Posts tagged: Lula

Omissão diante de ditadura cubana mancha imagem do governo brasileiro

Artigo para o Blog da Janga

Em Cuba, Fariña iniciou greve de fome após morte do companheiro Zapata. Pode ser a próxima vítima do castrismoO caso do preso político cubano Orlando Zapata Tamayo, falecido após 85 dias de greve de fome, continua repercutindo em todo o mundo. O Parlamento Europeu aprovou, ontem (11), resolução que condena a “inevitável e cruel” morte de Zapata e alerta sobre o perigo de um “fatal desenlace” para a greve de fome que outro preso político, Guillhermo Fariña (foto), que já dura 17 dias.

Reação brasileira
Sobre a morte de Zapata, que aconteceu durante uma visita de Lula aos ditadores Fidel e Raul Castro, o brasileiro afirmou: “Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome.”

Depois Lula voltou ao tema, em entrevista à agência Associated Press: “Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de prender as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem a do Brasil”.

Comento:
A posição do governo brasileiro, expressa pelo próprio presidente da República, é constrangedora. Primeiro Lula tergiversou, para depois optar pela omissão deliberada. É bom lembrar que um sistema legal que impeça a livre manifestação de opositores, por si só, já merece repúdio da pessoas de bem. Quando isso implica na MORTE DE CIDADÃOS QUE NÃO COMETERAM CRIMES, a situação deve ser devidamente exposta, como fizeram os europeus. Trata-se de uma obrigação moral.

Liderança internacional
Muitos acreditam que Lula é uma liderança mundial, embora simpatia não garanta espaço político efetivo no palco das nações. O Brasil sonha com uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, mas vacila na hora de se posicionar contra as arbitrariedades cometidas por governos violentos como o cubano. E não custa lembrar que Lula soube meter a colher em assuntos externos na hora de criticar Colômbia e Honduras.

Política externa
Essa alternância de posições revela, claramente, aos olhos do mundo, que o governo brasileiro define suas posições não a partir de convicções, mas de conveniências ideológicas. Se for esquerdista, pode fazer e acontecer, e eliminar opositores vira “questão interna”. Não por acaso a resolução do Parlamento Europeu foi enfática e contrária ao que disse Lula, ao lembrar que a morte do prisioneiro político foi “INEVITÁVEL E CRUEL” justamente por ser resultado de uma violência do governo cubano. A greve de fome foi um pedido de socorro.

Valores
Democracia não é capricho nem concessão de um líder . É um sistema de valores construído pela coletividade e que leva em consideração, sobretudo, os direitos humanos de CADA INDIVÍDUO, tenha ele as convicções políticas que tiver. Se por uma lado o Parlamento Europeu está de parabéns por se posicionar firme ao lado da democracia, o Brasil saiu menor nesse episódio. E Lula mais ainda.

Lula se licenciar da Presidência para ajudar Dilma? Fala sério!

Até agora Lula não precisou se afastar da Presidência para subir no palanque com Dilma. Por que ele faria isso?

Até agora Lula não precisou se afastar da Presidência para subir no palanque com Dilma. Por que ele faria isso?

 O mais novo boato da praça para as eleições deste ano – plantado em colunas de jornal e baseado em revelações de “fontes” - diz que Lula deve se licenciar do cargo para ajudar sua candidata Dilma Rousseff, situação em que o senador José Sarney assumiria interinamente a Presidência da República.

Tanto desapego teria duas causas nobres: 1) Lula priorizaria a eleição de Dilma para garantir a continuidade do seu legado; 2) evitar problemas com a Justiça Eleitoral. No entanto, não é preciso ser gênio para perceber que a melhor forma de ajudar a candidata oficial é estar no comando da máquina (e não abdicar dela), e que a Justiça Eleitoral não preocupa Lula – que há dois anos deu início a uma campanha eleitoral que só o TSE não quer ver. 

Truque
Essa historinha de sair do cargo não vazou de graça.
E a intenção é óbvia. Lula não se licenciará. E qual então a utilidade do boato? Simples: justamente fortalecer o papel de Lula como cabo-eleitoral de Dilma, passando para o público a ideia de que Lula em campo é imbatível.

É mistificação do presidente com interesse de potencializar a associação de sua imagem com a da candidata. Tudo perfeito. Lula, que tem alta popularidade, também imaginou que ganharia de lavada em 2006. Levou um susto quando o insosso Geraldo Alckmin passou dos 40% dos votos e levou a disputa para o segundo turno. Como vemos, nem sempre o esforço de mistificação consegue produzir o resultado que se espera.

Lula é um trunfo para Dilma? Evidente. Mas daí a pintá-lo como mágico das urnas vai uma distância. Em 2008, “o cara” foi a São Paulo como um Midas eleitoral e abençoou Marta Suplicy. A mulher perdeu de lavada para Kassab. O fato mesmo é que essa conversa de escalar Lula como arma secreta acaba revelando um certo receio de que a candidata biônica não tenha força suficiente para, munida apenas de sua própria graça, ser competitiva o bastante.

Lula, Fidel e Raul Castro: os estadistas do humanismo comunista

Com muito alarde boa parte da imprensa noticiou que Lula começaria a fazer suas últimas viagens como presidente da República. Em alguns casos, dava até pra o tom meio nostálgico. Para muitos, Lula é um estadista internacional que mudou a geopolítica mundial.

Mas vejam só como os fatos às vezes costumam a implicar com essa empolgação retórica. Lula foi à Cuba visitar os ditadores e mentores da esquerda latino americana, Fidel e Raúl Castro. Uma observação: tem gente que acha que na ilha não existe oposição formal pelo fato de que todos amam o comandante, e que em agradecimento, dispensam caprichos como o direito ao contratidório. Essa turma não aceita a classificação de ditador para os Castro. Trata-se de cinismo ou de ato de fé, pouco importa.

