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Nova pesquisa Datafolha complica candidatura presidencial de Ciro

Nova pesquisa Datafolha, divulgada pelo jornal Folha de São Paulo. Em negrito seguem os números da consulta realizada agora entre os dias 24 e 25 de fevereiro, e, entre parênteses, para comparação, os números da pesquisa feita entre os dias entre 14 e 18 de dezembro:

Primeiro turno
Serra – 32% (37%)
Dilma – 28% (23%)
Ciro – 12% (13%)
Marina – 8% (8%)

Cenário sem Ciro:
Serra - 38% (40%)
Dilma - 31% (26%)
Marina - 10% (11%)

Comento: Nas últimas semanas dois candidatos, ou pré-candidatos, à Presidência da República buscaram mais espaço no noticiário nacional. Ciro Gomes, que estrelou o programa do PSB; e Dilma Rousseff, que foi aclamada candidata petista no congresso do partido. Campanha antecipada que só o TSE insiste em não ver. O esforço de ambos, evidente, intencionava vitaminar seus desempenhos nas pesquisas. Dilma conseguiu, Ciro não.

Um outro dado da pesquisa é especialmente importante para avaliar esse movimento de avanço de uma e estagnação do outro:

Os eleitores conhecem o candidato?
Serra – 38% (40%)
Dilma – 31% (26%)
Marina – 10% (11%)

Comento: Ciro não conta com o recall (lembrança do nome proveniente de outras eleições) que possui. Para o eleitor ele é carta fora do baralho, embora seja conhecido. A polarização que o deputado diz ser prejudicial para o debate público não é mais uma possibilidade, é um fato real, embora José Serra ainda não tenha confirmado a intenção de disputar o Planalto. Para o possível candidato do PSB, com o passar do tempo fica cada mais difícil atrair aliados e recursos. Além do mais, Dilma mostrou que tem força para sustentar uma candidatura da base sem a necessidade de reforço de um segundo nome, como defende Ciro.

O desempenho de Dilma, embalada pela força do petismo, o apoio do padrinho Lula e o uso do cargo de ministra para se manter em evidência nos palanques do PAC, era esperado. E ainda há margem para que ela avance mais alguns pontos até o final de março, início de abril. A questão é ver, entre Serra e Dilma, quem consegue ir além do patrimônio eleitoral que seus respectivos partidos possuem.

Pesquisa Ibope mostra mais do que aparenta

Serra, Dilma e Ciro

A nova pesquisa Ibope mostra bem mais do que a simples flutuação de quem subiu ou desceu nas intenções de voto. A consulta mostra algumas expectativas do eleitorado que podem sugerir cenários para os estrategistas dos principais candidatos. Colocados os nomes, o desafio agora é saber onde e como procurar votos.

O tucano José Serra continua na liderança na disputa para a Presidência da República, com 36% das intenções de voto. Na anterior ele tinha 38%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, significa que o governador paulista tem posição estabilizada, apesar dos problemas causados com as fortes chuvas em São Paulo.  O tucano, portanto, deve prosseguir com a mesma cautela, evitando antecipar embates ou polêmicas.

A ministra Dilma Rousseff cresceu oito pontos. Tinha 17% em dezembro e agora aparece com 25%. Crescimento mais do que esperado em virtude da forte exposição a que se submete, quase sempre acompanhada do presidente Lula. O resultado da campanha antecipada aparece nos números do Ibope. Dessa forma, a petista deve continuar viajando e buscando holofotes para se promover. O Planalto aposta em um empate técnico já no mês de março. 

O fator Ciro
Outro que oscilou dentre da margem de erro foi o deputado federal Ciro Gomes (PSB), que tinha 13% em dezembro e agora tem 11%. Acuado pela pressão do presidente Lula para que desista de ser candidato a presidente, Ciro assiste a crescente polarização da disputa entre Serra e Dilma. Sua última cartada deve ser o anúncio oficial de sua candidatura presidencial prometido para o programa do PSB que vai ao ar nesta quinta (18).

