevista, que pode ser conferida na íntegra aqui.

O presidenciável Ciro Gomes, aliado do seu governo, afirma que a aliança entre o PT e o PMDB é um “roçado de escândalos semeados”. A senhora não só defende essa aliança como quer o PMDB indicando o vice em sua chapa. Não é um risco político dar tanto espaço a um partido comandado por Renan Calheiros, José Sarney e Jader Barbalho? Não se deve governar um país sem alianças e coalizões. Mesmo quando isso é possível, não é desejável. O PMDB é um dos maiores partidos brasileiros, com longa tradição democrática. Queremos o PMDB em nossa aliança.

Para os rigores do pensamento politicamente correto, Dilma foi, me permitam um eufemismo mais elegante, pragmática. Mas a verdade é que Ciro tem razão ao dizer que alianças feitas na base do “toma lá, dá cá” representam um mal para o país.

O deputado,  no entanto, fala com a destreza de quem não tem nada a perder. Já a ministra fala com a responsabilidade de quem representa – atenção – um projeto de poder.

Ademais, convenhamos. Sarney, Renan Calheiros e Jáder Barbalho se mostraram eficientes aliados do atual governo, não obstante o atraso que representam. Sim, é fato que essa turma é aliada de qualquer governo. No entanto, vocês se lembram quem foi eleito prometendo romper com eles, não é mesmo?

PS. Para Ciro, não custa lembrar, o PMDB só é ruim em Brasília. Aqui no Ceará ele não vê problemas na aliança do partido com seu irmão Cid.

Pesquisa Ibope mostra mais do que aparenta

Serra, Dilma e Ciro

A nova pesquisa Ibope mostra bem mais do que a simples flutuação de quem subiu ou desceu nas intenções de voto. A consulta mostra algumas expectativas do eleitorado que podem sugerir cenários para os estrategistas dos principais candidatos. Colocados os nomes, o desafio agora é saber onde e como procurar votos.

O tucano José Serra continua na liderança na disputa para a Presidência da República, com 36% das intenções de voto. Na anterior ele tinha 38%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, significa que o governador paulista tem posição estabilizada, apesar dos problemas causados com as fortes chuvas em São Paulo.  O tucano, portanto, deve prosseguir com a mesma cautela, evitando antecipar embates ou polêmicas.

A ministra Dilma Rousseff cresceu oito pontos. Tinha 17% em dezembro e agora aparece com 25%. Crescimento mais do que esperado em virtude da forte exposição a que se submete, quase sempre acompanhada do presidente Lula. O resultado da campanha antecipada aparece nos números do Ibope. Dessa forma, a petista deve continuar viajando e buscando holofotes para se promover. O Planalto aposta em um empate técnico já no mês de março. 

O fator Ciro
Outro que oscilou dentre da margem de erro foi o deputado federal Ciro Gomes (PSB), que tinha 13% em dezembro e agora tem 11%. Acuado pela pressão do presidente Lula para que desista de ser candidato a presidente, Ciro assiste a crescente polarização da disputa entre Serra e Dilma. Sua última cartada deve ser o anúncio oficial de sua candidatura presidencial prometido para o programa do PSB que vai ao ar nesta quinta (18).

Por outro lado, é importante anotar que o cenário sem Ciro mostra que o maior beneficiado seria Serra. Nesse caso, o tucano venceria a petista por 41% a 28%. Essa movimentação fortalece a tese do PSB segundo a qual a base governista deveria apresentar duas candidaturas, para evitar o risco de uma vitória de Serra no primeiro turno.

Rejeição
Os mais rejeitados na pesquisa foram Ciro (41%) e Marina (39%). Justamente os dois últimos colocados na preferência. Vistos com poucas chances de vitória, tendem a ser evitados por não apresentarem competitividade. É um efeito da polarização. Chama também a atenção a rejeição de Dilma, que alcança 35%. É uma rejeição alta para quem nunca ocupou cargos eletivos, nunca disputou eleição e conta com padrinho forte. Serra é rejeitado por 29%, dentro do esperado para quem história em eleições e que corresponde à intenção de votos em Dilma.