Pois bem, o problema é que a chegada do presidente brasileiro coincidiu com a morte do prisioneiro político Orlando Zapata Tamayo após 85 dias de greve de fome. Zapata, 42 anos, um pedreiro de profissão, foi detido em 2003 e condenado a três anos de prisão por desacato. Na prisão, por sua atitude de desafio e confronto com as autoridades, foi submetido a vários julgamentos e acabou acumulando mais de 30 anos de prisão. A greve de fome começou no início de dezembro para protestar contra espancamentos sofridos na prisão de Holguín e para exigir um tratamento justo e ser reconhecido como um prisioneiro político.

Para a Anistia Internacional (AI), Zapata era considerado um “prisioneiro de consciência”. A União Europeia (UE) pediu a Havana que mostre mais respeito pelos direitos humanos.

Desculpas esfarrapadas e vergonhosas
O governo cubano, pasmem, responsabilizou os Estados Unidos. E Lula disse lamentar “que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome”.

Sobre essas declarações absurdas e criminosas – Lula, o estadista da galega,  coonesta abertamente com um regime violento, arbitrário, e ainda justifica seus atos de violência responsabilizando as vítimas -, sobre isso, vale a leitura do comentário de Arnaldo Jabor para o Jornal da Globo de quarta (25):

Os fatos agora podem ser manejados, tirados da cartola, jogados no lixo. As palavras hoje servem para soterrar os sentidos.

Raul Castro , o velho fascista cubano, disse que a culpa pela morte do Sapateiro Zapata é dos Estados Unidos. É, o prisioneiro morreu por culpa dos americanos e não pela repressão cubana que logo impediu na base da porrada protestos contra sua morte.]

Ai, Lula, que é especialista em transformar palavras em fatos e ocultar fatos com palavras, emendou de bate-pronto: “as pessoas precisam parar de fazerem cartas e depois dizerem que mandaram. Se tivessem pedido para mim para conversar, eu teria conversado”.

Em seguida, ele “reclama” do morto, dizendo que ele devia ter protocolado a carta. Imaginem o cara morrendo e protocolando a carta. Depois falou: “eu lamento que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome”.

Ai, fica difícil. Quer dizer que o morto de fome, além de ser assassinado pelos Estados Unidos, mentiu para o Lula que tinha mandado carta sem protocolo e também o sujeito relaxado esse Sapateiro se “deixou” morrer.

Que comentário pode ser feito sobre isso? Que a realidade é falsa. Só as versões mentirosas ou demagógicas são verdadeiras.

A morte do prisioneiro político Orlando Zapata Tamayo após 85 dias de greve de fome

Dilma discorda de Ciro quando o assunto é aliança eleitoral

Dilma,a escolhida de Lula, e Sarney - Nada de críticas ao PMDB de Renan e Jáder Barbalho

A ainda ministra Dilma Rousseff, agora candidata oficial do PT, concedeu entrevista à revista Veja que chega às bancas nesta semana. As perguntas foram feitas por e-mail, mas sem direito a réplicas.

A ex-guerrilheira e ex-filiada ao PDT (onde militou por 21 anos), Dilma foi escolhida, indicada e imposta ao PT pelo presidente Lula. A ministra foi econômica nas palavras e optou por um estilo mais conciliador, conforme orientação do presidente da Répública, seu principal cabo eleitoral.

Abaixo, destaco uma passagem da entrevista, que pode ser conferida na íntegra aqui.

O presidenciável Ciro Gomes, aliado do seu governo, afirma que a aliança entre o PT e o PMDB é um “roçado de escândalos semeados”. A senhora não só defende essa aliança como quer o PMDB indicando o vice em sua chapa. Não é um risco político dar tanto espaço a um partido comandado por Renan Calheiros, José Sarney e Jader Barbalho? Não se deve governar um país sem alianças e coalizões. Mesmo quando isso é possível, não é desejável. O PMDB é um dos maiores partidos brasileiros, com longa tradição democrática. Queremos o PMDB em nossa aliança.

Para os rigores do pensamento politicamente correto, Dilma foi, me permitam um eufemismo mais elegante, pragmática. Mas a verdade é que Ciro tem razão ao dizer que alianças feitas na base do “toma lá, dá cá” representam um mal para o país.

O deputado,  no entanto, fala com a destreza de quem não tem nada a perder. Já a ministra fala com a responsabilidade de quem representa – atenção – um projeto de poder.

Ademais, convenhamos. Sarney, Renan Calheiros e Jáder Barbalho se mostraram eficientes aliados do atual governo, não obstante o atraso que representam. Sim, é fato que essa turma é aliada de qualquer governo. No entanto, vocês se lembram quem foi eleito prometendo romper com eles, não é mesmo?

PS. Para Ciro, não custa lembrar, o PMDB só é ruim em Brasília. Aqui no Ceará ele não vê problemas na aliança do partido com seu irmão Cid.

O milagre da multiplicação: governo conta como obra sua universidade que já existia!

“E pasmem, para uma coisa que é importante: eu, torneiro mecânico, já sou o presidente da República que mais fez universidades neste país”, anunciou o presidente Lula, na semana passada, em Teófilo Otoni (MG), como já havia feito, só neste ano, em Bacabeira (MA), São Leopoldo (RS), Araçuaí (MG), no Fórum Social de Porto Alegre e em Brasília. 

Das 13 universidades contabilizadas pelo Planalto como obra sua, 9 são mero resultado de fusão, desmembramento ou ampliação de instituições federais de ensino superior inauguradas por outros presidentes – que, em sua época, também se valeram de estruturas preexistentes mantidas por Estados, municípios e empresas privadas.

A se levar a sério o levantamento do Ministério da Educação que sustenta a propaganda oficial, Juscelino Kubitschek supera o ritmo de Lula, com dez universidades em cinco anos de mandato. Até o arquirrival FHC, já acusado pelo petista de não ter criado nenhuma, conta com seis no documento.

O texto acima é de Gustavo Patu, da Folha de São Paulo, publicado na edição desta quinta-feira (18), e disponível apenas para assinantes. Pelo visto, na universidade que Dilma estuda, Lula é professor há muito tempo!

