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Eleições e expectativa de poder: tucanos avançam na base governista

Essa é do blog do Lauro Jardim/Veja:

Além das já conhecidas conversas com o PTB e o PSC, os tucanos estão agora negociando com outras legendas pequenas da base aliada de Lula. São ao menos mais dois partidos que têm se reunido com a cúpula do PSDB para negociar a aliança na chapa de José Serra.

A desenvoltura desse assédio da oposição sobre partidos da base aliada é a face expressa de um ambiente partidário frágil e de uma aposta eleitoral. Como sabemos, os partidos não se aliam uns aos outros somente por convicção, mas também, em muitos casos, por conveniência. Quem imaginou, por exemplo, uma aliança entre Collor e PT, como neste ano em Alagoas? Para completar, a legislação frouxa contribui com a mercantilização da política quando permite a profusão de siglas de aluguel.

Mas existe também outra observação, de ordem prática. Partidos políticos também se unem ao sabor da chamada expectativa de poder. Ou seja, essas agremiações, mesmo as maiores e descentralizadas, como o PMDB, avaliam as possibilidades de vitória eleitoral e de composição em futuros governos. A depender do quadro, a abertura para novos entendimentos pode surgir.

Se o candidato da oposição, que não tem a máquina, consegue atrair aliados do governo no apagar da luzes, isso pode significar: 1) descontentamento com a candidatura oficial; 2) desconfiança sobre o sucesso dessa candidatura; 3) aposta na vitória da oposição, 4) chantagem eleitoral para obter favores do governo. Ou tudo isso junto, não necessariamente nessa ordem. O fato é que existe um cálculo a guiá-los. A eventual confirmação desse movimento, prevista para abril, prova que a disputa está aberta, o contrário do que dizem alguns. Como diria Alan Neto, quem viver, verá.

Vídeos mostram o real dinamismo da gestão Fortaleza Bela

Reproduzo abaixo post da jornalista Kézya Diniz, publicado originalmente no Blog da Janga. Para não dizer que só faço críticas, lá vai uma constatação que para os que se consideram muito espertos é elogiosa: É preciso muita lábia para negar o óbvio!

Segue:

Líder da oposição divulga vídeos de obras paradas em Fortaleza

O vereador Plácido Filho (PDT), líder da bandada de oposição à prefeita Luizianne Lins (PT), decidiu colocar na internet alguns vídeos produzidos por sua assessoria para mostrar o que, segundo ele,  “a  Prefeitura de Fortaleza (não) está fazendo pela cidade”.

Estes vídeos já deram o que falar na Câmara Municipal. Aliados da prefeita tentaram impedir a exibição de todo e qualquer vídeo por lá. Mas agora eles estão no YouTube, disponíveis a todos os cidadãos na nossa querida Fortaleza Bela.

Abaixo os links postados na internet pelo vereador:

Obras paradas
http://www.youtube.com/watch?v=nT2Vb2te0u0

IJF CAOS
http://www.youtube.com/watch?v=EszMvi3RPpw

Hospital da Mulher
http://www.youtube.com/watch?v=TcbyjmWb5ts

Usina de Asfalto de Fortaleza
http://www.youtube.com/watch?v=xWM8p2UkoxE

O apagão gerencial. Será que o governo foi assessorado pelo marketing da Uniban?

Todos sabem que na noite de terça-feira (10) um apagão na rede elétrica deixou 18 estados às escuras. No entanto, chegamos ao final da semana sem que o governo federal, que é o responsável pelo sistema, apresente uma única explicação convincente. A conversa de que foi o mau tempo, tocada pelo ministro Edson Lobão, já foi solenemente desmentida pelo INPE.

Temos até agora o seguinte: o governo tenta fingir que não houve apagão. Não colou. E agora tenta mudar de assunto, procurando uma pauta positiva. Ontem o Planalto fez uma grande cerimônia para celebrar a diminuição do desmatamento na Amazônia. No entanto, dada a qualidade dos discursos, é visível que o apagão deixou as autoridades desnorteadas. 

No evento, o presidente Lula falou sobre meio ambiente e poluição, em um de seus momentos mais constrangedores desde que tomou posse pela primeira vez. Transcrevo reportagem do jornal O Globo:

O presidente Lula citou até o criador da psicanálise para tentar desvendar os mistérios da natureza. “Eu já disse várias vezes: Freud dizia que tinha algumas coisas que a humanidade não controlaria. Uma delas eram as intempéries”.