Outros números
34% querem a total continuidade do atual governo – Conquistar esse público deve ser a meta de Dilma no curto prazo;

25% querem a manutenção de apenas alguns programas com muitas mudanças e 10% querem a mudança total do governo do País – A soma desses itens corresponde justamente ao índice de intenção de voto em Serra;

29% querem pequenas mudanças com continuidade – Esse é o público a ser disputado. Quem se apresentar como a continuidade melhorada, leva.

Afinal, o que a Justiça Eleitoral entende por campanha antecipada?

Para o TSE isso não é campanha, é ato de governo

Os partidos de oposição protocolaram, nesta quinta-feira (11), a 10ª representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Lula e ministra Dilma Rousseff. PPS, PSDB e DEM acusam a dupla de fazer campanha antecipada, o que é proibido pela Lei Eleitoral. Cinco representações foram arquivadas, enquanto outras cinco ainda estão pendentes de julgamento.

A grande questão é saber o que, afinal, vem a ser uma campanha eleitoral, para então definir se há ou não antecipação. O TSE afirma que é preciso lançamento ou registro de candidatura, ou ainda pedidos explícitos de votos. Na prática, o Tribunal se prende aos aspectos meramente formais, enquanto na vida real Dilma e Lula correm o país em campanha aberta. Quem não sabe que a ministra é a candidata do PT?

Para efeito de comparação, basta lembrar que o novo Código Civil deixou de lado o conceito obsoleto de casamento (aquele com papel passado), para levar em consideração a chamada estável”. O entendimento é que os fatos falam por si mesmos – mesmo sem documento algum, um casal que vive junto forma um… casal. Da mesma forma, é preciso que a Justiça Eleitoral se atenha aos acontecimentos e práticas vigentes para não ser desmoralizada por manobras que visam justamente desobedecer a Lei. E os fatos estão aí para qualquer um que queira ver.

O presidente Lula já chamou Dilma de “bichinha palanqueira” e “minha candidata”, sempre em eventos e viagens pagas com DINHEIRO PÚBLICO, o que é um agravante e tanto.  Na propaganda de comemoração pelos 30 anos do PT, a candidata Dilma, devidamente acompanhada de seu padrinho Lula, fala: “Venha com a gente, vamos continuar mudando o Brasil”.  Se isso não for campanha eleitoral antecipada e um pedido direto de votos, o que é então? Atos de governo?

Liderança não se transfere

Charge do Newton Silva, publicada no Jangadeiro Online. Reparem na sonoplastia das palmas da boneca animada por Lula. Sobre a liderança de Dilma, ou a evidente falta dela, ler post anterior.

CHARGEREFLEXO

Visite o site de Newton Silva

O desafio de Dilma é sair da sombra de Lula

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta segunda-feira que “Dilma não é líder, é reflexo de um líder”. A estocada foi uma espécie de prévia da estratégia de desconstrução de imagem a ser utilizada pela oposição na campanha eleitoral deste ano. Se por um lado o governo quer a polarização plebiscitária simbolizada na eterna disputa entre Lula e FHC, por outro a oposição tentará focar nas figuras de Dilma e Serra. Um quer olhar para o passado, o outro para o presente.

A intenção dos adversários da candidata oficial é clara: mostrar que Dilma não possui qualidades para o cargo de presidente da República. Faltaria à ministra,  mais especificamente, a experiência e a liderança necessárias para o desafio, e menos explicitamente (para não torná-la vítima), a competência, materializada na lentidão do PAC.

Convenhamos, dado o currículo de José Serra ou mesmo Aécio Neves, administradores bem avaliados e políticos experientes em disputas eleitorais; e dado a falta de passado político-eleitoral de Dilma, parece ser uma estratégia adequada – o que não significa garantia de vitória. Levará a melhor quem conseguir infundir no eleitor a perspectiva que lhe interessar: o governo deseja vender a ideia de que Dilma é a certeza de continuidade; a oposição procura o inverso: demonstrar que ela é uma incógnita.