Conferir e analisar os números alardeados por um governo – qualquer um – é tarefa básica do jornalismo. Foi o que fez Gustavo Patu, de forma desconcertante. A matéria ainda mostra outros dados, como a diferença entre o nível de investimento real e o prometido, e a discrepância dos recursos para saneamento. Todos acabam superestimados pelo Governo Federal. Talvez por isso alguns setores governistas não cansam de acusar a imprensa de golpe – além de querer criar mecanismos de “controle social da mídia”. Olhos atentos.

Liderança não se transfere

Charge do Newton Silva, publicada no Jangadeiro Online. Reparem na sonoplastia das palmas da boneca animada por Lula. Sobre a liderança de Dilma, ou a evidente falta dela, ler post anterior.

CHARGEREFLEXO

Visite o site de Newton Silva

O desafio de Dilma é sair da sombra de Lula

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta segunda-feira que “Dilma não é líder, é reflexo de um líder”. A estocada foi uma espécie de prévia da estratégia de desconstrução de imagem a ser utilizada pela oposição na campanha eleitoral deste ano. Se por um lado o governo quer a polarização plebiscitária simbolizada na eterna disputa entre Lula e FHC, por outro a oposição tentará focar nas figuras de Dilma e Serra. Um quer olhar para o passado, o outro para o presente.

A intenção dos adversários da candidata oficial é clara: mostrar que Dilma não possui qualidades para o cargo de presidente da República. Faltaria à ministra,  mais especificamente, a experiência e a liderança necessárias para o desafio, e menos explicitamente (para não torná-la vítima), a competência, materializada na lentidão do PAC.

Convenhamos, dado o currículo de José Serra ou mesmo Aécio Neves, administradores bem avaliados e políticos experientes em disputas eleitorais; e dado a falta de passado político-eleitoral de Dilma, parece ser uma estratégia adequada – o que não significa garantia de vitória. Levará a melhor quem conseguir infundir no eleitor a perspectiva que lhe interessar: o governo deseja vender a ideia de que Dilma é a certeza de continuidade; a oposição procura o inverso: demonstrar que ela é uma incógnita.

Nesse sentido, a ministra deve mostrar que é mais do que a escolhida de Lula, de modo que a imagem do presidente não a ofusque e faça de seu trunfo, uma maldição. A provocação de FHC pretende reforçar justamente essa condição subalterna da imagem de Dilma.

PAC: Plano de Aceleração dos Cargos de Confiança

Reparem bem nessa notícia publicada no jornal Folha de São Paulo, edição desta segunda-feira (1º). Os grifos são meus.

Lula dobra criação de cargos de confiança no 2º mandato
O governo Luiz Inácio Lula da Silva dobrou o ritmo da criação de cargos comissionados da administração federal no segundo mandato. O número médio mensal de postos criados aumentou de 23,8 nos quatro primeiros anos do governo para 54 a partir de 2007. Essas vagas são muitas vezes destinadas a apadrinhados políticos.

O número de cargos de confiança no Brasil é um dos mais altos do planeta. Nos Estados Unidos, no início da gestão Barack Obama, em 2009, havia cerca de 9.000 dirigentes desse tipo e 600 deles precisavam de aprovação do Senado.

O PT calcula que cerca de 5.000 cargos de confiança federais são ocupados por filiados.

Comento
Na Inglaterra, por exemplo, o primeiro ministro tem direito a nomear 100 pessoas para cargos de confiança. E só. A matéria mostra que os EUA têm 9 mil servidores nessa situação, contra 23 mil no Brasil.

Comparando, portanto, resta evidente que temos uma distorção no que diz respeito a cargos que não necessitam de concurso público para serem preenchidos. É um maneirismo que aprendemos a chamar, carinhosamente, de “jeitinho brasileiro”. É óbvio que, diante de um número tão grande, os critérios eleitoral, partidário e ideológico ganham força. É o que alguns estudiosos chamam de APARELHAMENTO da máquina.

Vale dizer ainda que a intensificação desse expediente em ano eleitoral deixa no ar a suspeita de uso da máquina. Ou será apenas coincidência?

Uma herança maldita para o próximo presidente

bomba-relogioO presidente Lula afirmou, no Fórum Mundial Social (em Porto Alegre – RS), que o Fórum Economico de Davos (na Suíça) perdeu o “glamour” após a crise financeira internacional. É justamente nesse ambiente meio sem prestígio que o pessoal de Davos resolveu premiar o nosso presidente com o prêmio Estadista Global.

De qualquer forma, o prêmio é um reconhecimento à política econômica que o Brasil já adota há pelo menos 15 anos. A crise, portanto, serviu para ressaltar a correção do rigor fiscal e monetário que em marcado a nossa economia. Além disso, o nosso sistema financeiro já havia sido saneado pelo PROER e os bancos nacionais são avessos a correr riscos na hora de emprestar, estimulados, sobretudo, pelo juros que o governo paga.

Mas isso não significa que tudo é um mar de rosas e nada há para ser resolvido. É preciso ter cuidado com uma certa euforia, amplificada pela comunicação governamental, quando o assunto é economia. Vejam as seguintes manchetes (clique no título para ler a matéria original):

Estadão: Despesas do governo central cresceram 15% em 2009
G1: Gastos do governo em 2009 têm alta de R$ 74,5 bilhões
Correio Brasziliense: Dinheiro público: Dívida interna dispara no governo Lula

O problema dessas notícias não está propriamente na alta das despesas correntes do governo ou da dívida interna crescente. Em períodos de crise, essa situação é clássica: governos gastam mais para reanimar a economia. Acontece que é preciso ter critérios estratégicos para isso. Nesse ponto, um debate seria bastante útil este ano.

O ideal é que esses gastos contemplem ações em áreas indutoras de emprego e investimentos de longo prazo, como infra-estrutura, por exemplo, que podem servir debase de apoio para uma retomada de crescimento. Mas o que vemos são os gastos ditos sociais, que embora importantes, não geram criação de nova riqueza, mas apenas intensificam a circulação do que já existe. Sem contar as despesas com contratação de pessoal, especialmente os terceirizados e os cargos comissionados.