Em seguida, o presidente tentou explicar o porquê do clima ser tão imprevisível. “Então, essa questão do clima é delicada por quê? Porque o mundo é redondo. Se o mundo fosse quadrado ou retangular e a gente soubesse que o nosso território está a 14 mil quilômetros de distância dos centros mais poluidores, ótimo, vai ficar só lá. Mas como o mundo gira e a gente também passa lá embaixo onde está mais poluído, a responsabilidade é de todos”.

Que cacetada! Freud, para variar, foi distorcido. A tese de que passamos por baixo da poluição dos outros países quando o planeta gira é a coisa mais estúpida que já ouvi. Mas vá falar que foi burrice! Não faltará que o advirta: isso é preconceito. Então tá.

Exploração política
A base aliada e o núcleo duro do governo correram para desqualificar as críticas da oposição, espalhando que esta quer politizar uma questão técnica para tirar proveito eleitoral. E parte da imprensa já comprou a tese. Ora, a oposição tem mesmo é que denunciar – politicamente – o que acredita ser uma falha de governo. Esse é o seu papel, ora bolas! E qual oposição não quer vencer eleições explorando os erros do governo? O PT fará isso algum dia? Pelo amor de Deus.

O mais revelador em todo esse episódio é a reação da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. Ex-ministra de Minas e Energia, ela sempre procurou vender a imagem de mulher competente. Até falsificou o currículo. Mas o que ele fez de tão especial? A conversa é que tinha resolvido os problemas de insegurança da rede elétrica… Como vimos, o apagão matou essa historinha. Dilma tentou, num primeiro instante, submergir para escapar das críticas (porque sabia que lhe seriam feitas cobranças) e deixar o ministro Lobão arcar com o ônus.

Pegou mal e Dilma voltou para tentar “administrar” a crise. Mas pela postura, demonstrou ser uma candidata difícil de emplacar. Ficou com raiva da imprensa, batendo o pezinho com o dedo em riste: “Não foi apagão, foi blecaute!”. E depois, com arrogância, decretou: “Caso encerrado”. Como assim encerrado? E as causas? E as provas do que aconteceu?

Reação atrapalhada
Para ser sincero, as declarações desencontradas e muitas vezes contraditórias das autoridades me surpreenderam e deixam a impressão de que o próprio governo está assustado por não saber o que houve e por medo de que o sistema volte a cair. Até parece que o governo está sendo assessorado pelo pessoal da Uniban para gerenciar os danos de imagem. A melhor resposta a ser dada no momento não poderia ser outra: “Estamos averiguando o que houve. Por enquanto podemos afirmar que o sistema está estável e sem indicador de que volte a ocorrer outra interrupção. No entanto, envidamos todos os esforços nessa investigação. Vamos destacar a ministra Dilma para chefiar uma equipe de análise para ajudar a esclarecer  tudo. A população pode ficar certa de que as respostas serão devidamente dadas assim que possível”. Ou seja. O negócio seria ganhar tempo e mostrar ação.

Mas o governo prefere tentar diminuir a importância do caso, postura que apenas reforça a impressão de incompetência administrativa.

Por que a oposição lidera as pesquisas?

Artigo publicado no jornal O Estado

Faltando ainda um ano para as eleições de 2010, muito pouco se pode afirmar sobre as condições dos possíveis candidatos que buscam galvanizar seus projetos eleitorais.

Os fatos que hoje mais atraem a atenção da mídia, como a dúvida do PSDB entre Serra e Aécio; ou como a campanha explícita que o presidente Lula faz para sua escolhida, a ministra Dilma Rousseff; não passam de assessórios que orbitam uma questão central: que discursos serão personificados por eventuais candidatos dessas forças políticas?

O ponto de partida é saber reconhecer que o eleitor brasileiro é conservador, ou seja, é avesso a mudanças radicais. Nesse sentido, o fato mais instigante e revelador do quadro eleitoral, atualmente, é constatar a liderança de José Serra nas pesquisas, que configura a inusitada circunstância onde um opositor é o favorito para suceder o governo de um presidente com alta popularidade.

Por enquanto o que temos é um governo com boa aprovação e um presidente bem avaliado que não conseguem produzir no eleitorado uma expectativa de continuação de sua obra.

A conclusão óbvia é que para esse eleitorado a opção por José Serra não significa, até o momento, uma ruptura, da mesma forma que o Lula da Carta aos Brasileiros não representou uma ruptura com o governo FHC. O petismo, nesse sentido, é refém do programa social-democrata dos tucanos. Com o agravante de ter produzidos distorções que ficam para agora não cabem ser discutidos (fica para outro artigo). De resto, desafio alguém a mostrar algo genuinamente criado pelo atual governo que tenha impactado na vida da população (não me venham com programas rebatizados ou segmentados).

