Lula se licenciar da Presidência para ajudar Dilma? Fala sério!

Até agora Lula não precisou se afastar da Presidência para subir no palanque com Dilma. Por que ele faria isso?
O mais novo boato da praça para as eleições deste ano – plantado em colunas de jornal e baseado em revelações de “fontes” - diz que Lula deve se licenciar do cargo para ajudar sua candidata Dilma Rousseff, situação em que o senador José Sarney assumiria interinamente a Presidência da República.
Tanto desapego teria duas causas nobres: 1) Lula priorizaria a eleição de Dilma para garantir a continuidade do seu legado; 2) evitar problemas com a Justiça Eleitoral. No entanto, não é preciso ser gênio para perceber que a melhor forma de ajudar a candidata oficial é estar no comando da máquina (e não abdicar dela), e que a Justiça Eleitoral não preocupa Lula – que há dois anos deu início a uma campanha eleitoral que só o TSE não quer ver.
Truque
Essa historinha de sair do cargo não vazou de graça. E a intenção é óbvia. Lula não se licenciará. E qual então a utilidade do boato? Simples: justamente fortalecer o papel de Lula como cabo-eleitoral de Dilma, passando para o público a ideia de que Lula em campo é imbatível.
É mistificação do presidente com interesse de potencializar a associação de sua imagem com a da candidata. Tudo perfeito. Lula, que tem alta popularidade, também imaginou que ganharia de lavada em 2006. Levou um susto quando o insosso Geraldo Alckmin passou dos 40% dos votos e levou a disputa para o segundo turno. Como vemos, nem sempre o esforço de mistificação consegue produzir o resultado que se espera.
Lula é um trunfo para Dilma? Evidente. Mas daí a pintá-lo como mágico das urnas vai uma distância. Em 2008, “o cara” foi a São Paulo como um Midas eleitoral e abençoou Marta Suplicy. A mulher perdeu de lavada para Kassab. O fato mesmo é que essa conversa de escalar Lula como arma secreta acaba revelando um certo receio de que a candidata biônica não tenha força suficiente para, munida apenas de sua própria graça, ser competitiva o bastante.