Resumindo: o governo gasta mal, obtendo retornos apenas de curto prazo. Mais adiante, a conta terá que ser fechada pelo próximo presidente. Como disse o Correio Braziliense:

“Lula repetirá a maldição do antecessor. Entregará, muito provavelmente a José Serra (PSDB) ou a Dilma Rousseff (PT), os dois candidatos à sucessão presidencial mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de votos, um débito quase duas vezes maior do que o que recebeu”.

Carta de Gilberto Geraldo Garbi para Lula.

Amigos, para variar, muito trabalho e pouco tempo estão dificultando as postagens. Vou publicar abaixo um texto que recebi por email. É extenso, mas vale a leitura. Trata-se de uma das melhores análises sobre a atual conjuntura política que vivemos. Simples e direta. Como disse o meu amigo Roger Prado, “pode ser que o texto abaixo não tenha sido escrito por uma pessoa chamada Gilberto Geraldo Garbi. Sabemos que na WEB é comum circularem textos de falsa autoria. Porém, uma eventual apocrifia não invalida o conteúdo da mensagem”.

Carta de *Gilberto Geraldo Garbi para Lula.

 A CAMINHO DOS 99,9999995%
 
Há poucos dias, a imprensa anunciou amplamente que, segundo as últimas pesquisas de opinião, Lula bateu de novo seus recordes anteriores de popularidade e chegou a 84% de avaliação positiva. É, realmente, algo “nunca antes visto nesse país” e eu fiquei me perguntando o que poderemos esperar das próximas consultas populares.
 
Lembro-me de que quando Lula chegou aos 70% achei que ele jamais bateria Hitler, a quem, em seu auge, a cultíssima Alemanha chegara a conceder 82% de aprovação. Mas eu estava enganado: nosso operário-presidente já deixou para trás o psicopata de bigodinho e hoje só deve estar perdendo para Fidel Castro e para aquele tiranete caricato da Coreia do Norte, cujo nome jamais me interessei em guardar. Mas Lula tem uma vantagem sobre os dois ditadores: aqui as pesquisas refletem verdadeiramente o que o povo pensa, enquanto em Cuba e na Coreia do Norte as pesquisas de opinião lembram o que se dizia dos plebiscitos portugueses durante a ditadura lusitana: SIM, Salazar fica; NÃO, Salazar não sai; brancos e nulos sendo contados a favor do governo…(Quem nunca ouviu falar em Salazar, por favor, pergunte a um parente com mais de 60).
 
Portanto, a popularidade de Lula ainda “tem espaço” para crescer, para empregar essa expressão surrada e pedante, mas adorada pelos economistas. E faltam apenas cerca de 16% para que Lula possa, com suas habituais presunção e imodéstia, anunciar ao mundo que obteve a unanimidade dos brasileiros em torno de seu nome, superando até Jesus Cristo ou outras celebridades menores que jamais conseguiram livrar-se de alguma oposição…
 
Sim, faltam apenas 16% mas eu tenho uma péssima notícia a dar a seu hipertrofiado ego: pode tirar o cavalinho da chuva, cumpanhero, porque de 99,9999995% você não passa.
 
Como você não é muito chegado em Aritmética, exceto nos cálculos rudimentares dos percentuais sobre os orçamentos dos ministérios que você entrega aos partidos que constituem sua base de sustentação no Congresso, explico melhor: o Brasil tem 200.000.000 de habitantes, um dos quais sou eu. Represento, portanto, 1 em 200.000.000, ou seja, 0,0000005% enquanto os demais brasileiros totalizam os restantes 99,9999995%. Esses, talvez, você possa conquistar, em todo ou em parte. Mas meus humildes 0,0000005% você jamais terá porque não há força neste ou em outros mundos, nem todo o dinheiro com que você tem comprado votos e apoios nos aterros sanitários da política brasileira, não há, repito, força capaz de mudar minha convicção de que você foi o pior dentre todos os presidentes que tive a infelicidade de ver comandando o Brasil em meus 65 anos de vida.
 
E minha convicção fundamenta-se em um fato simples: desde minha adolescência, quando comecei a me dar conta das desgraças brasileiras e a identificar suas causas, convenci-me de que na raiz de tudo está a mentalidade dominante no Brasil, essa mentalidade dos que valorizam a esperteza e o sucesso a qualquer custo; dos que detestam o trabalho e o estudo; dos que buscam o acesso ao patrimônio público para proveito pessoal; dos que almejam os cabides de emprego, as sinecuras e os cargos fantasmas; dos que criam infindáveis dinastias nepotistas nos órgãos públicos; dos que desprezam a justiça desde que a injustiça lhes seja vantajosa; dos que só reclamam dos privilégios por não estar incluídos entre os privilegiados; dos que enriquecem através dos negócios sujos com o Estado; dos que vendem seus votos por uma camiseta, um sanduíche ou, como agora, uma bolsa família; dos que são de tal forma ignorantes e alienados que se deixam iludir pelas prostitutas da política e beijam-lhes as mãos por receber de volta algumas migalhas do muito que lhes vem sendo roubado desde as origens dos tempos; dos que são incapazes de discernir, comover-se e indignar-se diante de infâmias.
 
Antes e depois de mim, muitos outros brasileiros, incomparavelmente melhores e mais lúcidos, chegaram à mesma conclusão e, embora sejamos minoria, sinto-me feliz e honrado por estar ao lado de Rui Barbosa. Já ouviu falar nele? Como você nunca lê, eu quase iria sugerir-lhe que pedisse a algum de seus incontáveis assessores que lhe falasse alguma coisa sobre a Oração aos Moços… Mas, esqueça… Se você souber o que ele, em 1922, disse de políticos como você e dos que fazem parte de sua base de sustentação, terá azia até o final da vida.
 