Nesse sentido, a ministra deve mostrar que é mais do que a escolhida de Lula, de modo que a imagem do presidente não a ofusque e faça de seu trunfo, uma maldição. A provocação de FHC pretende reforçar justamente essa condição subalterna da imagem de Dilma.

De novo a pegadinha do PAC

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentou o nono balanço quadrimestral do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Antes, uma lembrança. No oitavo balanço, a Casa Civil “esqueceu” de contabilizar as obras de moradia que deveriam constar no PAC, e que teimam em não sair do papel. Sem elas, o número de obras feita aumentava. Quem lembra das filas de cadastro para o programa Minha Casa, Minha Vida? O truque foi desmascarado pela velha imprensa golpista de sempre.

Agora, Dilma se encheu de orgulho para dizer que, passados três anos do lançamento do PAC, o volume de dinheiro alocado atingiu 63,3% do total previsto. Seria um ritmo de “aceleração” que corresponderia a 21% ao ano. O problema é para concluir todas as obras previstas na meta, o governo terá de fazer em 12 meses o que não fez em três anos. Ou seja, em 2010 teria que aplicar os 36,7% que faltam.

Mas isso não é tudo. Esses números estão vitaminados pelo desejo de Dilma em se mostrar competente, afinal, ele será candidata. Mas a REALIDADE é outra. Como informa o jornal O Estado de São Paulo desta sexta-feira (5), “se a conta for feita considerando apenas as ações efetivamente concluídas, o cenário é mais desalentador. Passados 36 meses, as obras encerradas correspondem a 40,3% do total. Ainda assim, Dilma afirmou que houve “uma evolução bem favorável” do programa”.

Resumindo: ainda faltam 59,7% de obras do PAC para serem concluídas no último ano de governo Lula. Diante da impossibilidade do desafio – quem aposta nisso? – a solução foi, como sempre, apelar para o malabarismo retórico, distorcer números e, claro, chamar a rapaziada do marketing, que inventou um tal de PAC 2. É mole?

Vox Populi: Serra lidera, Dilma cresce e Ciro se fragiliza

O instituto Vox Populi fez nova pesquisa para a corrida presidencial. Os números foram divulgados na noite de sexta (29) pela TV Bandeirantes.

José Serra (PSDB) lidera com 34% das intenções de voto, seguido de Dilma Rousseff (PT) com 27%. A petista subiu nove pontos em relação a pesquisa anterior, realizada no início de dezembro de 2009. O tucano recuou cinco pontos e Ciro Gomes (PSB) caiu seis pontos.

Para saber mais detalhes: Vox Populi: sem Ciro na disputa, Dilma cresce menos.

Comentário
A pesquisa, evidentemente, servirá de combustível para os entusiastas da candidata petista, que diminuiu a diferença para o líder. Agora sete pontos os separam. Essa distância já foi de mais de vinte pontos. Entretanto, é preciso situá-la em seu devido contexto para que tenhamos uma análise mais realista dos números.

1 – Dilma está em campanha aberta, com direito a declarações nesse sentido e com apoio explícito e constante do presidente Lula. Há uma intensa exposição da candidata nesse momento. Além disso, existe a estratégia de afastar a ministra de qualquer tema polêmico que envolva a gestão: do apagão ao aborto;

2 – Serra ainda não está em campanha, embora seja o virtual candidato tucano, com a desistência do mineiro Aécio Neves de concorrer ao Planalto. O governador paulista não tem a mesma exposição de Dilma. Seu desempenho decorre de recall, ou seja, por já ter sido candidato uma vez, ele é mais conhecido;

3 – Ciro tem situação indefinida, já que o presidente Lula deseja apenas uma candidatura governista: a de Dilma. Assim, Ciro foi isolado pelo Planalto e sua candidatura não dispõe de musculatura, ou, em outras palavras, de recursos e de tempo no horário eleitoral gratuito;

4 – Existe o efeito PT, que consiste na tendência, observada em diversas eleições, de que candidatos petistas possuem, tradicionalmente, cerca de 30% de intenção de votos. Esse é o espaço da sigla. Outros 30% o rejeitam. O desafio de Dilma é avançar nos demais 40%.