Por outro lado, é importante anotar que o cenário sem Ciro mostra que o maior beneficiado seria Serra. Nesse caso, o tucano venceria a petista por 41% a 28%. Essa movimentação fortalece a tese do PSB segundo a qual a base governista deveria apresentar duas candidaturas, para evitar o risco de uma vitória de Serra no primeiro turno.

Rejeição
Os mais rejeitados na pesquisa foram Ciro (41%) e Marina (39%). Justamente os dois últimos colocados na preferência. Vistos com poucas chances de vitória, tendem a ser evitados por não apresentarem competitividade. É um efeito da polarização. Chama também a atenção a rejeição de Dilma, que alcança 35%. É uma rejeição alta para quem nunca ocupou cargos eletivos, nunca disputou eleição e conta com padrinho forte. Serra é rejeitado por 29%, dentro do esperado para quem história em eleições e que corresponde à intenção de votos em Dilma.

Outros números
34% querem a total continuidade do atual governo – Conquistar esse público deve ser a meta de Dilma no curto prazo;

25% querem a manutenção de apenas alguns programas com muitas mudanças e 10% querem a mudança total do governo do País – A soma desses itens corresponde justamente ao índice de intenção de voto em Serra;

29% querem pequenas mudanças com continuidade – Esse é o público a ser disputado. Quem se apresentar como a continuidade melhorada, leva.

O desafio de Dilma é sair da sombra de Lula

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta segunda-feira que “Dilma não é líder, é reflexo de um líder”. A estocada foi uma espécie de prévia da estratégia de desconstrução de imagem a ser utilizada pela oposição na campanha eleitoral deste ano. Se por um lado o governo quer a polarização plebiscitária simbolizada na eterna disputa entre Lula e FHC, por outro a oposição tentará focar nas figuras de Dilma e Serra. Um quer olhar para o passado, o outro para o presente.

A intenção dos adversários da candidata oficial é clara: mostrar que Dilma não possui qualidades para o cargo de presidente da República. Faltaria à ministra,  mais especificamente, a experiência e a liderança necessárias para o desafio, e menos explicitamente (para não torná-la vítima), a competência, materializada na lentidão do PAC.

Convenhamos, dado o currículo de José Serra ou mesmo Aécio Neves, administradores bem avaliados e políticos experientes em disputas eleitorais; e dado a falta de passado político-eleitoral de Dilma, parece ser uma estratégia adequada – o que não significa garantia de vitória. Levará a melhor quem conseguir infundir no eleitor a perspectiva que lhe interessar: o governo deseja vender a ideia de que Dilma é a certeza de continuidade; a oposição procura o inverso: demonstrar que ela é uma incógnita.

Nesse sentido, a ministra deve mostrar que é mais do que a escolhida de Lula, de modo que a imagem do presidente não a ofusque e faça de seu trunfo, uma maldição. A provocação de FHC pretende reforçar justamente essa condição subalterna da imagem de Dilma.

Pesquisa Datafolha mostra Cid na frente – mas há espaço para disputas

O jornal Folha de São Paulo divulgou nesta terça pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha com quatro cenários para as eleições ao governo estadual no Ceará em 2010. Os números:

Cenário 1
Cid Gomes (PSB) – 44%
Tasso Jereissati (PSDB) – 23%
Luizianne Lins (PT) – 8%
Renato Roseno (PSOL) – 5%
Não sabem – 14%
Branco/nulo – 6%

Cenário 2 (sem Luizianne)
Cid Gomes (PSB) – 47%
Tasso Jereissati (PSDB) – 25%
Renato Roseno (PSOL) – 6%
Não sabem – 15%
Branco/nulo – 6%

Cenário 3 (sem Tasso)
Cid Gomes (PSB) – 49%
Roberto Pessoa (PR) – 13%
Luizianne Lins (PT) – 10%
Renato Roseno (PSOL) – 4%

Cenário 4 (sem Tasso e Luizianne)
Cid Gomes (PSB) – 53%
Roberto Pessoa (PR) – 14%
Renato Roseno (PSOL) – 6%

A pesquisa Datafolha vale como um registro de largada. Ainda não é possível visualizar tendências, uma vez que não existe ainda uma série de pesquisas disponíveis para comparação.