Pense a maioria o que quiser, diga a maioria o que disser, não mudarei minha convicção de que este País só deixará de ser o que é – uma terra onde as riquezas produzidas pelo suor da parte honesta e trabalhadora é saqueada pelos parasitas do Estado e pelos ladrões privados eternamente impunes – quando a mentalidade da população e de seus representantes for profundamente mudada. Mudada pela educação, pela perseverança, pela punição aos maus, pela recompensa aos bons, pelo exemplo dos governantes.

E você Lula, teve uma oportunidade única de dar início à mudança dessa mentalidade, embalado que estava com uma vitória popular que poderia fazer com que o Congresso se curvasse diante de sua autoridade moral, se você a tivesse. Você teve a oportunidade de tornar-se nossa tão esperada âncora moral, esta sim, nunca antes vista nesse País. Mas não, você preferiu o caminho mais fácil e batido das práticas populistas e coronelistas de sempre, da compra de tudo e de todos.

Infelizmente para o Brasil, mas felizmente para os objetivos pessoais seus e de seu grupo, você estava certo: para que se esforçar, escorado apenas em princípios de decência, se muito mais rápido e eficiente é comprar o que for necessário, nessa terra onde quase tudo está à venda?

 
Eu não o considero inteligente, no nobre sentido da palavra, porque uma pessoa verdadeiramente inteligente, depois de chegar aonde você chegou, partindo de onde você partiu, não chafurdaria nesse lamaçal em que você e sua malta alegremente surfam, nem se entregaria a seu permanente êxtase de vaidade e autoidolatria.
 Mas reconheço em você uma esperteza excepcional:   nunca antes nesse País um presidente explorou tão bem, em proveito próprio e de seu bando, as piores qualidades da massa brasileira e de seus representantes.
 Esse é seu legado maior, e de longa duração: o de haver escancarado a lúgubre realidade de que o Brasil continua o mesmo que Darwin encontrou quando passou por essas plagas em 1832 e anotou em seu diário: “Aqui todos são subornáveis”.

Você destruiu as ilusões de quem achava que havíamos evoluído em nossa mentalidade e matou as esperanças dos que ainda acreditavam poder ver um Brasil decente antes de morrer.
 
Você não inventou a corrupção brasileira, mas fez dela um maquiavélico instrumento de poder, tornando-ageneralizada e fazendo-a permear até os últimos níveis da Administração. O Brasil, sob você, vive um quadro que em medicina se chamaria de septicemia corruptiva. Peça ao Marco Aurélio para lhe explicar o que é isso. Você é o sonho de consumo da banda podre desse País, o exemplo que os funcionários corruptos do Brasil sempre esperaram para poder dar, sem temores, plena vazão a seus instintos.
 
Você faz da mentira e da demagogia seu principal veículo de comunicação com a massa. A propósito, o que é que você sente, todos os dias, ao olhar-se no espelho e lembrar-se do que diz nos palanques? Você sente orgulho em subestimar a inteligência da maioria e ver que vale a pena?
 
Você mentiu quando disse haver recebido como herança maldita a política econômica de seu antecessor, a mesma política que você manteve integralmente e que fez a economia brasileira prosperar..
Você mentiu ao dizer que não sabia do Mensalão.
Mentiu quando disse que seu filho enriqueceu através do trabalho.
Mentiu sobre os milhões que a Ong 13, de sua filha, recebeu sem prestar contas.
Mentiu ao afastar Dirceu, Palocci, Gushiken e outros cumpanheros pegos em flagrante.
Mente quando, para cada platéia, fala coisas diferentes, escolhidas sob medida para agradá-las.
Mentiu, mente e mentirá em qualquer situação que lhe convenha.
 
Por falar em Ongs, você comprou a esquerda festiva, aquela que odeia o trabalho e vive do trabalho de outros, dando-lhe bilhões de reais através de Ongs que nada fazem, a não ser refestelar-se em dinheiro público, viajar, acampar, discursar contra os exploradores do povo e desperdiçar os recursos que tanta falta fazem aos hospitais.
 
Você não moveu uma palha, em seis anos de presidência, para modificar as leis odiosas que protegem criminosos de todos os tipos neste País sedento de Justiça e encharcado pelas lágrimas dos familiares de tantas vítimas.

Jamais sua base no Congresso preocupou-se em fechar ao menos as mais gritantes brechas legais pelas quais os criminosos endinheirados conseguem sempre permanecer impunes, rindo-se de todos nós. Ao contrário, o Supremo, onde você tem grande influência, por haver indicado um bom número de Ministros, acaba de julgar que mesmo os condenados em segunda instância podem permanecer em liberdade, até que todas as apelações, recursos e embargos sejam julgados, o que, no Brasil, leva décadas. Isso significa, em poucas palavras, que os criminosos com dinheiro suficiente para pagar os famosos e caros criminalistas brasileiros podem dormir sossegados, porque jamais irão para a cadeia. Estivesse o Supremo julgando algo que interessasse a seu grupo ou a suas inclinações ideológicas, certamente você teria se empenhado de corpo e alma.

Aliás, Lula, você nunca teve ideais, apenas ambições. Você jamais foi inspirado por qualquer anseio de Justiça. Todas as suas ações, ao longo da vida, foram motivadas por rancores, invejas, sede pessoal de poder e irrefreável necessidade de ser adorado e ter seu ego adulado.