Dessa forma, está tudo mais ou menos dentro do previsto. Era esperado que Dilma chegasse a esse patamar, especialmente nas referidas circunstâncias. Serra não deve, por enquanto, mudar sua estratégia. A situação de Ciro é a mais complicada. Enquanto espera uma definição de Lula e do PSB, vê sua posição se fragilizar na disputa.

A mentira como norma social

Artigo publicado originalmente no jornal O Estado

A hegemonia esquerdista no sistema educacional brasileiro produziu uma espécie de patologia que, de tão generalizada, virou norma. Vivemos um permanente estado de esquizofrenia coletiva, imersos num mundo de fantasia onde tudo o que existe resulta da luta maniqueísta entre a direita malvada e a esquerda angelical. Para os nossos alunos, essa premissa é um dado real e natural cientificamente comprovado, tal como a lei da gravidade. Isso é chamado de “trabalho de base” pelos agentes que o promovem.

Tais estudantes, claro, crescem e ocupam espaços no mercado de trabalho, onde acabam por reproduzir as manipulações das quais foram vítimas, agora com a autoridade de um “profissional” devidamente qualificado. Na imprensa, essa condição permitiu o massacre midiático da verdade dos fatos pela propaganda ideológica.

Por isso, episódios escancaradamente produzidos para reescrever o passado e enganar o público – no melhor estilo stalinista -, são recebidos sem a devida crítica capaz de restabelecer a realidade falseada. E de tão repetido, o expediente passou a ser absorvido inconscientemente como algo fidedigno e inquestionável.

No último dia 21 de dezembro, a ministra da Casa Civil e candidata ungida do Planalto à Presidência da República, Dilma Rousseff, chorou durante solenidade de entrega do Prêmio Direitos Humanos 2009 à senhora Inês Etiene Romeu. As duas atuaram como extremistas de esquerda numa guerra contra extremistas de direita nos anos 60 e 70. Inês foi presa e torturada por agentes da ditadura brasileira. Ambas pertenciam a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização terrorista que, entre outros crimes, assassinou o capitão do exército americano Charles Rodney Chandler, destino do qual a premiada Inês foi poupada.

Na imprensa, a versão vigente é de que elas lutavam pela reposição do regime democrático no Brasil. Falso! Essas senhoras queriam mesmo era implantar outra ditadura, baseada nos princípios de uma doutrina genocida e torturadora por excelência: o comunismo. Para isso, a dupla estava disposta a fazer (e fez) o que agora condena. E sem arrependimentos, pelo contrário.

Transformar apologistas e operadores do totalitarismo em campeões da liberdade e defensores dos direitos humanos é uma daquelas inversões que deveriam estarrecer a opinião pública. Não foi o que aconteceu. A preocupação geral era com o novo cabelo da companheira Dilma. E assim seguimos: esquizofrenicamente perdidos entre mentiras e irrelevâncias, porém, felizes.

O apagão gerencial. Será que o governo foi assessorado pelo marketing da Uniban?

Todos sabem que na noite de terça-feira (10) um apagão na rede elétrica deixou 18 estados às escuras. No entanto, chegamos ao final da semana sem que o governo federal, que é o responsável pelo sistema, apresente uma única explicação convincente. A conversa de que foi o mau tempo, tocada pelo ministro Edson Lobão, já foi solenemente desmentida pelo INPE.

Temos até agora o seguinte: o governo tenta fingir que não houve apagão. Não colou. E agora tenta mudar de assunto, procurando uma pauta positiva. Ontem o Planalto fez uma grande cerimônia para celebrar a diminuição do desmatamento na Amazônia. No entanto, dada a qualidade dos discursos, é visível que o apagão deixou as autoridades desnorteadas. 

No evento, o presidente Lula falou sobre meio ambiente e poluição, em um de seus momentos mais constrangedores desde que tomou posse pela primeira vez. Transcrevo reportagem do jornal O Globo:

O presidente Lula citou até o criador da psicanálise para tentar desvendar os mistérios da natureza. “Eu já disse várias vezes: Freud dizia que tinha algumas coisas que a humanidade não controlaria. Uma delas eram as intempéries”.