No entanto, alguns pontos podem ser ressaltados. O primeiro é que a pesquisa foi realizada faltando muito tempo pra o jogo começar. O eleitorado só vai pensar em eleições depois da Copa do Mundo.

Segundo, o governante candidato à reeleição sempre parte na frente por uma série de causas: maior visibilidade, candidatura natural e esperada, exposição constante e a a própria máquina. Portanto, essa liderança inercial é esperada e não garante vitória. O ex-governador Lúcio Alcântara tinha governo bem avaliado e liderava as primeiras pesquisas em 2006.

Terceiro, muitos dos nomes apresentados na pesquisa não confirmaram ou mesmo não pretendem ser candidatos. Por enquanto, Luizianne não faz movimentos no sentido de participar da disputa. Tasso, até o momento, apesar das pressões internas do PSDB nacional e estadual, é candidato à reeleição para o Senado.

No entanto, mesmo estando longe das eleições e diante de cenários tão voláteis, vale registrar a posição de Roberto Pessoa. O prefeito de Maracanaú começa com 13%, um número muito alto para quem nunca disputou o governo estadual e não ainda dispõe de estrutura partidária e logística para uma campanha. O próprio senador Tasso Jereissati, com 23% apesar de não ter confirmado candidatura ao governo, mostra que há espaço para uma força de enfrentamento a Cid.

Muita água vai rolar, os nomes ainda serão definidos, os palanques serão trabalhados, mas é bom não imaginar que a eleições são favas contadas para o atual governador do Ceará.

Aécio desiste e pesquisa mostra Serra consolidado na frente. Mas tem gente que acha que isso é bom para Dilma e Ciro

Duas notícias esquentaram os cadernos de política na imprensa. Primeiro a desistência do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, de postular a Presidência da República, deixando o caminho livre para o governador de São Paulo, José Serra ser o candidato do PSDB.

A outra notícia é a nova pesquisa Datafolha mostrando que José Serra permanece numa folgada liderança nas intenções de voto.

O problema é que as análises dos cronistas de jornal sobre os impactos da desistência de Aécio contrastam de tal forma com a realidade detectada pela pesquisa que não resta outra conclusão: esses formadores de opinião cada vez mais se comportam como meros palpiteiros, com graves deficiências teórica em marketing político e na área de lógica elementar. Vejamos.

Caso Aécio
Grosso modo, esses analistas concluíram – basta uma rápida pesquisa para confirmar – que a saída de Aécio da corrida seria prejudicial a Serra e benéfica para Ciro ou Dilma. Por que seria assim? Porque Serra seria obrigado a assumir a condição de candidato e assim teria que polarizar com o próprio Lula. Já Ciro poderia herdar os votos de quem não gosta de paulista. Isso não é análise, é fofoca!

O jornal O Povo deste domingo mostra bem isso. Entre muitos cientistas políticos que existem por aí, o jornal optou por publicar a declaração de um mineiro, lá da terra de Aécio Neves, com estreitas ligações com o petismo: Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais, que afirmou: “Com a renúncia de Aécio, Serra se vê forçado a carregar o estandarte do PSDB na corrida à sucessão do presidente Lula. A disputa volta a ficar polarizada e favorece o cenário plebiscitário que o PT tanto deseja”.

Como assim? Quem o forçará? Serra permanecerá onde está, caladinho. Não vai declarar que é candidato porque não é burro. Vai fazer como Dilma e continuar atuando no Executivo. A estratégia, convenhamos, está dando certo para o governador paulista, como demonstram as pesquisas. Serra vai adiar ao máximo qualquer definição oficial, pois sua intenção não é rivalizar com Lula – que tem alto índice de popularidade e nem candidato é, mas com Dilma, que por sua vez, apesar de todo o esforço do presidente, estacionou nas pesquisas. Por enquanto, uma polarização entre Serra é Dilma é boa para… Serra. Isso é lógica e estratégia. O resto é torcida.