Seu desprezo por aquilo que as pessoas honradas consideram Justiça manifesta-se o tempo todo: quando você celeremente despachou para Cuba alguns pobres desertores que aqui buscavam a liberdade; quando você deu asilo a assassinos terroristas da esquerda radical; quando você se aliou à escória do Congresso, aquela mesma contra quem você vociferava no passado; quando concedeu aumentos nababescos a categorias de funcionários públicos já regiamente pagos, às custas dos impostos arrancados do couro de quem trabalha arduamente e ganha pouco; quando você aumentou abusivamente as despesas de custeio, sabendo que pouquíssimo da arrecadação sobraria para os investimentos de que tanto carece a população; quando você despreza o mérito e privilegia o compadrio e o populismo; e vai por aí…. Justiça, ora a Justiça, é o que você pensa…
 
Você tem dividido a nação, jogando regiões contra regiões, classes contra classes e raças contra raças, para tirar proveito das desavenças que fomenta. Aliás, se você estivesse realmente interessado, como deveria, em dar aos pobres, negros e outros excluídos as mesmas oportunidades que têm os filhos dos ricos, teria se empenhado a fundo na melhoria da saúde e do ensino públicos. Mas você, no íntimo, despreza o ensino, a educação e a cultura, porque conseguiu tudo o que queria, mesmo sendo inculto e vulgar. Além disso, melhorar a educação toma um tempo enorme e dá muito trabalho, não é mesmo?

E se há coisa que você e o Partido dos Trabalhadores definitivamente detestam é o trabalho: então, muito mais fácil é o atalho das cotas, mesmo que elas criem hostilidades entres as cores, que seus critérios sejam burlados o tempo todo e que filhos de negros milionários possam valer-se delas.
 
A Imprensa faz-lhe pouca oposição porque você a calou, manipulando as verbas publicitárias, pressionando-a economicamente e perseguindo jornalistas.
O que houve entre o BNDES e as redes de televisão?
O que você mandou fazer a Arnaldo Jabor, a Boris Casoy, a Salete Lemos?
Essa técnica de comprar ou perseguir é muito eficaz. Pablo Escobar usou-a com muito sucesso na Colômbia, quando dava a seus eventuais opositores as opções: “O plata, o plomo”. Peça ao Marco Aurélio para traduzir. Ele fala bem o Espanhol.
 
Você pode desdenhar tudo aquilo que aqui foi dito, como desdenha a todos que não o bajulem. Afinal, se você não é o maior estadista do planeta, se seu governo não é maravilhoso, como explicar tamanha popularidade? É fácil: políticos, sindicatos, imprensa, ONGs, movimentos sociais, funcionários públicos, miseráveis, você comprou com dinheiro, bolsas, cotas, cargos e medidas demagógicas. 

Muita gente que trabalha, mas desconhece o que se passa nas entranhas de seu governo, satisfez-se com o pouco mais de dinheiro que passou a ganhar, em consequência do modesto crescimento econômico que foi plantado anteriormente, mas que caiu em seu colo..

Tudo, então, pode se resumir ao dinheiro e grande parte da população parece estar disposta a ignorar os princípios da honradez e da honestidade e a relevar as mentiras, a corrupção, os desperdícios, os abusos e as injustiças que marcam seu governo em troca do prato de lentilhas da melhoria econômica.
 
É esse, em síntese, o triste retrato do Brasil de hoje… E, como se diz na França, “l´argent n´est tout que dans les siècles où les hommes ne sont rien”. Você não entendeu, não é mesmo? Então pergunte à Marta. Ela adora Paris e há um bom tempo estamos sustentando seu gigolô franco-argentino…
 
*Gilberto Geraldo Garbi foi um dos alunos classificados a seu tempo como UM DOS MELHORES ALUNOS DE MATEMÁTICA que já haviam adentrado o ITA, entre outras honrarias que recebeu daquela instituição. Depois de graduado, desenvolveu carreira na TELEPAR, onde chegou a Diretor Técnico e Diretor Presidente, sendo depois Presidente da TELEBRAS.

Diferenças e semelhanças entre Arruda, Azeredo e Lula

Jangadeiro Online:

Para mensalão do DEM, PT propõe impeachment

Com alguns de seus principais líderes como réus na ação do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), o PT ingressou ontem (2) com pedido de impeachment contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e seu vice, Paulo Octávio, por conta do chamado mensalão do DEM. A ofensiva do PT-DF coincidiu com uma mudança de tom do presidente Lula, que, um dia depois de ter dito que as imagens de Arruda e aliados pegando dinheiro no DF “não falavam por si”, classificou ontem o escândalo como “deplorável”.

Qual a diferença entre o caso do Mensalão de Lula, do caixa 2 de Azeredo e do Mensalão de Arruda?

Basicamente quatro, embora a troca de acusações faça parecer que tudo é igual. Vamos a elas.

1 – Em Minas não houve compra de parlamentares. O caso é de caixa 2, com possível desvio de dinheiro público. A associação com o Mensalão do Governo Federal se deu por causa do operador financeiro, o carequinha Marcos Valério.

2 – O Mensalão de Lula foi – assim como o de Arruda – denunciado por alguém de dentro. No caso, o ex-deputado Roberto Jéfferson. Além da compra no atacado de partes do Legislativo, o caso também envolveu caixa 2, conforme confissão gravada no Congresso Nacional do marqueteiro de Lula, o baiano Duda Mendonça (buscar no Google Duda e Düsseldorf). Tanto nesse caso, como no de Azeredo, nada aconteceu e até agora ninguém foi punido, embora existam processos tramitando na Justiça. Nos dois casos, os principais beneficiários dos esquemas, Lula e Azeredo, afirmam que não sabiam de nada.

3 – Outra diferença diz respeito a um personagem já citado: Marcos Valério. Até o momento, o caso Arruda é o que tem ensejado maior repercussão entre partidos políticos e entidades civis, como a OAB, sindicatos e movimento estudantil. Todos afetam indignidade. Curiosamente, dos três casos em questão, apenas o de Arruda é o que não teve Marcos Valério no centro da movimentação do dinheiro da corrupção. Coincidência?

Resta concluir o seguinte. Apesar das diferenças, no três episódios, Arruda, Azeredo e Lula, independentemente de haver comprovação jurídica sobre a responsabilidade deles nos esquemas, deveriam ter sido solenemente expulsos da política. Se não sabiam de nada, no mínimo são omissos e mal acompanhados. No mais, as estruturas de corrupção montadas servem para consolidar os projetos dos três. Portanto, nada mais natural do que desmontá-las pela ponta que as alimenta.