Em seguida, o presidente tentou explicar o porquê do clima ser tão imprevisível. “Então, essa questão do clima é delicada por quê? Porque o mundo é redondo. Se o mundo fosse quadrado ou retangular e a gente soubesse que o nosso território está a 14 mil quilômetros de distância dos centros mais poluidores, ótimo, vai ficar só lá. Mas como o mundo gira e a gente também passa lá embaixo onde está mais poluído, a responsabilidade é de todos”.

Que cacetada! Freud, para variar, foi distorcido. A tese de que passamos por baixo da poluição dos outros países quando o planeta gira é a coisa mais estúpida que já ouvi. Mas vá falar que foi burrice! Não faltará que o advirta: isso é preconceito. Então tá.

Exploração política
A base aliada e o núcleo duro do governo correram para desqualificar as críticas da oposição, espalhando que esta quer politizar uma questão técnica para tirar proveito eleitoral. E parte da imprensa já comprou a tese. Ora, a oposição tem mesmo é que denunciar – politicamente – o que acredita ser uma falha de governo. Esse é o seu papel, ora bolas! E qual oposição não quer vencer eleições explorando os erros do governo? O PT fará isso algum dia? Pelo amor de Deus.

O mais revelador em todo esse episódio é a reação da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. Ex-ministra de Minas e Energia, ela sempre procurou vender a imagem de mulher competente. Até falsificou o currículo. Mas o que ele fez de tão especial? A conversa é que tinha resolvido os problemas de insegurança da rede elétrica… Como vimos, o apagão matou essa historinha. Dilma tentou, num primeiro instante, submergir para escapar das críticas (porque sabia que lhe seriam feitas cobranças) e deixar o ministro Lobão arcar com o ônus.

Pegou mal e Dilma voltou para tentar “administrar” a crise. Mas pela postura, demonstrou ser uma candidata difícil de emplacar. Ficou com raiva da imprensa, batendo o pezinho com o dedo em riste: “Não foi apagão, foi blecaute!”. E depois, com arrogância, decretou: “Caso encerrado”. Como assim encerrado? E as causas? E as provas do que aconteceu?

Reação atrapalhada
Para ser sincero, as declarações desencontradas e muitas vezes contraditórias das autoridades me surpreenderam e deixam a impressão de que o próprio governo está assustado por não saber o que houve e por medo de que o sistema volte a cair. Até parece que o governo está sendo assessorado pelo pessoal da Uniban para gerenciar os danos de imagem. A melhor resposta a ser dada no momento não poderia ser outra: “Estamos averiguando o que houve. Por enquanto podemos afirmar que o sistema está estável e sem indicador de que volte a ocorrer outra interrupção. No entanto, envidamos todos os esforços nessa investigação. Vamos destacar a ministra Dilma para chefiar uma equipe de análise para ajudar a esclarecer  tudo. A população pode ficar certa de que as respostas serão devidamente dadas assim que possível”. Ou seja. O negócio seria ganhar tempo e mostrar ação.

Mas o governo prefere tentar diminuir a importância do caso, postura que apenas reforça a impressão de incompetência administrativa.

Por que a oposição lidera as pesquisas?

Artigo publicado no jornal O Estado

Faltando ainda um ano para as eleições de 2010, muito pouco se pode afirmar sobre as condições dos possíveis candidatos que buscam galvanizar seus projetos eleitorais.

Os fatos que hoje mais atraem a atenção da mídia, como a dúvida do PSDB entre Serra e Aécio; ou como a campanha explícita que o presidente Lula faz para sua escolhida, a ministra Dilma Rousseff; não passam de assessórios que orbitam uma questão central: que discursos serão personificados por eventuais candidatos dessas forças políticas?

O ponto de partida é saber reconhecer que o eleitor brasileiro é conservador, ou seja, é avesso a mudanças radicais. Nesse sentido, o fato mais instigante e revelador do quadro eleitoral, atualmente, é constatar a liderança de José Serra nas pesquisas, que configura a inusitada circunstância onde um opositor é o favorito para suceder o governo de um presidente com alta popularidade.