Caso Ciro
Agora outro exemplo, também no O Povo. Esse não é surpresa, mas vale como ilustração dessa condição analítica da nossa imprensa. E logo na boa coluna de Fábio Campos, que na edição de hoje é assinada por Kamila Fernandes. Reproduzo trecho:

Em meio a isso tudo, há uma leitura que indica que o maior favorecido da desistência de Aécio pode ser justamente Ciro, amigo de longa data e forte aliado em Minas. E foi de Ciro a reação mais enfática sobre a atitude do colega mineiro: para ele, Aécio deve estar sofrendo “constrangimento de todo tipo”, para ter tomado tal atitude agora. (…) Porém, o principal beneficiado nessa história pode ser mesmo o presidente Lula, que está conseguindo fechar o cenário “dos sonhos” para sua sucessão, polarizado entre Serra, cuja face remete diretamente ao governo mal-avaliado de FHC, e Dilma Rousseff (PT), sua pupila.

Vamos ver a estrutura desse pensamento. Quer dizer que um PSDB dividido entre duas pré-candidaturas seria algo positivo para o partido, mas que agora, podendo concentrar forças e tempo para trabalhar estratégias de captação de recurso, além de moldar um discurso mais focado em um perfil único, que é o que acontece quando o partido tem um candidato consensual, é péssimo negócio para a sigla. Não sei, não.  A lógica que sustenta essas premissas é inusitada: divididos, os tucanos seriam fortes, unidos, seriam fracos… “Mas Aécio pode não ajudar Serra”. Ou não. Isso, por enquanto, é chute. E pela forma como o mineiro saiu da disputa, não me parece que esse seja o caminho.

De resto, Ciro falar em constrangimento é que é constrangedor. Afinal, o deputado mudou de domicílio eleitoral a mando de Lula. O jornalista Reinaldo Azevedo se refere a ele como o “deputado ex-cearense”. Triste.

A pesquisa
Para não dizer que sou implicante, tem a pesquisa do Datafolha. E o que ele revela?  Atenção: que se as eleições fossem hoje, no cenário sem Ciro, José Serra Seria eleito no primeiro turno! E mais. Num eventual segundo turno, com Dilma ou com Ciro, o tucano venceria também – ver tabelas com números aqui.

Conclusão
Para o leitor de jornal mais apressado,  a semana se deu assim: Aécio desistiu e isso prejudicou Serra e beneficiou Dilma e Ciro. Isso é trabalho de desinformação a serviço da candidatura Dilma. Os números desmentiram os palpiteiros. Alguns podem dizer que a saída de Aécio ainda não pode ser medida pelas pesquisas. Correto. No entanto, os cenários que mostram a vitalidade da candidatura de Serra não contemplavam o nome do mineiro. É claro que esses índices irão mudar, mas não como efeito da saída de Aécio. Será mais pela força da máquina de propaganda montada pelo Planalto para tentar fortalecer Dilma.  A grande surpresa mesmo, até o momento, é que isso está demorando para acontecer.

Partidos políticos – 1ª parte

Artigo publicado no jornal O Estado.

Como é de praxe em anos pré-eleitorais, a movimentação de candidatos e forças políticas começa a se intensificar. A prática da infidelidade partidária e os conchavos ganham maior notoriedade nesses momentos. É a expectativa de poder atuando diretamente no que se convencionou chamar aqui no Brasil de pragmatismo político.

Considerando nossa história, marcada por sucessivos golpes, mudanças de regime, crises e interrupções, não é de estranhar que os partidos sejam frágeis e carentes de maior fixação nas camadas sociais. A regra, com as exceções que a definem como tal, é que essas agremiações sejam vistas apenas como instâncias burocráticas.

No Brasil, clubes de futebol são centenários, partidos políticos não. Já nos Estados Unidos, por exemplo, os democratas, correligionários de Barack Obama, disputam eleições desde 1790, e os republicanos desde 1837. Ou seja, são entidades consolidadas. Em países com inconstância política e institucional, as pessoas costumam seguir apenas indivíduos, ambiente ideal para salvadores da pátria e populistas.