O PT está certo
Por último, cabe aqui uma crítica à oposição ao governo Lula. O PT, ao pedir o impeachment de Arruda, mostra como é que se faz oposição. Na época em que estouraram as denúncias de Roberto Jefferson, não faltaram tucanos dizendo que o mais importante era preservar a governabilidade. Deu no que deu.

O PT não esperou, não fez conjecturações. Pediu o impeachment. Correto. O que afeta a governabilidade é a corrupção. Duro é ver mensaleiros bancando os justiceiros em cima do mensalão dos outros.

Por que Lula chora tanto? De onde vem tanta comoção e enternecimento?

Depois de chorar na entrevista coletiva concedida por ocasião da escolha do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016, Lula voltou a verter lágrimas diante de uma câmera de televisão ao relembrar, na Rede TV, a morte de sua primeira esposa, há 38 anos. No entanto, veja o vídeo, essa não foi uma de suas melhores apresentações. A voz não embargou o suficiente e os dedos cobriram os olhos com muita rapidez, antes que ficassem suficientemente marejados. Mas isso não chega a comprometer a performance, devidamente edulcorada pelo repórter Kennedy Alencar. 

Com essas manifestações, ainda que sejam espontâneas, Lula reforça o mito de político sensível às dores e alegrias do mundo. Gente como a gente. Será que ele chora em seu quarto ao pensar, por exemplo, nos aposentados que esperam ter seus vencimentos reajustados com o mesmo índice aplicado ao salário mínimo? Quem haverá de saber?

Sobre a pujante capacidade lacrimejante do presidente cordial (de cordis, como diz Sérgio Buarque), reproduzo trechos de um instigante texto do professor Olavo de Carvalho – Bondade Mesquinha:

“Nosso presidente, que jamais derramou uma lágrima pelos 40 mil brasileiros assassinados anualmente e muito menos fez algo para protegê-los, derreteu-se em prantos ante a escolha do Rio para sede dos próximos Jogos Olímpicos. Não é a primeira vez que ele dá mostras de sua notável capacidade lacrimejante. Ele chorou duplamente ao ser eleito e ao ser empossado, chorou vezes inumeráveis ao anunciar do alto dos palanques seus planos de governo, chorou no enterro do deputado petista Carlos Wilson, no das vítimas da chuva em Sta. Catarina e no dos mortos do acidente em Alcântara, chorou ao inaugurar o projeto “Luz Para Todos”, chorou ao enaltecer seus próprios feitos num encontro de estudantes em São Paulo, chorou no Senegal dizendo que era de arrependimento pela escravatura, chorou ao prometer acabar com o desemprego em 2003 e depois novamente em 2006 (os desempregados continuam chorando até agora), e chorou quando o deputado Roberto Jefferson lhe falou do Mensalão: soluçou tão convulsivamente que ficou até parecendo que era o último a saber do imbroglio. São apenas amostras colhidas a esmo. Digitando “Lula chora” no Google obtive 29.600 respostas, e ante a mera perspectiva de examiná-las uma a uma quem sente ganas de chorar sou eu.

Diante dessa torrente de lágrimas, seria injusto negar que o sr. presidente tenha bons sentimentos. Que os tem, tem. O problema é que são morbidamente seletivos: para seus companheiros de militância, para os grupos sociais onde espera recrutar eleitores, e sobretudo para si próprio, coitadinho, é uma comoção arrebatadora, um enternecimento irresistível, um transbordamento de compaixão sem fim. Para os demais, tudo o que ele tem a oferecer é aquela forma requintada de crueldade passiva que se chama a indiferença.

Longe de mim a suspeita de que as lágrimas de S. Excia. sejam fingidas. É justamente a espontaneidade delas que mostra o quanto os bons instintos presidenciais são seletivos, daquela seletividade natural e até inconsciente que revela, num instante, uma personalidade, a forma inteira de uma alma e de uma consciência. Se essa seletividade privilegia, enfatiza e enaltece com naturalidade espantosa os interesses político-publicitários do sr. presidente e ao mesmo tempo o torna cego e insensível para tudo o mais, não é porque haja nela alguma premeditação astuta, mas, bem ao contrário, é porque, simplesmente, ele é assim.

Se seus acessos de bondade vêm a ser sempre politicamente oportunos, não é porque ele os planeje, mas porque, no fundo da sua alma, ele não consegue conceber o bem senão sob a forma estreita e específica de uma estratégia partidária, sendo perfeitamente indiferente a tudo o que fique fora ou acima dela.”

Enquanto isso, no país do faz-de-conta

Essa charge é o Newton Silva, publicado originalmente no site Jangadeiro Online. Charge, assim como o humor, não pode ser a favor. Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho desse artista, pode visitar a sua página eletrônica: Çaite do Cartunista Newton Silva.

Charge - País do faz-de-conta

Lula confessa ao Financial Times que manteve política fiscal e monetária de FHC. Mas esqueceu de citar FHC…

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista ao jornal britânico Financial Times, publicada nesta segunda-feira. Alguns trechos podem ser lidos em português na página da BBC-Brasil, dos quais transcrevo três passagens. Entre cada uma, segue o meu comentário na cor azul.

O jornal perguntou ao presidente sobre a interferência do Estado na economia, citando a criação da nova empresa para cuidar das reservas pré-sal e a pressão do governo sobre a Vale para que produza aço no Brasil, ao que Lula respondeu: “duvido que em algum momento da história o setor privado tenha tido tanto respeito do Estado como tem hoje, ou tenha ganhado tanto dinheiro”. “O que peço à Vale é que transforme o minério de ferro em aço no Brasil, e que eles comprem navios de estaleiros brasileiros.” (…) “Sou contra o Estado ser o gerente da economia”.

Trata-se de uma convicção? Como veremos abaixo, Lula não é homem de convicções, mas de oportunidades. As críticas à Vale visam mesmo é reeditar as críticas às privatizações, como se alguma das empresas privatizadas tivesse piorado de desempenho ou não gerasse muitos empregos e dividendos públicos na forma de impostos ao governo. Lula tentou derrubar o presidente da companhia, Roger Agnelli, e colocar em seu lugar alguém mais afeito aos interesses do petismo, no caso, o empresário Eike Batista, sob o pretexto de defender a indústria nacional. O plano fracassou justamente porque o mercado entendeu a manobra como uma interferência indevida.