Por enquanto o que temos é um governo com boa aprovação e um presidente bem avaliado que não conseguem produzir no eleitorado uma expectativa de continuação de sua obra.

A conclusão óbvia é que para esse eleitorado a opção por José Serra não significa, até o momento, uma ruptura, da mesma forma que o Lula da Carta aos Brasileiros não representou uma ruptura com o governo FHC. O petismo, nesse sentido, é refém do programa social-democrata dos tucanos. Com o agravante de ter produzidos distorções que ficam para agora não cabem ser discutidos (fica para outro artigo). De resto, desafio alguém a mostrar algo genuinamente criado pelo atual governo que tenha impactado na vida da população (não me venham com programas rebatizados ou segmentados).

Na verdade, é possível afirmar que o governador paulista encarna hoje a continuação de certas políticas do governo federal, já herdadas de seu antecessor, como a econômica e as sociais compensatórias.

Para os governistas, urge desconstruir essa imagem. E aí mora o perigo. Na ânsia de fazer Dilma uma candidata competitiva, capaz de representar avanços, os governistas apostam na falsa questão das privatizações, enquanto traficantes derrubam helicópteros, a desigualdade aumenta e a arrecadação cai pelo 11º mês consecutivo. Mas o desafio é grande, uma vez que para ter chance, Dilma precisa do apoio de figuras que representam retrocessos, como José Sarney e Renan Calheiros. Haja marqueteiro.

Pré-sal transforma arrivistas em altruístas! Lula, Sarney, Temer e Lobão, unidos na defesa da riqueza do povo

Lembram da conversa, bem recente, sobre a auto-suficiência do Brasil na produção de petróleo? A imagem de Lula esfregando as mãos lambuzadas de óleo nas costas da Dilma ilustra bem o tom da cobertura.

E aí? O que mudou nas nossas vidas? Pelo menos a gasolina que pagamos baixou de preço? Resta evidente que o marketing político falou mais alto do que a análise técnica.

Pré-sal
Agora a moda é enaltecer o tal pré-sal, que, segundo Lula, marcará uma nova independência do Brasil. Ora, trata-se de mais oba-oba eleitoral. Por acaso o pré-sal é novidade? Por acaso já existe produção? Não e não. Desde o ano 2000 já se fala disso, e produção mesmo, só daqui a 10 ou 15 anos.

Mesmo assim, os marqueteiros do governo já trabalham um discurso para Dilma em 2010, uma nova plataforma para engabelar trouxas, visto que o PAC não tem, digamos, substância factual. Não há nada para mostrar e os números de execução mostram apenas atrasos e mais atrasos. Assim, como bem sabe Luizianne, na falta de obras concluídas ou pelo menos iniciadas, o negócio é renovar e criar promessas, devidamente amparadas por maquetes eletrônicas.

Já vejo a campanha da Dilma – ou do petista apontado por Lula, caso ela não decole – mostrando as riquezas que serão feitas (olha o verbo no futuro!) com o pré-sal.

Mas a despeito de todo o cinismo e de todo o ufanismo infantil, algumas imagens mostram bem o que é o pré-sal, do ponto de vista político. Mas é preciso querer enxergar.

brasil5

Notem a foto de Ana Araújo, publicada na edição desta semana da revista Veja. Reparem nos personagens que vendem o novo futuro redentor da nação brasileira: Lula, o operário que é milionário sem nunca ter virado empresário; Dilma, a terrorista de esquerda; Sarney, a encarnação do patrimonialismo e clientelismo nacional; a primeira dama Marisa, coitada; Michel Temer, líder do PMDB adesista, e Edson Lobão (ministro das Minas e Energia), apadrinhado de Sarney e ex-adversário do petismo, agora fiel aliado.

Como mostra o imenso cartaz, essa turma está unida na defesa do patrimônio da união e da riqueza do povo, pensando apenas no futuro do Brasil.

É o Brasil do pré-sal! Viram como já avançamos?

Líderes que inspiram…

Não dizem que o exemplo vem de cima? Pois é, para o bem e para o mal. A charge do Amarildo para A Gazeta (ES), retrata bem essa máxima.

amarildo

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