Mas afinal, o que é um partido político? Nas democracias representativas, grosso modo, é o espaço para cidadãos apresentarem um programa de governo à sociedade, com base em pressupostos estabelecidos por uma ideologia, que vem a ser uma proposta de intervenção na realidade. Em suma, é o primeiro passo para por um ideário em prática.

Naturalmente, as circunstâncias e a pluralidade de ideias estimulam a existência de partidos mais ou menos antagônicos, com visões diferentes, que procuram convencer a maioria de que seus encaminhamentos para os problemas da sociedade constituem a melhor opção para resolvê-los.

A distância entre a formulação desse modelo de referência e a realidade partidária no Brasil é abismal. Somente o efeito do tempo e a estabilidade das regras eleitorais podem separar as virtudes dos vícios do nosso sistema. Cabe aqueles com maior nível de instrução, portanto, a responsabilidade de assumir a construção desse processo.

Existem políticos e grupos de políticos bem intencionados, porém, são poucos que sobrevivem imersos em indefinições e heranças malditas. Não adianta esperar por reformas. É preciso que o eleitor, de onde emana o poder, deixe de lado os partidos com programas velhos, abandonados no resto do mundo, bem como as siglas de aluguel, com suas propostas vagas, a serviço de arrivistas e oportunistas que lutam com fervor para que os partidos continuem desacreditados.

Continua na próxima quinta.

PS. A ideia para o próximo artigo é relacionar os vícios do nosso sistema partidário com seus protagonistas aqui no Ceará. O papel das principais siglas no Ceará.

Por que a oposição lidera as pesquisas?

Artigo publicado no jornal O Estado

Faltando ainda um ano para as eleições de 2010, muito pouco se pode afirmar sobre as condições dos possíveis candidatos que buscam galvanizar seus projetos eleitorais.

Os fatos que hoje mais atraem a atenção da mídia, como a dúvida do PSDB entre Serra e Aécio; ou como a campanha explícita que o presidente Lula faz para sua escolhida, a ministra Dilma Rousseff; não passam de assessórios que orbitam uma questão central: que discursos serão personificados por eventuais candidatos dessas forças políticas?

O ponto de partida é saber reconhecer que o eleitor brasileiro é conservador, ou seja, é avesso a mudanças radicais. Nesse sentido, o fato mais instigante e revelador do quadro eleitoral, atualmente, é constatar a liderança de José Serra nas pesquisas, que configura a inusitada circunstância onde um opositor é o favorito para suceder o governo de um presidente com alta popularidade.

Por enquanto o que temos é um governo com boa aprovação e um presidente bem avaliado que não conseguem produzir no eleitorado uma expectativa de continuação de sua obra.

A conclusão óbvia é que para esse eleitorado a opção por José Serra não significa, até o momento, uma ruptura, da mesma forma que o Lula da Carta aos Brasileiros não representou uma ruptura com o governo FHC. O petismo, nesse sentido, é refém do programa social-democrata dos tucanos. Com o agravante de ter produzidos distorções que ficam para agora não cabem ser discutidos (fica para outro artigo). De resto, desafio alguém a mostrar algo genuinamente criado pelo atual governo que tenha impactado na vida da população (não me venham com programas rebatizados ou segmentados).

Na verdade, é possível afirmar que o governador paulista encarna hoje a continuação de certas políticas do governo federal, já herdadas de seu antecessor, como a econômica e as sociais compensatórias.

Para os governistas, urge desconstruir essa imagem. E aí mora o perigo. Na ânsia de fazer Dilma uma candidata competitiva, capaz de representar avanços, os governistas apostam na falsa questão das privatizações, enquanto traficantes derrubam helicópteros, a desigualdade aumenta e a arrecadação cai pelo 11º mês consecutivo. Mas o desafio é grande, uma vez que para ter chance, Dilma precisa do apoio de figuras que representam retrocessos, como José Sarney e Renan Calheiros. Haja marqueteiro.

Lula no Ceará: É inauguração? Não, é factóide eleitoral!

Às vezes é constrangedor refletir sobre certos eventos políticos, tamanha a evidência de que são peças toscas, simples factóides para gerar manchetes e alimentar discursos demagogos.