Na verdade, é possível afirmar que o governador paulista encarna hoje a continuação de certas políticas do governo federal, já herdadas de seu antecessor, como a econômica e as sociais compensatórias.

Para os governistas, urge desconstruir essa imagem. E aí mora o perigo. Na ânsia de fazer Dilma uma candidata competitiva, capaz de representar avanços, os governistas apostam na falsa questão das privatizações, enquanto traficantes derrubam helicópteros, a desigualdade aumenta e a arrecadação cai pelo 11º mês consecutivo. Mas o desafio é grande, uma vez que para ter chance, Dilma precisa do apoio de figuras que representam retrocessos, como José Sarney e Renan Calheiros. Haja marqueteiro.

Quanto custa uma linha editorial

A coluna Política, do jornal O Povo, comandada pelo jornalista Fábio Campos, é uma referência da crônica política cearense. Envolvido em outros projetos, o titular passou a compartilhar a assinatura da coluna com mais dois colaboradores. Essa opção editorial merece uma reflexão sobre alguns riscos. Falo como leitor assíduo daquele espaço.

Primeiro, a coluna e seu editor, com o tempo, se associaram indelevelmente. Existe ali uma identidade e um estilo bem construídos e devidamente aceitos por seus leitores. Ainda que se discorde que lá é publicado, é preciso reconhecer que suas ideias são colocadas com cuidado e esmero. Mesmo quando somente às segundas o texto era escrito por outra pessoa, mantinha-se mais ou menos o tom da coluna.

Mas ultimamente a linha editorial que fez o sucesso da coluna parece não ter mais a mesma unidade. É claro que os outros jornalistas que divedem o memso espaço tem suas próprias análises, mas quando elas passam a destoar demasidamente do estilo e da essência do titular, fica estranho.

O texto deste domingo (30), assinado por Kamila Fernandes, é um bom exemplo. Transcrevo trecho abaixo e em seguida comento:

Quanto custa uma aliança
Que o Governo Lula depende do PMDB para a sua “governabilidade”, ninguém duvida. (…) A situação é explicável pela seguinte lógica: se a disputa ao Senado ganhar um terceiro candidato forte, além de Tasso e Eunício, como defende a futura presidente do Diretório Estadual do PT, a prefeita Luizianne Lins, que já repetiu que quer o ministro José Pimentel no páreo, o embate ficará bem mais acirrado, já que um dos três ficará sem mandato no final. (…) Afinal, o que se quer, eleger um aliado específico a todo custo ou fortalecer a base governista – para, aí sim, garantir a tal da “governabilidade” sem precisar passar por constrangimentos como os vistos no caso Sarney e no Mensalão (na hipótese de Dilma Rousseff se eleger)?

Vamos entender a lógica do que foi exposto por uma analista política profissional que passou a ocupar um valioso espaço. De cara, para ela, o mensalão e a indecência do apoio a Sarney foram meros “constrangimentos” impostos ao petismo por conta da governabilidade. O PT mesmo nem queria, mas se viu obrigado…

Em seguida, de forma explícita, é sugerido o  reforço da base governista no Senado para que o Planalto não necessite dos serviços de parlamentares inescrupulosos. Fica claro então, que a solução, no Ceará, é o governo Cid pensar na governabilidade do PT e apoiar as candidaturas de Eunício e de Pimentel. Mas, o que Cid ganharia com isso? Ela não diz, pois sua argumentação se baseia no ponto de vista de apenas uma das partes.

Resumindo: para evitar constrangimentos, a solução, segundo a analista, é riscar do mapa o único desses políticos que critica abertamente o mensalão e a presidência de Sarney no Senado, que é o senador Tasso Jereissati. Dessa simpática equação, podemos concluir que os problemas éticos do governo Lula são causados pela… oposição. Quanto menor e mais fraca ela for, mas virtuoso será o governo petista. Quem sabe, para que o governo não tivesse mais problemas com a governabilidade, a oposição devesse aderir (!?). José Dirceu iria às lágrimas.

A hipótese de Lula romper com Sarney e apoiar outro candidato no Maranhão não existe.

A possibilidade de que picaretas que haviam perdido poder nos últimos anos tenham voltado a se fortalecer porque o governo Lula patrocina o descrédito institucional do parlamento também não existe.

A sugestão de que o mensalão foi uma ação deliberada e calculada justamente para fortalecer picaretas, essa nem passa no horizonte.

José Pimentel, com certeza, concorda com a coluna deste domingo. E Fábio Campos? Endossaria ele o texto de Kamila Fernandes?

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