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O desafio de Dilma é sair da sombra de Lula

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta segunda-feira que “Dilma não é líder, é reflexo de um líder”. A estocada foi uma espécie de prévia da estratégia de desconstrução de imagem a ser utilizada pela oposição na campanha eleitoral deste ano. Se por um lado o governo quer a polarização plebiscitária simbolizada na eterna disputa entre Lula e FHC, por outro a oposição tentará focar nas figuras de Dilma e Serra. Um quer olhar para o passado, o outro para o presente.

A intenção dos adversários da candidata oficial é clara: mostrar que Dilma não possui qualidades para o cargo de presidente da República. Faltaria à ministra,  mais especificamente, a experiência e a liderança necessárias para o desafio, e menos explicitamente (para não torná-la vítima), a competência, materializada na lentidão do PAC.

Convenhamos, dado o currículo de José Serra ou mesmo Aécio Neves, administradores bem avaliados e políticos experientes em disputas eleitorais; e dado a falta de passado político-eleitoral de Dilma, parece ser uma estratégia adequada – o que não significa garantia de vitória. Levará a melhor quem conseguir infundir no eleitor a perspectiva que lhe interessar: o governo deseja vender a ideia de que Dilma é a certeza de continuidade; a oposição procura o inverso: demonstrar que ela é uma incógnita.

Nesse sentido, a ministra deve mostrar que é mais do que a escolhida de Lula, de modo que a imagem do presidente não a ofusque e faça de seu trunfo, uma maldição. A provocação de FHC pretende reforçar justamente essa condição subalterna da imagem de Dilma.

De novo a pegadinha do PAC

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentou o nono balanço quadrimestral do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Antes, uma lembrança. No oitavo balanço, a Casa Civil “esqueceu” de contabilizar as obras de moradia que deveriam constar no PAC, e que teimam em não sair do papel. Sem elas, o número de obras feita aumentava. Quem lembra das filas de cadastro para o programa Minha Casa, Minha Vida? O truque foi desmascarado pela velha imprensa golpista de sempre.

Agora, Dilma se encheu de orgulho para dizer que, passados três anos do lançamento do PAC, o volume de dinheiro alocado atingiu 63,3% do total previsto. Seria um ritmo de “aceleração” que corresponderia a 21% ao ano. O problema é para concluir todas as obras previstas na meta, o governo terá de fazer em 12 meses o que não fez em três anos. Ou seja, em 2010 teria que aplicar os 36,7% que faltam.

Mas isso não é tudo. Esses números estão vitaminados pelo desejo de Dilma em se mostrar competente, afinal, ele será candidata. Mas a REALIDADE é outra. Como informa o jornal O Estado de São Paulo desta sexta-feira (5), “se a conta for feita considerando apenas as ações efetivamente concluídas, o cenário é mais desalentador. Passados 36 meses, as obras encerradas correspondem a 40,3% do total. Ainda assim, Dilma afirmou que houve “uma evolução bem favorável” do programa”.

Resumindo: ainda faltam 59,7% de obras do PAC para serem concluídas no último ano de governo Lula. Diante da impossibilidade do desafio – quem aposta nisso? – a solução foi, como sempre, apelar para o malabarismo retórico, distorcer números e, claro, chamar a rapaziada do marketing, que inventou um tal de PAC 2. É mole?

Comunismo neoconcretista ou dialética da concretude

O PC do B, sigla nanica que sobrevive ocupando aparelhos estudantis, e que se vangloria de sua história (o que significa dizer que tem orgulhos da doutrina mais morticida da história da humanidade, deixando os crimes de seus camadaras nazistas bem atrás), tem veiculado sua propaganda na televisão. Nela, o deputado federal cearense Chico Lopes fala sobre as maravilhas dos governos apoiados pelos comunistas, o que era de se esperar mesmo.

Mas sabem como são esses marqueteiros… A certa altura, um Lopes sorridente, com cara de bonachão, diz candidamente que a REFINARIA e a SIDERÚRGICA, já SÃO realidades concretas. Onde? O comunista não fala, nem mostra imagens. Apela à nossa fé. Deve ser a dialética da concretude. Entendam. Sendo o concreto o contrário de abstrato, é certo entender que algo definido por esse adjetivo seja, como diz o dicionário Priberam:

1. Consistente, espesso, condensado, que tem consistência (mais ou menos sólida).
2. Que tem corpo (opõe-se a abstrato).
3. Que é perceptível! aos sentidos.

A Petrobras já afirmou que a realidade concreta da refinaria será adiada para depois de 2013, sem data definida. E a siderúrgica, vejam só, é um empreendimento PRIVADO. Isso mesmo! No Brasil chagamos ao cúmulo de ver um comunista se jactar de projetos tocados – ó ironia – por porcos capitalistas que vivem em busca de lucro (arghh!), explorando os trabalhadores coitadinhos que deveriam votar em gente como Chico Lopes.

Mas como todos sabem, e como provam as urnas, quem gosta de comunista é “estudante” que monopoliza a emissão de carteirinhas de meia-entrada e “intelectual” capaz de aceitar que algo possa ser simultaneamente real e imaginário, ser e não ser ao mesmo tempo, e ainda assim se julgar moralmente superior aos que efetivamente levam o mundo concreto nas costas.

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