Lula vem ao Ceará nesta sexta-feira para “vistoriar” as obras da Transposição do Rio São Francisco em Mauriti, região sul do estado. É a segunda visita do presidente em um mês e meio.

No artigo Lula no Ceará: filme repetido, publicado no dia 10 de setembro passado, antecipei com um dia de antecedência (e o texto foi escrito no dia 9), as promessas que seriam feitas em palanque, com o habitual tom triunfal de Lula. Na mosca! Foi um festival de refinaria, siderúrgica e Transnordestina, essas obras que não existem, além de auto-elogios e números maravilhosos.

Nessa nova visita, o exercício é mais fácil ainda. O presidente vai repetir o mesmíssimo discurso que fez em Pernambuco e em Minas Gerais, estados em que esteve nesta semana fazendo campanha eleitoral para Dilma Rousseff, com igual pretexto de conferir a tal transposição.

Um resumo: Lula, o operário, vai cumprir o que Dom Pedro II, o fidalgo, prometeu: levar a água do São Francisco para o sertanejo. Dirá ser o único a dar prioridade à obra por ser nordestino castigado pela seca. Vai lembrar que o sertanejo agora terá água em abundância para plantar o que quiser. Enfim, venderá amanhãs radiantes, ainda que não tenha muito o que mostrar em sete anos de governo, quando o assunto é obra.

Números X lorotas
Mas Wanfil, como você é ranzinza, rapaz! Por acaso torce contra o Brasil e o Nordeste? Você prefere que o pai de família no sertão continue a passar sem água? Pois é. Nem adianta vir com chantagem emocional. Vamos ao números publicados ontem (15) pelo Estadão, sobre a execução financeira das obras da Transposição do São Francisco:

Planalto só pagou 3,68% do R$ 1,68 bilhão previsto – Cenário da campanha informal da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a região do Rio São Francisco não tem sido tão prestigiada em verbas federais. Em 2009, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), para uma dotação de R$ 1,68 bilhão para projetos que tratam diretamente do rio, o Planalto pagou apenas 3,68%, cerca de R$ 61,8 milhões.

Lula faz comício no São Francisco, mas segura dinheiro para obra - Ao levar ao Nordeste e sertão de Minas, principais redutos do “lulismo”, a ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou admitindo, num ato falho, caráter eleitoral na visita às obras de transposição do Rio São Francisco. “No nosso projeto original de fazer essa viagem não estava previsto a gente fazer comício. Estava previsto fazer visitas às obras”, disse Lula. Na prática, contudo, o empreendimento não tem recebido prioridade na destinação de recursos – apenas 3,68% do R$ 1,68 bilhão reservado em 2009 foram efetivamente pagos.

Como explicar isso? Como fazer tanta algazarra em cima de algo que não, absolutamente, uma prioridade para o governo? Ou então que é a prova cabal de sua incompetência gerencial? Se algum dia um sertanejo beber água proveniente da Transposição do São Francisco, o fará apesar de Lula. Mas a resposta para coroar o factóide já está pronta: a culpa é da legislação ambiental, da burocracia, e dos órgãos de fiscalização, especialmente o TCU.

PS. Factóide na Wikipédia: O propósito de um factóide é gerar deliberadamente um impacto diante da opinião pública de forma à manipulá-la de acordo com as aspirações de poderosos grupos que se utilizam de sua influência na mídia. Estes, em alguns casos estão, ou aspiram ao poder.

Lula faz comício no São Francisco, mas segura dinheiro para obra

Presidente do BNB continua a fazer campanha para correligionário!

Leio no Blog do Eliomar a seguinte notícia:

Presidente do BNB dá como certa candidatura de José Pimentel ao Senado
O presidente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Roberto Smith, deu como certa, nesta segunda-feira, a candidatura do ministro José Pimentel (Previdência Social) ao Senado em 2010. Segundo disse, Pimentel quer disputar e o PT não vai abrir mão do seu nome para um embate “no qalk tem amplas perspectivas de vitória”, segundo Smith.