Lula é contra o Estado ser o gerente da economia? Então por que as críticas à privatização do setor de minérios? Então por que a defesa de monopólios estatais? Essa conversa é para posar de social democrata moderninho. A frase caberia perfeitamente na boca de José Serra ou de FHC, queridinhos do partido Trabalhista inglês.

Sobre a afirmação de que nunca o setor privado ganhou tanto, resta concordar que é mesmo verdade. Mas isso não é obra do governo, como sugere Lula. Ganham porque merecem, porque investem para competir. E porque - claro – não são geridas por burocratas ou companheiros de partido. Na verdade, e isso será confirmado mais abaixo, o mérito do atual governo é justamente ter mantido a política fiscal e monetária do governo anterior, aquela “ditada” pelo FMI.

“O Estado tem que ser forte – mas como um catalisador do desenvolvimento. E temos mantido sólidas políticas fiscal e monetária. Foi por isso que o setor bancário não quebrou durante a crise no Brasil.”

Suspeito que a correção na concordância do plural seja obra do editor, mas tudo bem. O que importa é o conteúdo. Na prática, e como Lula sabe que não pode, no exterior, dizer que é o marco inaugural da política econômica brasileira, o presidente confessa que “MANTEVE” o que já existia. E foi mesmo por isso que o setor bancário foi menos afetado no Brasil: estimulado por essas políticas fiscal e monetária, banco não empresta dinheiro a pobre. Empresta é para o governo conseguir fechar o caixa de despesas correntes sem deixar de pagar os juros da dívida, o famoso superávit fiscal. Já o papo de Estado forte como indutor da economia é outro clichê social democrata.

Entre ser eleito e tomar posse, Lula lembra que escreveu uma carta ao povo brasileiro – que na verdade era direcionada aos investidores estrangeiros – afirmando que iria honrar todos os contratos e evitar uma aventura.

Voltamos ao terreno das convicções de araque. A carta foi redigida depois que a expectativa de vitória de Lula em 2004, já antecipada pelas pesquisas, assustou o mercado. Ora, muitos acreditavam que o discurso de 20 anos do candidato Lula seria levado a efeito. Quem vendia “aventura” era o próprio Lula. Na época, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, convocou TODOS os candidatos para que se manifestassem a respeito dos compromissos assumidos pelo Brasil. Diante disso, Duda Mendonça resolveu transformar o constrangimento em ativo eleitoral e bolou a tal carta. Em suma, Lula diz ter sido uma ação sua o que na verdade foi uma reação imposta. Seu mérito foi ter levado a carta a sério, deixando para o passado as convicções anteriores. Isso é uma virtude? Não sei não. Sabe como é. Depende do caso. E tudo que fica por conta das circunstâncias é de pouca confiança.

PS. Por que Lula não critica FHC em entrevistas concedidas a jornais europeus? Simples. É que lá eles sabem que o governo Lula é CONTINUAÇÃO do governo FHC quando o assunto é economia. Se aqui o petismo tenta sequestrar até a estabilidade dos preços, lá fora ele se comporta direitinho.

Azeredo e Lula – semelhanças e diferenças

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) é acusado de ter sido beneficiado por um esquema de arrecadação ilegal – também conhecido como caixa 2 – durante sua tentativa de reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998. O encarregado da maracutaia seria o empresário Marcos Valério, o mesmo do mensalão, o escândalo de compra de fatias do Congresso Nacional comandado pelo governo Lula, denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson, em 2005.

O único ponto de coincidência entre os dois casos é Marcos Valério. Mas rapidamente o petismo engajado tratou de inserir no noticiário a expressão “mensalão mineiro”, com o intuito de misturar as histórias e confundir o público, e assim desqualificar as acusações da oposição em relação às denúncias que derruaram José Dirceu.

Diferenças
O caso, como vemos, tem semelhanças, mas que forma alguma autorizam a interpretação de que o “desvio” petista teve origem no esquema tucano. O motivo? Simples. São crimes diferentes. O PSDB mineiro é acusado de caixa 2, coisa que Delúbio Soares confessou também ser prática do PT, inclusive para a campanha de Lula em 2002. Já o mensalão envolve a cúpula do governo federal na compra de parlamentares. Pelas acusações, os dois fraudaram eleições.  No mensalão, o PT ainda fraudou a institucionalidade democrática.

Há ainda a diferença de proporções, que para muitos não deve ser tomado como parâmetro de distinção, mas que para mim é essencial, uma vez que os danos são proporcionais ao tamanho do mal que os causou. O caso do PSDB é localizado em Minas Gerais. O do PT é nacional.

Responsabilidade
Isso absolve Azeredo? Não. E Lula? Também não. O ministro Joaquim Barbosa, do STF, acolheu a denúncia contra o senador. Em sua defesa, Azeredo diz que sua condição é igual a de Lula, que nunca foi acusado. Ambos eram chefes de governo e alegam não saber dos trambiques de seus subordinados.

A questão, no meu entender, não é descobrir se eles sabiam. É cobra-lhes a liderança concedida. E nesse caso, ambos falharam. Se não sabiam – o que é estranho, pois foram os beneficiados -, deveriam saber.

Exemplo
Na Alemanha, o ex-chanceler Helmut Khol, considerado herói nacional por comandar a reunificação do país em 1990, foi banido da política pelos eleitores. Motivo: seu partido deixou de declarar 100 mil dólares arrecadados indevidamente. A opinião pública não aceitou o argumento de que Kohl não sabia e o aposentou. Os operadores do crime eram subordinados dele, que teve que arcar com a responsabilidade. Mas no Brasil, esse excesso de rigor é coisa de gente sem coração, que não chora, que é fria. Coisa de alemão.

WordPress Themes