“O que podemos dizer é que Pimentel deve ser um dos vitoriosos”, reforçou o presidente do BNB, ao ser inagado se o ministro teria chance numa peleja que deverá reunir o senador tucano Tasso Jereissati e o presidente regional do PMDB, deputado federla Eunício Oliveira.

Já comentei sobre a postura de Smith nos posts Presidente de banco estatal faz campanha política para correligionário e Exercício kafkaniano – ou as sutis sugestões de Roberto Smith.

É, para falar o mínimo, inadequada para um gestor público que comanda um banco público. Agindo como cabo eleitoral de um candidato, correligionário seu e ainda por cima membro do partido que chefia o governo federal – a quem cabe nomear o presidente do BNB – o professor Smith exorbita suas funções e lança suspeitas sobre sua própria atuação à frente da instituição.

Não se trata de uma simples manifestação pessoal que em nada interfere nas atividades do presidente do BNB. Não é difícil imaginar os problemas de interesses cruzados que essa postura pode gerar.

Por exemplo. Um empresário que negocia um empréstimo no BNB e que aguarda a aprovação do seu pleito, parado nos tortuosos trâmites burocráticos, escuta o presidente da instituição ENDOSSAR a campanha de um candidato ao Senado. Vamos supor que, por COINCIDÊNCIA, emissários do candidato em questão peçam uma doação de campanha. O que poderia pensar esse empresário? Que doar para o candidato apoiado pelo presidente do banco pode ser um bom negócio, uma oportunidade de destravar ou amenizar empecilhos. E olha que essa é a hipótese mais inocente…

Cadê a Justiça Eleitoral?

Pré-sal transforma arrivistas em altruístas! Lula, Sarney, Temer e Lobão, unidos na defesa da riqueza do povo

Lembram da conversa, bem recente, sobre a auto-suficiência do Brasil na produção de petróleo? A imagem de Lula esfregando as mãos lambuzadas de óleo nas costas da Dilma ilustra bem o tom da cobertura.

E aí? O que mudou nas nossas vidas? Pelo menos a gasolina que pagamos baixou de preço? Resta evidente que o marketing político falou mais alto do que a análise técnica.

Pré-sal
Agora a moda é enaltecer o tal pré-sal, que, segundo Lula, marcará uma nova independência do Brasil. Ora, trata-se de mais oba-oba eleitoral. Por acaso o pré-sal é novidade? Por acaso já existe produção? Não e não. Desde o ano 2000 já se fala disso, e produção mesmo, só daqui a 10 ou 15 anos.

Mesmo assim, os marqueteiros do governo já trabalham um discurso para Dilma em 2010, uma nova plataforma para engabelar trouxas, visto que o PAC não tem, digamos, substância factual. Não há nada para mostrar e os números de execução mostram apenas atrasos e mais atrasos. Assim, como bem sabe Luizianne, na falta de obras concluídas ou pelo menos iniciadas, o negócio é renovar e criar promessas, devidamente amparadas por maquetes eletrônicas.

Já vejo a campanha da Dilma – ou do petista apontado por Lula, caso ela não decole – mostrando as riquezas que serão feitas (olha o verbo no futuro!) com o pré-sal.

Mas a despeito de todo o cinismo e de todo o ufanismo infantil, algumas imagens mostram bem o que é o pré-sal, do ponto de vista político. Mas é preciso querer enxergar.

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Notem a foto de Ana Araújo, publicada na edição desta semana da revista Veja. Reparem nos personagens que vendem o novo futuro redentor da nação brasileira: Lula, o operário que é milionário sem nunca ter virado empresário; Dilma, a terrorista de esquerda; Sarney, a encarnação do patrimonialismo e clientelismo nacional; a primeira dama Marisa, coitada; Michel Temer, líder do PMDB adesista, e Edson Lobão (ministro das Minas e Energia), apadrinhado de Sarney e ex-adversário do petismo, agora fiel aliado.

Como mostra o imenso cartaz, essa turma está unida na defesa do patrimônio da união e da riqueza do povo, pensando apenas no futuro do Brasil.

É o Brasil do pré-sal! Viram como já avançamos?

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